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1.7.18

Ape Rotoma (Frio)






 FRÍO



Un mal diciembre. Una buena noche 
pero cerrada antes de las siete.
Fin de semana que es una tregua
en muchos sentidos, de muchas cosas. 

No sé. Fumando un costo muy digno
y tecleando aquí disparates
siento un amago falso de euforia
que aun falso y todo, agradezco. Mucho.

Ape Rotoma




Um Dezembro ruim. Noite boa,
mas acabada antes das sete.
Fim-de-semana, uma trégua
em muitos sentidos, de muitas coisas.

Não sei. Fumando uma moca muito decente
e dedilhando aqui uns disparates,
sinto um falso ameaço de euforia
que, mesmo falso e tudo, agradeço.
Muito.

(Trad. A.M.)

 .

22.3.17

Ape Rotoma (Embebedo-me todas as noites)





Me emborracho cada noche para no pensar en ti
y poder dormir. Despierto de madrugada con resaca
y el jodido insomnio alcohólico me impide dormir de nuevo.
Como un zombi, me acerco al ordenador de un compañero de piso
y tecleo cosas ya escritas, para no pensar en ti
y poder vivir un rato. La mañana pasa lenta
y el puto guión me aburre. Tecleo alguna otra cosa,
leo el periódico de ayer y "Hollywood" de Bukowski,
fumo mucho y pienso más, procuro que no sea en ti
y no lo consigo. Vuelta al guión. Otro café. Y, por fin,
grabo en ese mismo software muy despacio este poema.
Y me gusta. Y me entretengo en juguetear con su ritmo,
en respetar su estructura y en multiplicar enlaces,
aunque parezca mentira, para no pensar en ti.

Ape Rotoma




Embebedo-me todas as noites para não pensar em ti
e poder dormir. Desperto de madrugada com ressaca
e a porra da insónia do álcool não me deixa adormecer novamente.
Como um zombi, vou ao computador de um colega de casa
e teclo umas coisas já escritas, para não pensar em ti
e poder viver um bocado. A manhã escorre lenta
e o puto do guião chateia-me. Teclo uma outra coisa qualquer,
leio o jornal de ontem e ‘Hollywood’ de Bukowski,
fumo bastante e penso mais, procuro que não seja em ti
mas não consigo. Torno ao guião. Outro café. E, por fim,
gravo no teclado muito devagar este poema.
E agrada-me. E entretenho-me a brincar-lhe com o ritmo,
respeitar-lhe a estrutura e multiplicar ligações,
embora pareça mentira, para não pensar em ti.


(Trad. A.M.)


.

17.8.16

Ape Rotoma (Um poema de amor)





UN POEMA DE AMOR




Mi chica me pide un poema, es decir,
que escriba un poema sobre ella,
añadiendo: el último fue hace un año,
y lo dice en el mismo tono en el que
otras dicen: a ver si pintas el cuarto
de los niños de una vez. En fin,
vamos por partes: ella sabe muy bien
que no soy precisamente prolífico
y que no planeo nada, que son
los asuntos los que me eligen y los
que eligen el momento, la técnica
y la extensión. Pero, por lo visto,
eso vale para todo menos para
un poema de amor. Dios de mi vida,
preciosa, ¿cuántos poemas de amor
has leído míos?, ¿cinco?, ¿siete?
Como mucho, calculo, y ¿cuántos
iban dirigidos a otras?, ¿uno?, ¿dos?
¿No lo ves? Eso sí es ser insaciable.
Porque espero que no cuente esos
que hablan sobre las mujeres
que me cruzo por la calle, y otras
fantasías masturbatorias. Me pide
justo lo que sabe que menos va
con mi estilo y se queda tan a gusto.
¿Qué coño es esto? ¿Una prueba?
¿Qué pasa con mis constantes, con
mi marchamo, con el sello de la
casa? Lo más grave es que se hace
la graciosa diciendo que va a dejarme,
que así seguro que lo hago, que
somos todos iguales, los poetas.
Bueno, bueno, sin ofender, pues
menudo gremio como para que
a uno le comparen con según quién
y, por cierto, eso es de una ingenuidad
cruel y tramposa a la que no sé
reaccionar. Cuando me dejes, princesa,
es muy posible que escriba, cómo
no, pero no será sobre ti sino sobre
tu ausencia y, según cómo acabemos,
puede que no te haga mucha gracia
que te elija como asunto y no estoy
amenazando, que quede claro,
que estas cosas sabe uno cómo
empiezan. En fin, vale, por esta vez
sea, que pase, pero que no se repita,
que yo no le pido a ella que me
dedique un día de curro. Porque total,
para decir que la quiero con locura
no hacen puta falta versos ni figuras
ni ese no-sabe-uno-qué que se espera
de un poema comme il faut. Si le
vale esto estupendo, pero por favor,
espero que no se meta de nuevo
en mis cosas en adelante. Está feo
y después la gente le toma a uno
por el pito de un sereno y esto de
escribir en renglones cortos es cosa
seria, qué coño. Aquí está, tu jodido
poema, dice las cosas que dice y
las que quieras leer entre líneas y
se acabó. Ahora, ¿podemos dedicarnos
a lo nuestro que hoy espero que sea
algo como echar un polvo o similar?


