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21.9.10

Rafael Alberti (Balada para los poetas andaluces de hoy)








BALADA PARA LOS POETAS ANDALUCES DE HOY




¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?


Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?


Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.


¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?


¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?


Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.


No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.



Rafael Alberti




Que cantam os poetas andaluzes de agora?
Que olham os poetas andaluzes de agora?
Que sentem os poetas andaluzes de agora?


Cantam com voz de homem, mas onde os homens?
Com olhos de homem olham, mas onde os homens?
Com peito de homem sentem, mas onde os homens?


Cantam, e quando cantam parece que estão sós.
Olham, e quando olham parece que estão sós.
Sentem, e quando sentem parece que estão sós.


Será que Andaluzia ficou sem ninguém?
Acaso nos montes andaluzes não haverá ninguém?
Que nos mares e campos andaluzes não haverá ninguém?


Não haverá quem responda à voz do poeta?
Quem olhe para o coração sem muros do poeta?
Tantas coisas terão morrido que só ficou o poeta?


Cantai alto, ouvireis que ouvem outros ouvidos.
Olhai alto, vereis que olham outros olhos.
Lati alto, sabereis que palpita outro sangue.


Não é mais fundo o poeta em seu terrão escuro
enterrado. Seu canto se ergue mais profundo
quando, aberto no ar, é já de todos os homens.


(Trad. A.M.)



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16.1.10

Rafael Alberti (É preciso ser cego)







É PRECISO SER CEGO




É preciso ser cego,
ou ter os olhos cheios de vidro em pó,
cal viva,
areia fervente,
para não ver a luz que ressalta dos nossos actos,
que nos ilumina por dentro a língua,
nossa diária palavra.


É preciso querer morrer sem rasto de glória e alegria,
sem participar nos hinos futuros,
sem lembrança dos homens que julgarem
o passado sombrio da terra.


É preciso querer já em vida ser passado,
obstáculo sangrento,
coisa morta,
seco olvido.



RAFAEL ALBERTI
De un momento a otro
(1932-38)


(Trad. A.M.)

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29.1.06

Rafael Alberti (Canção de amor)





CANCIÓN DE AMOR



Amor, deja que me vaya,
déjame morir, amor.
Tú eres el mar y la playa.
Amor.

Amor, déjame la vida,
no dejes que muera, amor.
Tú eres mi luz escondida.
Amor.

Amor, déjame quererte.
Abre las fuentes, amor.
Mis labios quieren beberte.
Amor.

Amor, está anocheciendo.
Duermen las flores, amor,
y tú estás amaneciendo.
Amor.


Rafael Alberti







Amor, deixa-me ir,
deixa-me morrer, amor.
Tu és o mar e a praia.
Amor.

Amor, deixa-me viver,
não me deixes morrer, amor.
Tu és a minha luz escondida.
Amor.

Amor, deixa-me amar-te.
Abre as fontes, amor.
Quero beber-te com os lábios.
Amor.

Amor, está a anoitecer.
Dormem as flores, amor,
e tu estás a amanhecendo.
Amor.

(Trad. A.M.)



> Rafael Alberti (sítio oficial)


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