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25.5.18

Alberto Vega (Nocturno)






NOCTURNO



Esos días son reptiles que te asaltan.
Y vuelves, tú lo sabes, desgarrado,
con esa llama sutil de interrogantes
bailándote en los ojos.
Y apartas los libros casi a manotazos
—fiebre, ginebra insomne,
música helada y sábanas de olvido.
Y te hundes en la noche de tu cuarto
atroz y solitario
como un perro que se lame los testículos.

Alberto Vega




Estes dias são répteis que te assaltam.
E voltas, tu sabes, destroçado
com essa chama subtil inquisitiva
a bailar-te nos olhos.
E apartas os livros às palmadas
 - febre, genebra insone,
gelada música e lençóis de olvido.
E afundas-te na noite de teu quarto
atroz e solitário
como um cão a lamber os testículos.

(Trad. A.M.)

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25.1.17

Alberto Vega (O duplo)





EL DOBLE



Hay un problema entre nosotros: tú
sonríes a los gatos por la calle,
mientras yo cruzo los dedos y les temo
su memoria salvaje.

Pasan rostros anónimos y tú
les vas poniendo nombres y señales,
yo en cambio me descuido entre las nubes
y silbo si me place.

Hay un problema entre nosotros: tú
vives dentro de mí y eso es muy grave.


Alberto Vega




Há um problema entre nós dois, tu
ris-te para os gatos na rua,
enquanto eu cruzo os dedos e temo-lhes
a memória selvagem.

Há rostos anónimos que passam
e tu vais-lhes dando nomes e signos,
eu em troca perco-me nas nuvens
e assobio de vez em quando.

Há um problema entre nós, tu
vives dentro de mim e isso é muito grave.


(Trad. A.M.)


15.8.14

Alberto Vega (Deus morreu)





Dios ha muerto, Marx ha muerto
(y yo últimamente no me encuentro
nada bien)


El caso es que me busco entre las cosas
vecinas, entre tanto
vino bastardo y tertulia de provincias,
jugándome los pasos a una carta
marcada en la baraja del destino
con orlas de colores y falsos paraísos,
desafiando al tiempo entre mitos y flautas.

Por lo demás, ningún problema. Gracias.

Alberto Vega



Deus morreu, Marx também
(e até eu ultimamente não me sinto
nada bem)

O caso é que me busco entre as coisas
próximas, entre tanto
vinho bastardo e tertúlias de província,
trocando as voltas a uma carta
marcada do baralho do destino
com orlas às cores e falsos paraísos,
o tempo desafiando entre mitos e flautas.

Quanto ao resto, tudo bem. Obrigado.

(Trad. A.M.)

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23.2.13

Alberto Vega ( Boa noite, amigos)





BUENAS NOCHES, AMIGOS



Te aguardaba en estos versos.

Entre la niebla cotidiana y unos granos de opio
elegí este horizonte de noches y fonemas
para mirar tus ojos frontalmente.

Ahora soy un príncipe encantado
bajo este aspecto de sapo un tanto lírico
que deberás besar
si quieres que este cuento acabe bien
para nosotros.
                   Créeme:
no hay orgullo ni bajeza en mis palabras.

Yo te aguardaba en estos versos desde siempre.


Alberto Vega




Aguardava-te nestes versos.

Entre a névoa quotidiana e alguns grãos de ópio
escolhi este horizonte de noites e fonemas
para te olhar de frente nos olhos.

Agora sou um príncipe encantado
sob este aspecto de sapo um tanto lírico
que terás de beijar
se quiseres que este conto acabe bem
para nós ambos.
Acredita,
não há orgulho nem baixeza nestas palavras.

Eu aguardava-te nestes versos desde sempre.


(Trad. A.M.)

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19.7.12

Alberto Vega (Geografia do sonho)






GEOGRAFIA DO SONHO




Tormenta de lua quieta,
na travesseira
um arcanjo de neve acorda-nos
com cem olhos abertos para o sonho.


E a sombra
exultante da lembrança
multiplica-se em espaventos.
Ao abrigo do Ser e do milagre
nossa brisa interior alerta a noite.


Despertar não é morrer
mas abraçar
as coisas que nos agridem mais de perto.


(Trad. A.M.)


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30.6.12

Alberto Vega (Economia de meios)






ECONOMÍA DE MEDIOS (MEJOR: DE MIEDOS)




A veces suena el timbre del teléfono
y entra en casa el cartero, disfrazado de fax.


No le presto atención, mas algo en mi interior
me dice que una noche vendrá Dios
a cobrar la demora en la hipoteca de mi vida
simulando que me trae la cerveza y las pizzas
o un recibo impagado de la empresa del gas.


Entonces hará frío, será tarde
y en toda la ciudad no habrá un maldito
Banco de Horas abierto que me avale.



Alberto Vega




Às vezes toca o telefone
e entra em casa o carteiro, disfarçado de fax.


Não lhe dou atenção, mas algo me diz
no íntimo que uma noite virá Deus
cobrar o débito na hipoteca da minha vida
simulando que me traz a cerveja e as pizzas
ou o recibo não pago da empresa do gás.


Então fará frio, será tarde
e não haverá em toda a cidade um maldito
Banco de Horas aberto que me afiance.



(Trad. A.M.)



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