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29.5.19

Antonia Pozzi (Mensagem)




MESSAGGIO



E tu, stella acuta notturna
splendi ancora
se per il solco delle strade
grida la triste anima dei cani.
Sorgeranno colline d’erba magra
a coprirti:
ma nel mio buio conquistato
brillerai, fuoco bianco,
parlando ai vivi della mia morte.

Antonia Pozzi




E tu, estrela da noite
cintilas ainda
quando pelos caminhos
uiva de tristeza a alma dos cães.
Montes e montes virão a encobrir-te,
mas no escuro da minha vida
tu brilharás, fogo branco,
contando aos vivos da minha morte.

(Trad. A.M.)

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7.5.19

Antonia Pozzi (Novembro)





NOVEMBRE



E poi – se accadrà ch’io me ne vada –
resterà qualche cosa
di me
nel mio mondo
- resterà un’esile scìa di silenzio
in mezzo alle voci –
un tenue fiato di bianco
in cuore all’azzurro.

Ed una sera di novembre
una bambina gracile
all’angolo d’una strada
venderà tanti crisantemi
e ci saranno le stelle
gelide verdi remote.
Qualcuno piangerà
chissà dove – chissà dove –
Qualcuno cercherà i crisantemi
per me
nel mondo
quando accadrà che senza ritorno
io me ne debba andare.


Antonia Pozzi

[A dupla vida de V.]




E depois - se acontecer que eu me vá -
ficará qualquer coisa
de mim
em meu mundo
- ficará um fino traço de silêncio
por entre as vozes -
um sopro ténue de branco
no meio do azul.


E numa tarde de Novembro
uma menina graciosa
venderá milhentos crisântemos
numa esquina da rua
e haverá estrelas
gélidas, verdes, remotas.
Alguém chorará
sabe-se lá onde - sabe-se lá onde -
Alguém me buscará os crisântemos
pelo mundo
um dia que eu tenha de partir
sem regresso.


(Trad. A.M.)

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3.5.18

Antonia Pozzi (A vida)






LA VITA


Alle soglie d’autunno
in un tramonto
muto

scopri l’onda del tempo
e la tua resa
segreta

come di ramo in ramo
leggero
un cadere d’uccelli
cui le ali non reggono più.

Antonia Pozzi




À entrada do outono
um ocaso
mudo

e tu descobres a onda do tempo
a tua secreta
rendição

como um pássaro
caindo leve
de ramo em ramo
cujas asas o não sustêm.

(Trad. A.M.)


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12.7.17

Antonia Pozzi (Desânimo)





SFIDUCIA



Tristezza di queste mie mani
troppo pesanti
per non aprire piaghe,
troppo leggere
per lasciare un'impronta –

tristezza di questa mia bocca
che dice le stesse
parole tue
- altre cose intendendo -
e questo è il modo
della più disperata
lontananza.


Antonia Pozzi




Tristeza destas mãos
pesadas de mais
para não abrirem feridas,
demasiado leves
para deixarem marca –

tristeza desta boca
que diz as mesmas
palavras que tu
– significando outras coisas –
este o modo
da mais desesperada
distância.


(Trad. A.M.)



> Outra versão: O melhor amigo (Inês Dias)

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25.2.17

Antonia Pozzi (Canto da minha nudez)





CANTO DELLA MIA NUDITÀ



Guardami: sono nuda. Dall'inquieto
languore della mia capigliatura
alla tensione snella del mio piede,
io sono tutta una magrezza acerca
inguainata in un color d'avorio.
Guarda: pallida è la carne mia.
Si direbbe che il sangue non vi scorra.
Rosso non ne traspare. Solo un languido
palpito azzurro sfuma in mezzo al petto.
Vedi come incavato ho il ventre. Incerta
è la curva dei fianchi, ma i ginocchi
e le caviglie e tutte le giunture,
ho scarne e salde come un puro sangue.
Oggi, m'inarco nuda, nel nitore
del bagno bianco e m'inarcherò nuda
domani sopra un letto, se qualcuno
mi prenderà. E un giorno nuda, sola,
stesa supina sotto troppa terra,
starò, quando la morte avrá chiamato.


Antonia Pozzi




Olha para mim, estou nua. Do langor
 inquieto dos cabelos
à tensão ligeira dos pés,
toda eu sou uma magreza amarga
embrulhada em cor de marfim.
Olha, é pálida a minha carne,
o sangue dir-se-ia que aí não corre.
O vermelho não transparece, só um lânguido
pulsar azul se esbate a meio do peito.
Vê como é cavado meu ventre, a curva
dos flancos incerta, mas os joelhos
e os tornozelos e as articulações
são descarnados e duros como os de um puro-sangue.
Hoje, deito-me nua, na limpidez
da banheira branca e amanhã
deitar-me-ei nua sobre um leito, se alguém
me quiser tomar. E um dia nua, sozinha,
hei-de ficar, de costas por baixo da terra,
quando a morte vier me chamar.


(Trad. A.M.)

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24.8.16

Antonia Pozzi (Pausa)





PAUSA



Parecia-me que este dia
sem ti
devia ser inquieto,
escuro. Em vez disso está repleto
de uma estranha doçura, que aumenta
com o passar das horas –
quase como a terra
após um aguaceiro,
que fica sozinha no silêncio a beber
a água caída
e pouco a pouco
nas veias mais profundas se sente
penetrada.

A alegria que ontem foi angústia,
tempestade –
regressa agora em rápidas
golfadas ao coração,
como um mar amansado:
à luz suave do sol reaparecido brilham,
inocentes dádivas,
as conchas que a onda
deixou sobre a praia.


Antonia Pozzi

(Trad. Inês Dias)

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4.6.16

Antonia Pozzi (Grito)





GRIDO



Non avere un Dio
non avere una tomba
non avere nulla di fermo
ma solo cose vive che sfuggono -
essere senza ieri
essere senza domani
ed acciecarsi nel nulla –
- aiuto –
per la miseria
che non ha fine

Antonia Pozzi




Não ter um Deus
nem sepulcro
não ter nada seguro
só coisas vivas fugazes
– não ter ontem
nem amanhã
e ficar cega no nada –
(socorro)
pela miséria
sem fim.

(Trad. A.M.)

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11.5.16

Antonia Pozzi (Amor da lonjura)




AMORE DI LONTANNANZA



Ricordo che, quand’ero nella casa
della mia mamma, in mezzo alla pianura,
avevo una finestra che guardava
sui prati; in fondo, l’argine boscoso
nascondeva il Ticino e, ancor più in fondo,
c’era una striscia scura di colline.
Io allora non avevo visto il mare
che una sol volta, ma ne conservavo
un’aspra nostalgia da innamorata.
Verso sera fissavo l’orizzonte;
socchiudevo un po’ gli occhi; accarezzavo
i contorni e i colori tra le ciglia:
e la striscia dei colli si spianava,
tremula, azzurra: a me pareva il mare
e mi piaceva più del mare vero.

Antonia Pozzi




Lembro-me que, quando estava em casa
da minha mãe, no meio da planície,
havia uma janela que olhava
para os campos; ao fundo, a linha do bosque
ocultava o Ticino e, mais ao longe,
havia uma tira escura de colinas.
Eu não vira o mar então senão
uma vez, mas tinha-lhe uma áspera
saudade de enamorada.
Para a noite, fitava o horizonte,
cerrava um pouco os olhos, afagava
as cores e contornos por entre os cílios.
E a linha do relevo aplainava-se,
azul, trémula – para mim era o mar
e agradava-me mais que o mar verdadeiro.

(Trad. A.M.)



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