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30.3.16

Paulo Castilho (Valentim)





Mas o Valentim tem as suas vantagens.

Não me constrange, pouco espaço ocupa na minha vida, é o homem mínimo, é quase como se não existisse.

Mais eu não aguentava.

Poucos direitos lhe cedo sobre o meu corpo, nenhuns sobre a minha alma.

Homens é como ‘nouvelle cuisine’: sempre em doses ínfimas.

Além disso, o Valentim é um rafeiro e eu gosto de rafeiros porque ficam agradecidos com muito pouco.
Encontro-lhes sempre uma graça qualquer e afeiçoo-me. (p. 82)



PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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27.3.16

Paulo Castilho (Proletária)





- Olha que engraçado, o Tiago desta vez arranjou uma proletária.

É verdade que estava reagindo a uma provocação, porque era uma conversa sobre política e eu tinha proclamado: se alguma vez eu votar num partido da direita podem mandar internar-me no dia seguinte.

Gosto da Filomena e a Filomena gosta de mim, um amor silencioso porque pouco falamos uma com a outra.

Mas no dia em que nos conhecemos, confesso que fiquei irritadiça com a boca da proletária e por isso atirei-lhe logo: não te preocupes, estou de passagem – foi no meio das confusões do Tiago com a Zu e todo aquele mundo da família Alves me parecia estranho.

A Filomena, que estava sentada num sofá ao meu lado, encostou-se a mim, deu-me um pequeno abraço e depois um beijo e disse: deixa lá, estamos todos de passagem.



PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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24.3.16

Paulo Castilho (Sogra)





A mãe do Tiago é um caso mais retorcido, insiste em ser sempre super-simpática comigo, mas eu não acredito, a mulher é articulada de mais, lógica de mais, fria de mais, para não falar do pequeno pormenor: detesta-me.

As coisas são como são e as pessoas são humanas e as pessoas-sogras têm uma maneira muito mais humana ainda de serem humanas, sobretudo quando o descendente é do sexo masculino, não me perguntem porquê, não fui eu que fiz as regras, sei apenas que é assim. (p. 88)



PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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21.3.16

Paulo Castilho (Filósofos)





E o que é que se diz a um filósofo?

Eu nem sabia que ainda havia filósofos.

Talvez em França.

A gente ouviu falar do Platão e sombras, de Kierkegaard e como é duro para a alma ser dinamarquês e protestante, do Heidegger e do pequeno azar do nazismo, do Sartre com um Pernod no Deux Magots.

Mas hoje em dia como é que um filósofo ganha a vida?

Onde é o balcão para levantar o subsídio?

E como é que prova que não é o Paulo Coelho?



PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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18.3.16

Paulo Castilho (Dívida de avé-marias)





Meia-noite, hora fatal do crime, onde é que eu li isso?

Mas não me ocorre um crime que me apeteça cometer.

Posso sempre, como dizia o outro, cometer um pouco de prosa.

Terraplanagens, por exemplo.

Sento-me em frente ao computador.

Ora isto eram quinze páginas por dia, mais cinco adicionais todos os dias para recuperar os atrasos acumulados ao longo das semanas.

Quando eu tinha religião, rezava, depois de me deitar, vinte avé-marias.

Na maior parte das noites adormecia no meio e as avé-marias em falta acumulavam-se para o dia seguinte, acrescidas de uma penalidade de cinco.

Quando cheguei aos dezasseis anos a dívida de avé-marias era maior que o défice público e, para me livrar do encargo, não tive outra solução senão deixar de acreditar em Deus.



PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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15.3.16

Paulo Castilho (Também ela me tinha passado)





Odeio sentir-me assim, não sou eu, é uma chata aqui ao lado, quero sacudi-la, mas não se vai embora.

Tentei animá-la: passa, parece que não, mas passa.

Tudo passa, é só uma questão de tempo.

Baixei-me ligeiramente para lhe dar um beijo de boa-noite.

Foi um beijo mais pausado que os beijos bom-dia/boa-noite que trocamos sem pensar.

Tantas vezes nos beijámos de outras maneiras, com amor, com paixão, com urgência e sofreguidão, como se fôssemos um do outro, mas ali, às três da manhã, a Rita atrás do cobertor, cara pisada do cansaço, o cabelo que me roçou os lábios, a presença física, toda ela me pareceu um objecto estranho.

