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31.8.19

Pedro Salinas (À noite perdeu-se-me)





Anoche se me ha perdido
en la arena de la playa
un recuerdo
dorado, viejo y menudo
como un granito de arena.
¡Paciencia! La noche es corta.
Iré a buscarlo mañana…
Pero tengo miedo de esos
remolinos nocherniegos
que se llevan en su grupa
—¡Dios sabe adónde!— la arena
menudita de la playa.


Pedro Salinas

[Trianarts]




À noite perdeu-se-me
na areia da praia
uma recordação
dourada, antiga
e pequenina
como um grãozinho de areia.
Paciência! A noite é curta,
amanhã vou procurá-la…
Mas tenho receio daqueles
remoinhos nocturnos
que levam consigo
- sabe-se lá para onde! -
a areia miudinha da praia.

(Trad. A.M.)

.

13.11.17

Pedro Salinas (A forma de querer tua)





La forma de querer tú
es dejarme que te quiera.
El sí con que te me rindes
es el silencio. Tus besos
son ofrecerme los labios
para que los bese yo.
Jamás palabras, abrazos,
me dirán que tú existías,
que me quisiste: jamás.
Me lo dicen hojas blancas,
mapas, augurios, teléfonos;
tú, no.
Y estoy abrazado a ti
sin preguntarte, de miedo
a que no sea verdad
que tú vives y me quieres.
Y estoy abrazado a ti
sin mirar y sin tocarte.
No vaya a ser que descubra
con preguntas, con caricias,
esa soledad inmensa
de quererte sólo yo.


Pedro Salinas 





A forma de querer tua
é deixar-me que eu te queira.
O sim com que te me rendes
é o silêncio. Teus beijos
são ofertar-me os lábios
para que os beije eu.
Jamais palavras, abraços,
me dirão que existias tu,
que me quiseste, jamais.
Dizem-mo é folhas brancas,
mapas, augúrios, telefones;
tu, não.
E eu fico abraçado a ti,
sem perguntar, de medo
que não seja verdade
que tu vives e me queres.
E fico abraçado a ti
sem olhar nem te tocar.
Não vá que descubra
com perguntas, com carinhos,
essa solidão imensa
de querer-te só eu.


(Trad. A.M.)

.

23.4.16

Pedro Salinas (Serás, amor-III)





Serás, amor,
um longo adeus que não acaba?
Desde o início que viver é separar-se.
Ao primeiro encontro com a luz e os lábios,
o coração pressente a angústia
de um dia estar cego e só.
Amor é o milagre do protelar
do seu próprio termo:
é o prolongar do facto mágico,
de um mais um serem dois, contra
a sentença primeira da vida.
Com beijos,
com a pena e o peito se conquistam,
em afanosas lides, entre gozos
parecidos com brincadeiras,
dias, terras, espaços fabulosos,
furtados à separação que nos espera,
irmã da morte ou a morte mesma.
Cada beijo perfeito afasta o tempo,
atira-o para trás, alarga o mundo breve
em que é permitido ainda beijar.
Não é na chegada ou na descoberta
que tem o amor o seu cume:
é na resistência à separação que o sentimos,
desnudo, altíssimo, tremendo.
E a separação não é o momento
em que braços, ou vozes,
se despedem com gestos visíveis:
é antes, é depois.
Se apertamos as mãos ou nos abraçamos,
não é pela separação,
mas porque a alma cegamente sente
que a forma possível de estar juntos
é uma despedida longa, clara.
E que o mais certo ainda é o adeus.


Pedro Salinas

(Trad. A.M.)*


________________

(*) Nova tentativa.
Original: Rua das Pretas
Antecedentes, também.

10.12.15

Pedro Salinas (À noite)





A la noche se empiezan
a encender las preguntas.

Las hay distantes, quietas,
inmensas, como astros:
preguntan desde allí
siempre
lo mismo:
cómo eres ?

Otras,
fugaces y menudas,
querrían saber cosas
leves de ti y exactas:
medida de tus zapatos,
nombre de la esquina del mundo
dónde me esperarías.

Tú no las puedes ver,
pero tienes el sueño
cercado todo él
por interrogaciones
mías.
Y acaso alguna vez
tú, soñando, dirás
que sí, que no, respuestas
de azar y de milagro
a preguntas que ignoras,
que no ves, que no sabes.
Porque no sabes nada...

y cuando te despiertas,
ellas se esconden, ya
invisibles, se apagan.

