16.1.11

Fernando Pessoa / R. Reis (Nada fica de nada)






Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.


Leis feitas, estátuas vistas, odes findas-
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.



Ricardo Reis


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