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25.9.26

Armindo Rodrigues (Liberdade)




LIBERDADE

 

Liberdade sem pão não é liberdade.
Sem liberdade, o pão é escuro e amargo.
Enquanto a alvorada é uma rosa branca,
o pino da tarde é um toiro bravo.
Entre o destino aceite e o escolhido,
é o mais custoso o que mais me quadra.
Pode-se viver preso e ser-se livre.
Pode viver-se livre e ser-se escravo.


Armindo Rodrigues

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11.1.26

Armindo Rodrigues (Fosse o verme nuvem)




(XXXVII)

 

Fosse o verme nuvem,
por força teria
saudades do chão.

ARMINDO RODRIGUES
Quadrante Solar
IN/CM (1984)

 .

30.4.23

Armindo Rodrigues (Ao ritmo da distância)




(XIII)

 

Ao ritmo da distância,
a lua em foice ceifa
a nitidez das estrelas.

ARMINDO RODRIGUES
Quadrante Solar
IN/CM (1984)

 .

2.3.23

Armindo Rodrigues (Ao que na morte aspiro)




(XXIV)

 

Ao que na morte aspiro
não é ao esquecimento.

O esquecimento implica
ainda uma lembrança.

Para quem morre, a morte
é como nem ter sido.

ARMINDO RODRIGUES
Quadrante Solar
IN/CM (1984)

 .

10.10.22

Armindo Rodrigues (Elegia por antecipação)




ELEGIA POR ANTECIPAÇÃO À MINHA MORTE TRANQUILA

 

Vem, morte, quando vieres.
Onde as leis são vis, ou tontas,
não és tu que me amedrontas.
Troquei por penas prazeres.
Troquei por confiança afrontas.
Tenho sempre as contas prontas.
Vem, morte, quando quiseres.


Armindo Rodrigues

 .

17.6.22

Armindo Rodrigues (O sol na água pousa)



O SOL NA ÁGUA POUSA



Alado, o sol na água pousa 
e dele treme a água amedrontada, 
que a ardente imagem lhe devolve em rosa 
e em si própria um distante sonho ousa 
de céu amargo, que não sonha nada. 


Armindo Rodrigues

 .

21.12.21

Armindo Rodrigues (A luz range)




 (XII)                                   

 

A luz range e rasga,
intensa, a esperança
que ela própria acende.

A luz abre as asas,
como o chão se abre
à dor das sementes.

A luz é de cal.
A luz é de sangue.
A luz é de sempre.


ARMINDO RODRIGUES
Quadrante Solar
IN/CM (1984)

 .

21.11.21

Armindo Rodrigues (Entre montados)




ENTRE MONTADOS

 

Entre montados, olivais antigos,
laranjais, vinhas, candentes searas,
hortas frescas com as suas noras,
movem-se homens decididos.
Em tudo o que fazem põem gravidade,
serenidade, cuidado, harmonia.
Ao morrerem, morrem sem terror da morte,
que acham natural como terem nascido.


Armindo Rodrigues

[Ajuda-me a ver]

 

 

>> Citador (3p) / Archive (Um poeta qs esquecido) / Archive (Centenário) / Wikipedia

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