Também ela me tinha passado.


PAULO CASTILHO
Domínio Público
(2011)

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12.3.16

Paulo Castilho (Marta-2)





A miúda até já tem admiradores que vêm ao Tombo só para a verem, mas lá acabam volta e meia por comprar um livrito ou outro, dos mais baratos, como é evidente.

Há um, coitadito, carita de 15 anos, mas já é licenciado em paradigmas ou coisa afim, vive com os pais, e aparece quase todos os dias para ouvir a Marta dizer ‘são doze euros, com ou sem contribuinte?’

Parece um desses putos que agora tomam posse com secretários de Estado, mas este já leu livros a mais para isso. (pp. 437-8)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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9.3.16

Paulo Castilho (Voltar)





Decidiste voltar – muito bem, decisão acertada – mas não basta voltar, tens de perceber uma coisa: voltar, para ti, tem de ser a suprema felicidade, tens de voltar sem hesitações e sem dúvidas, com alegria, de braços abertos, é isso que os nossos parceiros querem e esperam, e com todo o direito.

Quando dizes a um homem: eu quero ficar contigo, tens de dizer também, e tens de mostrar, que isso para ti é a suprema felicidade, que é essencial para a saúde da tua alma e até para que a tua vida tenha sentido.

Não basta chegar e assentar: aqui estou eu, trata de mim.

Estas coisas no geral nunca são explicadas porque são intuitivas, mas parece-me, com toda a franqueza, que te falta essa intuição.

Não podes ser tão honesta, ou rígida, ou lá o que é, o amor é um jogo com alguns enganos, porque todos nós gostamos de ser um bocadinho enganados desde que seja no bom sentido.

Resumindo: eles têm de sentir que nós os queremos mais do que tudo o que há no mundo – exagera-se um pouco, não tem mal, eles sabem que é exagero, mas gostam.

E nós, a partir desse momento, mas não antes, ficamos com o direito de lhes exigir o céu e a terra. (p. 391)



PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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6.3.16

Paulo Castilho (Praxe)





Um grupo de estudantes universitários submetendo-se a praxes estúpidas, humilhantes e de uma grosseria difícil de imaginar num canto da Europa que se julga civilizado – infeliz prenúncio do que vai ser o nosso pobre país quando estas gerações tentarem ser gente.

Cresci e formei-me nos anos 60 do século findo, fizemos muito disparate, cometemos a nossa dose de erros, mas nunca deixámos que nos humilhassem e menos ainda que a humilhação organizada fosse uma forma socialmente aceitável de iniciar a vida de adulto. (...)

Alguns de nós, enquanto estudantes, fomos presos, fomos torturados, fomos julgados, fomos expulsos, fomos perseguidos, fomos espancados em manifestações, mas nunca, jamais, permitimos que a PIDE, a Legião, o Governo e muito menos os nossos próprios colegas nos humilhassem, nem tal hipótese absurda lhes passava pela cabeça.

Os estudantes auto-educavam-se nos valores do humanismo e na luta contra a ditadura.

Agora educam-se nas praxes e na cerveja.

Dir-me-ão que hoje os estudantes não consideram a praxe um fenómeno humilhante e eu responderei que essa atitude é a coisa mais triste e preocupante de tudo isto. (pp. 387-8)



PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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29.2.16

Paulo Castilho (Sozinho)





Estes três meses e meio com a Marta desabituaram-me de viver sozinho.

E hoje, no segundo dia da rejeição, ando dum lado para o outro na casa sem saber porquê ou para quê.

Talvez para sacudir o estigma da rejeição e o sentimento de fracasso pessoal, ando à procura de qualquer coisa para fazer, mas nada me apetece.

Uma sensação de vazio toma conta de mim.

As minhas ocupações habituais não me dão satisfação nem me prendem.

Ponho música a tocar, mas ao fim de um bocado percebo que só de forma intermitente estou a ouvir e mesmo assim com um esforço grande de atenção.

A música não me move, é-me indiferente e, tal como os objectos à minha volta, parece-me absurda e pergunto-me: o que é que isto tem a ver comigo?

