DUPLA NEGATIVA
Não comas nada que não possa apodrecer
Não comas nada que não anoiteça
à espera do grande luar de Agosto, a cabeça mansa
do boi que espreita à janela do curral
Nada que não resplandeça
e se abra, irregular odor ao vento
Não comas nada menos que aceso
e amadurecido pelas semelhanças, nada
que enquanto dormes te não pondere o sangue
Nada comas que te não acaricie ou ofereça a linha do dorso, suprema
Não queiras nada que não tenha
superfície e mistério
Não desejes nada puro
- compaixão, água fresca, incidências vegetais
Não te queiras fímbria, orla
humilde de substâncias imortais
Andreia C. Faria
>> Folha de poesia (notas+7p) / Recanto do poeta (7p) /Casa FP (5p) / Dialnet (Pedro Meneses/ rec. ‘Canina’) / Wikipedia
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