Y seguirás viviendo
alegre, sin saber
que en media vida tuya
estás siempre cercada
de ánsias, de afán, de anhelos,
sin cesar preguntándote
eso que tú no ves
ni puedes contestar.


Pedro Salinas

[Mi manera de estar solo]



À noite começam
a acender-se as perguntas.

Há-as distantes, serenas,
imensas, como astros:
perguntam dali
sempre
o mesmo:
como és?

Outras,
miúdas e fugazes,
pretenderiam saber de ti
coisas de nada, exactas:
a medida do teu calçado,
o nome da esquina do mundo
onde me esperarias.

Não podes vê-las, tu,
mas tens o sono
cercado todo
por interrogações
minhas.
E um dia, acaso,
tu dirás, sonhando,
que sim, que não, respostas
de acaso e milagre
a perguntas que ignoras,
que não vês, que não sabes.
Porque não sabes de nada...

e quando acordas,
elas escondem-se,
invisíveis se fazem,
e apagam-se.

E alegre seguirás
a tua vida, sem saber
que a meio dela te encontras
cercada de ânsia, de afã, de anelos,
perguntada continuamente
sobre aquilo que não vês
nem podes responder.


(Trad. A.M.)

.

14.6.15

Pedro Salinas (Afogando-me nela)





AHOGÁNDOME EN ELLA



Si no es el mar, sí es su imagen,
su estampa, vuelta, en el cielo.
Si no es el mar, sí es su voz
delgada,
a través del ancho mundo,
en altavoz, por los aires.
Si no es el mar, sí es su nombre,
es un idioma sin labios,
sin pueblo,
sin más palabra que ésta:
mar.
Si no es el mar, sí es su idea
de fuego, insondable, limpia;
y yo,
ardiendo, ahogándome en ella.

Pedro Salinas

[Noctambulario]



Se não é o mar, é a sua imagem
a sua estampa, virada, no céu.
Se não é o mar, é sua voz
delgada,
através do largo mundo,
pelos ares, em alta voz.
Se não é o mar, é seu nome,
um idioma sem lábios,
sem povo,
sem mais palavra que esta:
mar.
Se não é o mar, é a sua ideia
de fogo, limpa, insondável;
e eu,
a arder, afogando-me nela.


(Trad. A.M.)

.

12.11.12

Pedro Salinas (Serás, amor - II)





¿Serás, amor
un largo adiós que no se acaba?
Vivir, desde el principio, es separarse.
En el primer encuentro
con la luz, con los labios,
el corazón percibe la congoja
de tener que estar ciego y sólo un día.
Amor es el retraso milagroso
de su término mismo:
es prolongar el hecho mágico
de que uno y uno sean dos, en contra
de la primer condena de la vida.
Con los besos,
con la pena y el pecho se conquistan,
en afanosas lides, entre gozos
parecidos a juegos,
días, tierras, espacios fabulosos,
a la gran disyunción que está esperando,
hermana de la muerte o muerte misma.
Cada beso perfecto aparta el tiempo,
le echa hacia atrás, ensancha el mundo breve
donde puede besarse todavía.
Ni en el llegar, ni en el hallazgo
tiene el amor su cima:
es en la resistencia a separarse
en donde se le siente,
desnudo, altísimo, temblando.
Y la separación no es el momento
cuando brazos, o voces,
se despiden con señas materiales.
Es de antes, de después.
Si se estrechan las manos, si se abraza,
nunca es para apartarse,
es porque el alma ciegamente
siente
que la forma posible de estar juntos
es una despedida larga, clara.
Y que lo más seguro es el adiós.


Pedro Salinas




Serás, amor,
um longo adeus interminável?
Desde o início, viver é separar-se.
Ao primeiro encontro com a luz e os lábios,
o coração percebe a angústia
de um dia estar cego e só.
Amor é o milagre do protelar
do seu próprio termo:
é prolongar o facto mágico,
de um mais um serem dois, contra
a sentença primeira da vida.
Com beijos,
com a pena e o peito se conquistam,
em afanosas lides, entre gozos
parecidos com brincadeiras,
dias, terras, espaços fabulosos,
furtados à separação que nos espera,
irmã da morte ou a morte mesma.
Cada beijo perfeito afasta o tempo,
atira-o para trás, alarga o mundo breve
em que é permitido ainda beijar.
Não é na chegada ou na descoberta
que tem o amor o seu cume:
é na resistência à separação que o sentimos,
desnudo, altíssimo, a estremecer.
E a separação não é o instante
em que braços, ou vozes,
se despedem com gestos visíveis:
é antes, é depois.
Se estreitamos as mãos, se abraçamos,
não é por nos apartarmos,
mas porque a alma cegamente sente
que a forma possível de estar juntos
é uma despedida longa, clara.
E que o mais certo é o adeus.