Não é a primeira vez que sou abandonado e fico sozinho.

O sentimento de humilhação é o mesmo, mas tudo o resto desta vez me parece mais profundo e doloroso.

É porque estou mais velho? (p. 385)



PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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26.2.16

Paulo Castilho (Homens)





Sabes como é Sophie, uma coisa que os homens nos fazem muito, quando estamos em baixo e a precisar de afecto e apoio, em vez de nos ajudarem e mostrarem que estão do nosso lado aconteça o que acontecer, começam a ficar irritados e implicativos porque o nosso estado de alma lhes perturba o sossego e, portanto, exigem saber o que se passa, querem resolver o problema, todos os problemas têm uma solução, é como se fossemos um automóvel, basta descobrir a avaria e reparar. (p. 357)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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20.2.16

Paulo Castilho (Pai e filha)





O que é?

Estou sem dinheiro, podias emprestar-me qualquer coisa? duas semanas sem trabalho, estou liso.

Disse-lhe que lhe emprestava tudo o que pudesse e que a palavra vergonha estava banida das nossas conversas.

Mas é a verdade, tenho vergonha, os pais é que ajudam os filhos, o contrário é uma vergonha e eu sei que tu não tens muito.

Interrompi: eu zango-me, quanto precisas?

Não sei, depende de me aparecer algum trabalho.

Disse-lhe que trazia pouco comigo, mas a casa era ali perto e tinha lá o meu dinheiro.

Atravessámos o jardim e o quarteirão seguinte: é aqui, último andar, sótão melhorado.

O meu pai olhou para cima com pouco interesse e não quis subir, era mais decente conhecer primeiro o Filipe.

Trouxe-lhe quinhentos euros e expliquei-lhe que agora tenho algum dinheiro, não é muito e não é emprego que dure, mas enquanto houver há e é dele sempre que precisar. (p. 328)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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14.2.16

Paulo Castilho (Cada um por si)




Há uma parte da minha missão junto do Vítor que tem a ver com caridade.

Trabalho afincadamente para o desinibir.

O pobre rapaz acumula dentro dele anos e anos de repressão comprimida, ansiosa por explodir cá para fora.

Surpreende-me este meu surto serôdio de altruísmo quase cristão.

Nunca me preocupei muito, na verdade nunca me preocupei nada, com a satisfação dos meus parceiros.

Cada um por si, é assim que o mundo funciona melhor, sou uma ultraliberal tão consistente que levo a minha ideologia para a cama. (p. 306)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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8.2.16

Paulo Castilho (Cinco estrelas)





Mesmo assim, fiquei estupefacta a olhar para ele, atrevimento de proporções heróicas, tem de se admirar, uma coisa no activo do rapaz, cria sempre situações que não passavam pela cabeça de ninguém.

Não me dês nenhuma resposta neste momento – disse o Francisco – pensa, lembra-te como foi, recria na tua cabeça, imagina como vai ser, compara com a vida que tens agora, não sei como é, mas imagino, compara e depois decide, tens 23 anos, a tua vida vai ser só isto? pensa bem, como é que queres a tua vida, a única que tens, satisfaz-te a repetição? nunca mais teres uma verdadeira surpresa?

Voltou a dizer: não respondas já, pensa – e depois calou-se.

Fascinante, cinco estrelas, fascinante, percebeu na perfeição a vida que agora levo e tenta minar a minha opção de ser racional e adulta. (p. 285)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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5.2.16

Paulo Castilho (Mulheres)





Quando penso no comportamento da Marta ocorre-me sempre a frase americana ‘what you see is what you get’.

Mesmo correndo o risco de me colocarem uma etiqueta de simples de espírito, confesso que prefiro pessoas assim.

Há já alguns anos, expondo esta opinião a um amigo, provoquei uma forte gargalhada: em que mundo é que tu vives? não é no mesmo que eu, de certeza absoluta, nenhuma mulher te diz o que verdadeiramente pensa ou o que verdadeiramente quer.

Umas vezes não dizem porque esperam que tu adivinhes, é uma prova de amor, prova de que te interessas.

Outras vezes é mais simples, não dizem porque não querem que saibas. (p. 280)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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2.2.16

Paulo Castilho (Amigos)





Nunca imaginei – disse a Beatriz – estou mesmo apaixonada por ele.

