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21.7.24

Carlos Martínez Aguirre (Mar de açafrão)




MAR DE AZAFRÁN

 

La luz se duerme sobre lo que existe
insensible al transcurso de las horas.
Una gota de azul entre tus ojos,
un corazón desenredó mis años.
El tiempo se confunde: no distingue
el trigo de un puñado de naranjas,
y todos somos puertas en la vida
ávidos de encerrar la primavera.
Pero hay campos de nardos en tus senos,
hay mosto entre tus labios, hay espigas
copiadas sobre el oro de tus piernas,
hay un mar de azafrán, hay esmeraldas
prendidas de tu pelo, hay la bandera
victoriosa en los campos de tu cuerpo.

 

Carlos Martínez Aguirre

 

 

A luz adormece sobre o que existe,
insensível à passagem das horas.
Uma gota de azul entre teus olhos,
um coração que me desenredou os anos.
O tempo confunde-se, não distingue
o trigo de um punhado de laranjas,
e todos nós somos portas na vida,
ávidos por encerrar a primavera.
Mas há campos de nardos em teus seios,
há mosto nos teus lábios, há espigas
copiadas sobre o ouro de tuas pernas,
há um mar de açafrão, há esmeraldas
presa no teu cabelo, há a bandeira
da vitória nos campos de teu corpo.


(Trad. A.M.)

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17.4.24

Carlos Martínez Aguirre (O fantasma de um átomo)


 

EL FANTASMA DE UN ÁTOMO DE URANIO XX
EVOCA SU RUPTURA SENTIMENTAL

 

 

Tú te alejaste de mí…
y yo arrasé Nagasaky.


Carlos Martínez Aguirre

 

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14.3.24

Carlos Martínez Aguirre (O amor é um género literário)




EL AMOR ES UM GÉNERO LITERARIO

 

He pensado escribirte como si no existiera 
aún el feminismo. Como si nuestro tiempo 
no fuera el fin de siglo, ni nadie conociesee
la igualdad de los sexos, ni causara extrañeza 
oír que te dijera que el amor que yo siento 
por ti jamás podrías sentirlo tú por nadie.
Tal vez el amor sea solo literatura
que cambia con el tiempo. Supongo que nosotros
no amamos como Shakespeare, ni Shakespeare como Dante, 
ni Dante como Safo, ni Safo como nadie.
 

Carlos Martínez Aguirre 

 

Pensei em escrever-te como se não existisse
ainda o feminismo. Como se o nosso tempo
não fosse o fim do século, nem ninguém conhecesse
a igualdade dos sexos, nem causasse estranheza
ouvir que te dissesse que o amor que eu sinto
por ti nunca poderias senti-lo tu por ninguém.
Talvez o amor seja apenas literatura
que muda com o tempo. Eu suponho que nós
não amamos como Shakespeare, nem Shakespeare como Dante,
nem Dante como Safo, nem Safo como ninguém.
 

(Trad. J.M.Magalhães)


>>  Clasicas (sitio prof) / Unirioja (8p) / Hector Castilla (11p) / Wikipedia

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