(Trad. A.M.)


> 2.ª versão, partindo desta /1.ª/
e passando por esta /1.ª-A/ (J.E.Simões)

Comparar com esta /3.ª/ (José Bento, s.e.), só acessada depois

.

10.1.12

Pedro Salinas (Para viver não quero)






Para vivir no quiero
islas, palacios, torres.
¡Qué alegría más alta:
vivir en los pronombres!

Quítate ya los trajes,
las señas, los retratos;
yo no te quiero así,
disfrazada de otra,
hija siempre de algo.
Te quiero pura, libre,
irreductible: tú.
Sé que cuando te llame
entre todas las gentes
del mundo,
sólo tú serás tú.
Y cuando me preguntes
quién es el que te llama,
el que te quiere suya,
enterraré los nombres,
los rótulos, la historia.
Iré rompiendo todo
lo que encima me echaron
desde antes de nacer.
Y vuelto ya al anónimo
eterno del desnudo,
de la piedra, del mundo,
te diré:
«Yo te quiero, soy yo».



Pedro Salinas






Para viver não quero
ilhas, palácios ou torres.
Que mais alta alegria,
viver nos pronomes!

Tira-me já esses vestidos,
os sinais e os retratos;
eu não te quero assim,
de outra disfarçada,
filha sempre de algo.
Quero-te livre, pura,
irredutível: tu.
Sei, quando te chamar
entre todas as pessoas
no mundo, que
só tu serás tu.
E quando me perguntares
quem é este que te chama,
este que te quer para si,
os nomes enterrarei,
e os rótulos e a história.
Hei-de rasgar tudo
quanto me deitaram em cima
desde antes do nascimento.
E uma vez regressado ao eterno
anónimo do nu,
da pedra e do mundo,
hei-de dizer-te:
“Eu é que te quero, sou eu.”


(Trad. A.M.)

.

19.2.11

Pedro Salinas (Tu)










Tu vives siempre en tus actos.
Con la punta de tus dedos
pulsas el mundo, le arrancas
auroras, triunfos, colores, 
alegrías: es tu música.
La vida es lo que tu tocas. 


De tus ojos, sólo de ellos,
sale la luz que te guía
los pasos. Andas
por lo que ves. Nada más. 


Y si una duda te hace
señas a diez mil kilómetros,
lo dejas todo, te arrojas
sobre proas, sobre alas,
estás ya allí; con los besos,
con los dientes la desgarras:
Ya no es duda.
Tú nunca puedes dudar.


Porque has vuelto los misterios
del revés. Y tus enigmas,
lo que nunca entenderás,
son esas cosas tan claras:
la arena donde te tiendes,
la marcha de tu reloj
y el tierno cuerpo rosado
que te encuentras en tu espejo
cada día al despertar,
y es el tuyo. Los prodigios
que están descifrados ya.


Y nunca te equivocaste,
más que una vez, una noche
que te encaprichó una sombra
- la única que te ha gustado.
Una sombra parecía.
Y la quisiste abrazar.
Y era yo.



Pedro Salinas






Tu vives sempre em teus actos.
Com a ponta dos dedos
tocas no mundo, arrancas-lhe
auroras, triunfos, cores
e alegrias; é tua música.
A vida é o que tu tocas.


De teus olhos, deles só,
sai a luz que guia
teus passos. Andas
pelo que vês. Nada mais.


E se uma dúvida te acena
a dez mil quilómetros,
deixas tudo, atiras-te
sobre proas ou asas,
estás logo lá; e rasga-la
com os dentes, à força de beijos:
Era uma vez uma dúvida.
Duvidar é que tu não podes.


Porque tu viraste os mistérios
do avesso. E os teus enigmas,
nunca vais entendê-lo,
são essas coisas tão claras:
a areia em que te estendes,
o movimento do teu relógio
e esse corpo rosa
que encontras no espelho
cada dia ao despertar,
e que é o teu. Os prodígios
já decifrados.