Eu disse: até ao próximo.

És o meu melhor amigo – disse a Beatriz – fazemos um pacto? ficamos para sempre melhores amigos?

Para sempre – repetiu a Beatriz – quase como se fossemos casados, é esse o pacto.

Respondi: todos os pactos.

Dei-lhe um beijo e parti.

Desci pelas escadas e meti-me no carro.

Não liguei o motor.

Decidir primeiro o que me apetece.

Melhores amigos.

Quase como se fossemos casados – diz ela.

Faltava essa.

Depois do casamento entre pessoas do mesmo sexo, há-de vir o casamento sem sexo.

Como é que ninguém ainda se lembrou disso? (p. 245)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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27.1.16

Paulo Castilho (Inveja)





Ninguém tem uma ideia.

Pense bem.

Uma ideia, uma ideia só que fosse.

A imaginação de quem manda esgota-se no exercício de inventar formas engenhosas de tirar a quem ainda tenha um pouco e de vender a estrangeiros o que nos resta.

Direita, esquerda, Keynes, neoliberalismo, tudo tretas, em Portugal só existe uma ideologia.

Chama-se inveja. (p. 66)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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24.1.16

Paulo Castilho (Velhos)





Devemos evitar explicações, justificações ou dar números; é sinal de fraqueza e confunde as pessoas.

Se precisarmos mesmo de apresentar exemplos, vamos buscar situações extremas, para o público perceber melhor; o caso da mulher-a-dias que tem uma pensão própria de 200 euros e uma pensão de sobrevivência de 150 não interessa; o que chama a atenção das pessoas é o caso do quadro que tem 5.000 euros mais 3.000 do falecido.

Há talvez 100 casos desses, se tanto – disse o salta-pocinhas.

Obrigou-me a rebater: o que é que interessa? ninguém pergunta isso.

E lembrem-se, ninguém quer saber dos velhos, são um estorvo, criam problemas, adoecem, causam despesa, muitas pessoas acham-nos repugnantes, querem é chutá-los para os lares, abandoná-los nos hospitais, se fosse possível até deixá-los na rua como fazem aos cães quando vão de férias.

Não nos compete julgar, mas temos de lidar com a realidade. (p. 123)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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21.1.16

Paulo Castilho (Divórcio)





O menino Vasquinho, convencido que é engraçado, chama-me a falecida, mas, na verdade, eu devia lá estar, porque ainda não me divorciei.

O Vasco é um molengão e nunca trata de nada, sobretudo se envolver papelada.

Entidades oficiais, finanças, juízes, notários, todos lhe causam repugnância.

E eu, pela minha parte, ainda não senti necessidade nem vi que vantagem me daria estar divorciada, de maneira que vou andando assim e logo se vê, se for caso disso, agora é muito fácil, mais fácil, já me disseram, do que um senhorio ver-se livre de um inquilino.

Para despachar o marido basta dizer ‘virou estafermo’, ou ‘fartei-me daquela fronha’, ou ‘imagine o sotor juiz que ele mastiga com a boca aberta’.

Mas se calhar nem é preciso incomodar o sotor juiz.

Qualquer dia é no guichet do Metro: dois Passes Navegante e um divórcio. (p. 76)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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18.1.16

Paulo Castilho (Piza)





A piza foi cinco estrelas, porque os homens, regra n.º 1, basta a gente empurrá-los um bocadinho e depois até acham super e mesmo que não achem não dizem nada porque são uns grandes preguiçosos e contrariar uma mulher dá imenso trabalho.

No restaurante das pizas come-se numas mesas corridas de madeira e dá para falar com os parceiros do lado se estivermos para aí virados.

O único problema foi que às nove estávamos despachados e prontos para repetir a cena do simbolismo.
Movimentos literários não faltam e, por isso, achei que era mais seguro não lhe dar tempo para pensar: olha, podemos ir para minha casa, ah, é verdade, já me esquecia, não tenho casa.

Olha, Sophie, isto escrito não tem grande graça, mas fê-lo rir dito por mim com um jeitinho que sei dar às frases quando estou inspirada. (p. 93)


PAULO CASTILHO
O Sonho Português
(2015)

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