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1.9.11

Fernando Pessoa / R. Reis (Não sei se é amor que tens)






Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
o que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
          Já que o não sou por tempo,
           seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
           é verdadeira. Aceito,
           cerro olhos: é bastante.
          Que mais quero?



Ricardo Reis

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16.1.11

Fernando Pessoa / R. Reis (Nada fica de nada)






Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.


Leis feitas, estátuas vistas, odes findas-
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.



Ricardo Reis


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14.12.10

Fernando Pessoa / R. Reis (Segue o teu destino)






Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.


Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.


Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.



Ricardo Reis



[Poemblog]

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18.10.09

Fernando Pessoa / R. Reis (Para ser grande)







Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.


Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.


Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis




12.9.09

Fernando Pessoa / R. Reis (Tão cedo passa)



[A lua flutua]





Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.



Ricardo Reis


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