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3.7.26

Luis Ramos (Olhos para os olhos)




OJOS PARA LOS OJOS 

 

Al acecho,
por el cenagal de los miedos.
Sin quicios,
             vigilante,
como un susto enquistado
entre la oblicua ley del corazón. 

Miradas, intentos,
                      sobre todo miradas. 

Ojos para los labios débiles,
ojos para los ojos álgidos,
ojos para el espanto yéndose. 

Franquear el abismo,
la presión de los párpados,
la endeblez de los pasos, 

y fugarse,
           irse, sin más,
sortear el territorio habitual
de los obstáculos
irrevocablemente ungidos por el límite,
dejarse mojar simplemente por la vida
y no esperar con prisas a que escampe.
 

Luis Ramos

 

À espreita,
pelo lamaçal dos medos.
Sem gonzos,
              vigilante,
como um susto enquistado
entre a oblíqua lei do coração.

Olhares, intentos,
                sobretudo olhares.

Olhos para os lábios débeis,
olhos para os olhos álgidos,
olhos para o espanto a ir-se.

Franquear o abismo,
a pressão das pálpebras,
a fragilidade dos passos,

e fugir,
       partir, sem mais,
evitar o terreno habitual
dos obstáculos
irrevogavelmente ungidos pelo limite,
deixar-se simplesmente molhar pela vida
e não esperar que o céu abra.


(Trad. A.M.)

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21.4.25

Luis Ramos (Os anjos anómalos)




LOS ÁNGELES ANÓMALOS 

(II)
 

Nunca se sabe. 

Somos tan prescindibles, tan efímeros, 
que en el agua del río que miramos
no queda de nosotros, nada más
que la imagen escasa del recuerdo. 

Pero eso sí,
           hay algo que nos salva,
algo que nos distancia de la nada,
y es ese tintineo sereno de la hoja
que observamos y vivimos asombrados. 

En ese baile nuevo,
en ese percutir sencillo está la vida.
 

Luis Ramos 

 

Nunca se sabe.

Somos tão prescindíveis, tão efémeros,
que na água do rio que contemplamos
não fica de nós mais que
a imagem escassa da lembrança.

Mas isso sim,
           há algo que nos salva,
algo que nos distancia do nada,
e é esse tintinar sereno da folha
que observamos e vivemos assombrados.

Nessa dança nova,
nesse singelo percutir está a vida.


(Trad. A.M.)

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9.9.24

Luis Ramos (O comum)




 LO COMÚN

 

Contraría decirlo,
pero lo más abierto
que podría ocurrirnos
sería escribir un verso acertado
y dejar que se pierda sin firma en el tiempo.

Nunca anónimo,
                   común en su acierto.


Luis Ramos

 

 

Custa dizê-lo,
mas o mais aberto
que podia ocorrer-nos
era escrever um verso acertado
e deixá-lo perdido no tempo,
por assinar.

Nunca anónimo,
               comum no seu acerto.


(Trad. A.M.)

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10.8.24

Luis Ramos (Assim o silêncio)




Así el silencio,
libre ya de la voz,
entregado a la espuma de su mar,
                                                  dándose.

Ángel impar a la espera,
horizonte adentro,
más allá del sonido de otra orilla.


Luis Ramos

 

Assim o silêncio,
livre já da voz,
rendido à espuma do mar seu,
                                              a dar-se.

Anjo ímpar à espera,
horizonte adentro,
para além do som da outra margem.


(Trad. A.M.)


>>  Voces del extremo (11p) / Vallejo (7p) / Voces del extremo-2 (4p) / Moribundia (blogue) /Wikipedia


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