E nunca te enganaste,
mais que uma vez, nessa noite
em que uma sombra te interessou
- a única de que gostaste.
Parecia uma sombra.
E quiseste abraçá-la.
E era eu.


(Trad. A.M.)


.

21.4.10

Pedro Salinas (Ontem beijei-te nos lábios)






Ayer te besé en los labios.
Te besé en los labios. Densos,
rojos. Fue un beso tan corto,
que duró más que un relámpago,
que un milagro, más. El tiempo
después de dártelo
no lo quise para nada ya,
para nada
lo había querido antes.
Se empezó, se acabó en él.
Hoy estoy besando un beso;
estoy solo con mis labios.
Los pongo
no en tu boca, no, ya no...
-¿Adónde se me ha escapado?-.
Los pongo
en el beso que te di
ayer, en las bocas juntas
del beso que se besaron.
Y dura este beso más
que el silencio, que la luz.
Porque ya no es una carne
ni una boca lo que beso,
que se escapa, que me huye.
No.
Te estoy besando más lejos.



Pedro Salinas








Ontem beijei-te nos lábios.
Nos lábios. Densos,
vermelhos. Um beijo tão curto,
que durou mais que um relâmpago,
que um milagre, mais. O tempo
depois de to dar
já o não quis para nada,
antes para nada o quisera.
Começou e acabou nele.
Hoje estou beijando um beijo;
estou só com meus lábios.
Ponho-os
não em tua boca, não, já não...
- Aonde me fugiu? –
Ponho-os
no beijo que te dei
ontem, nas bocas juntas
do beijo que se beijaram.
E dura este beijo mais
que o silêncio, que a luz.
Porque não é já uma carne
nem uma boca o que beijo,
que se escapa, que me foge.
Não.
Estou-te beijando mais longe.


(Trad. A.M.)

.

29.11.09

Pedro Salinas (Se me chamasses)








SI ME LLAMARAS





¡Si me llamaras, sí,
si me llamaras!


Lo dejaría todo,
todo lo tiraría:
los precios, los catálogos,
el azul del océano en los mapas,
los días y sus noches,
los telegramas viejos
y un amor.
Tú, que no eres mi amor,
¡si me llamaras!


Y aún espero tu voz:
telescopios abajo,
desde la estrella,
por espejos, por túneles,
por los años bisiestos
puede venir. No sé por dónde.
Desde el prodigio, siempre.
Porque si tú me llamas
-¡si me llamaras, sí, si me llamaras!-
será desde un milagro,
incógnito, sin verlo.


Nunca desde los labios que te beso,
nunca desde a voz que dice:
"No te vayas".



Pedro Salinas






Se me chamasses, sim,
se me chamasses!


Deixaria tudo,
arrojaria com tudo:
preços, catálogos,
o azul do oceano nos mapas,
os dias e suas noites,
telegramas antigos
e um amor.
Tu, que não és meu amor,
se me chamasses!


E ainda espero tua voz:
telescópios abaixo,
lá da estrela,
por espelhos, por túneis,
por anos bissextos
pode ela vir. Não sei donde.
Do prodígio, sempre.
Porque se tu me chamares
- se me chamasses, sim, se me chamasses! –
será de um milagre,
incógnito, sem o ver.


Nunca dos lábios que te beijo,
nunca da voz que diz:
“Não vás embora”.


(Trad. A.M.)

.

22.7.09

Pedro Salinas (Perdoa-me por ir assim)









PERDÓNAME POR IR ASÍ BUSCÁNDOTE...






Perdóname por ir así buscándote
tan torpemente, dentro
de ti.
Perdóname el dolor alguna vez.
Es que quiero sacarde ti tu mejor tú.
Ese que no te viste y que yo veo,
nadador por tu fondo, preciosísimo.
Y cogerlo
y tenerlo yo en lo alto como tiene
el árbol la luz última
que le ha encontrado al sol.
Y entonces tú
en su busca vendrías, a lo alto.
Para llegar a él
subida sobre ti, como te quiero,
tocando ya tan sólo a tu pasado
con las puntas rosadas de tus pies,
en tensión todo el cuerpo, ya ascendiendo
de ti a ti misma.
Y que a mi amor entonces le conteste
la nueva criatura que tú eres.