Ape Rotoma

[Fragments de vida]




A miúda pede-me um poema, isto é,
que escreva um poema sobre ela,
e acrescenta, ‘o último já foi há um ano’,
isto com o mesmo tom de outras
dizendo,‘a ver se pintas de uma vez
o quarto das crianças’. Enfim,
vamos por partes: ela sabe muito bem
que eu não sou bem o que se possa dizer
prolífico e não planeio nada,
antes são os temas que me escolhem
e que escolhem o momento, a técnica
e a extensão. Mas, pelos vistos,
isso vale para tudo menos para
um poema de amor. Pai da vida,
ó linda, quantos poemas de amor
é que leste, meus, cinco? sete?
Quando muito, calculo. E quantos eram
dirigidos a outras, um? dois?
Estás a ver? Isso é que é ser insaciável.
Porque espero bem que não contem
os que falam das mulheres
com que me cruzo na rua e outras
fantasias masturbatórias. Pede-me
justamente o que sabe que vai menos
com o meu estilo e inclinação.
Mas que raio é isto, uma prova?
Então e os meus dados, e o
meu carimbo, o selo da casa?
O pior é que ela faz-se de graciosa,
diz que me deixa, assim de certeza
que o faço, que os poetas são todos iguais.
Bom, bom, não vale ofender,
comparando uns com outros,
com uma falsa candura a que eu não sei
que dizer. Quando me deixares, princesa,
é muito possível que escreva, então
não, mas não será sobre ti, antes
sobre a tua ausência, e dependendo
de como acabarmos pode não te agradar
muito que te escolha como tema,
não estou a ameaçar, fique aqui claro,
que a gente sabe como começam
estas coisas. Enfim, vá lá, seja por esta vez,
mas que não se repita, que eu a ela também
não lhe peço que me dedique um dia
de emprego. Porque, afinal,
para lhe dizer que a amo com loucura
não são precisos versos nem figuras de estilo,
nem esse não-sei-quê que se espera
de um poema ‘comme il faut’. Se isto
lhe servir, óptimo, mas por favor
que doravante não se meta de novo
nas minhas coisas. A coisa está preta
e depois as pessoas ainda nos tomam
pelo apito do guarda-nocturno e isto
de escrever em linhas curtas, que raio,
tem o que se lhe diga. Aqui está, o teu
bendito poema, diz aquilo que diz
mais o que queiras ler nas entrelinhas
e pronto. Podemos, agora, passar
a outra coisa, ir para a camoca
por exemplo, ou coisa assim?


(Trad. A.M.)

.

12.10.15

Ape Rotoma (Linhas curtitas)





RENGLONES CORTITOS



Mira, Luna,
un buen poema
debe decir
muchas cosas
en reglones muy cortitos
y además debe
dejar espacio en la página
suficiente
y aun de sobra
para todas esas cosas
que no dice.

Ape Rotoma




Olha, Luna,
um bom poema
tem de dizer
muitas coisas
em linhas muito curtitas
e tem além disso
de deixar espaço na página
bastante e até de sobra
para aquelas coisas todas
que não diz.

(Trad. A.M.)

.

24.9.15

Ape Rotoma (A eles)





A ELLOS



Me gustan los camellos silenciosos y cautos,
los que no se apresuran, los que cumplen los ritos,
los que te reconocen pero sin aspavientos
ni sonrisas forzadas ni familiaridades,
que no se hacen los duros ni los necesitados,
que no esperan de ti complicidad ni nada
que no sea el precio exacto, el actual del mercado,
y que hablan del producto lo justo, nunca menos,
y te dicen a veces: lo que hoy tengo es muy malo.
En resumidas cuentas, en esto como en todo,
dadme un profesional.


Ape Rotoma



Eu cá gosto dos passadores calados e cautos,
os que se não apressam, os que cumprem os ritos,
os que te reconhecem mas sem espaventos
nem sorrisos forçados nem grandes intimidades,
que não se fazem de duros nem de necessitados,
que não esperam de ti cumplicidade nem nada
para além do preço exacto, o corrente do mercado,
e que falam do produto o preciso, nunca menos,
dizendo às vezes: hoje o que tenho é mau.
Resumindo, nisto como em tudo,
dai-me um profissional.

(Trad. A.M.)



>>  Poetas siglo XXI (6p) / Las afinidades electivas (4p) / Wikipedia

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