Pedro Salinas






Perdoa-me por ir assim a buscar-te
tão toscamente, dentro
de ti.
Perdoa-me a dor algumas vezes.
É porque quero arrancar
de ti o teu melhor tu.
Esse que tu não viste e que eu vejo,
nadando pelo teu fundo, preciosíssimo.
E tomá-lo
e pô-lo eu lá no alto como
na árvore a luz derradeira
que lhe empresta o sol.
E então tu
virias em busca dela, lá em cima.
Para lhe chegares
subida sobre ti, como te quero,
tocando já o teu passado apenas
com as pontas dos pés,
o corpo todo em tensão, a subires
de ti a ti mesma.
E que então ao meu amor responda
a nova criatura que tu és.


(Trad. A.M.)


.


24.8.08

Pedro Salinas (Fé minha)










FÉ MINHA




Não me fio da rosa
de papel,
tantas vezes a fiz
eu com estas mãos.
Nem me fio da outra,
da verdadeira,
filha do sol e do tempo,
a prometida do vento.
De ti que nunca te fiz,
de ti que ninguém te fez,
de ti me fio, redondo
seguro acaso.




Pedro Salinas


(Trad. A.M.)



Original: Corte na Aldeia (texto+foto)


.


.

13.6.08

Pedro Salinas (Pregunta más allá)



.


PREGUNTA MÁS ALLÁ

.
.

¿Por qué pregunto dónde estás,
si no estoy ciego.
si tú no estás ausente?
Si te veo
ir y venir,
a ti, a tu cuerpo alto
que se termina en voz,
como en humo la llama,
en el aire, impalpable.
.

Y te pregunto, sí,
y te pregunto de qué eres,
de quién;
y abres los brazos
y me enseñas
la alta imagen de ti
y me dices que mía.
Y te pregunto, siempre.



Pedro Salinas
.
.
.
Fontes: A media voz (47p) / A media voz-2 (9p) / Poesi.as (58p)





Antes, aqui: Serás, amor
.
.

3.1.06

Pedro Salinas (Serás, amor)




¿Serás, amor
un largo adiós que no se acaba?
Vivir, desde el principio, es separarse.
En el primer encuentro
con la luz, con los labios,
el corazón percibe la congoja
de tener que estar ciego y sólo un día.
Amor es el retraso milagroso
de su término mismo:
es prolongar el hecho mágico
de que uno y uno sean dos, en contra
de la primer condena de la vida.
Con los besos,
con la pena y el pecho se conquistan,
en afanosas lides, entre gozos
parecidos a juegos,
días, tierras, espacios fabulosos,
a la gran disyunción que está esperando,
hermana de la muerte o muerte misma.
Cada beso perfecto aparta el tiempo,
le echa hacia atrás, ensancha el mundo breve
donde puede besarse todavía.
Ni en el llegar, ni en el hallazgo
tiene el amor su cima:
es en la resistencia a separarse
en donde se le siente,
desnudo, altísimo, temblando.
Y la separación no es el momento
cuando brazos, o voces,
se despiden con señas materiales.
Es de antes, de después.
Si se estrechan las manos, si se abraza,
nunca es para apartarse,
es porque el alma ciegamente
siente
que la forma posible de estar juntos
es una despedida larga, clara
y que lo más seguro es el adiós.



PEDRO SALINAS
Razón de amor
(1936)






Serás, amor,
um longo adeus que não se acaba?
Desde o começo, viver é separar-se.
No primeiro encontro com a luz, com os lábios,
o coração percebe a angústia
de um dia estar cego e só.
Amor é o atraso milagroso
do seu próprio termo:
é prolongar o facto mágico,
de que um mais um sejam dois, contra
a primeira condenação da vida.
Com beijos,
com a pena e o peito se conquistam,
em afanosas lides, entre gozos
parecidos com brincadeiras,
dias, terras, espaços fabulosos,
isto à grande separação que nos espera,
irmã da morte ou a morte mesma.
Cada beijo perfeito afasta o tempo,
atira-o para trás, alarga o mundo breve
em que é permitido ainda beijar.
Nem no chegar, nem no encontro
tem o amor o seu cume:
ele sente-se é na resistência a separar-se,
desnudo, altíssimo, tremente.
E a separação não é o momento
em que braços, ou vozes,
se despedem com sinais materiais.
É de antes, de depois.
Se se estreitam as mãos, e se abraça,
não é nunca para apartar-se,
é porque cegamente a alma sente
que a forma possível de estar juntos
é uma despedida longa, clara
e que o mais seguro é o adeus.


(Trad. A.M.)

.