Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Carvalheira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Carvalheira. Mostrar todas as mensagens
30.10.10
Jorge Carvalheira (Um grupo de espanhóis)
Um grupo de espanhóis ceia tardia e ruidosamente, ficamos sem saber se há motivos para a casual celebração ou se não é antes de inveterado costume que se trata, olha uma pessoa estes cristãos e fica na dúvida se tanta exuberância é assomo doentio de grandeza, como já se tem dito, ou natural manifestação de sanidade de espírito, qualquer paisano é um duque d’alba em pelota, a quem o sol pede licença para se levantar.
- JORGE CARVALHEIRA, As aves levantam contra o vento, Quasi Ed., 2007, p. 43-4.
.
19.10.10
Jorge Carvalheira (Este enjeitado povo)
E assim perceberemos nós melhor porque sempre foi este enjeitado povo, mar em fora, primeiro de cruz alçada e depois mesmo sem ela, encontrar a felicidade entre os cafres de qualquer sertão, não há entre nós e eles diferenças de maior, fazemos uns e outros os filhos no mesmíssimo lugar, estendendo no chão as mesmas pretas nós e eles, é uma santa fraternidade multirracial, assim ponham os olhos em nós os altivos saxões da Europa, e no exemplo da nossa obra civilizadora.
E, em diferenças havendo, chamamos o cipaio, que a nosso gosto porá as coisas nos lugares, quanto ao resto alguém decidirá, para que há-de o povo saber mais do que assinar o nome e contar os dias da semana, que são os de trabalho, que melhor vida se resume a tão simples contabilidade.
- JORGE CARVALHEIRA, As aves levantam contra o vento, Quasi Ed., 2007, p. 42.
.
27.9.10
Jorge Carvalheira (Nada sabemos, por enquanto)
Por enquanto nada sabemos do destino do homem que ali vai, em extremo concentrado no andamento das passadas que dá.
Vemos que marcha atento e cabisbaixo, no gesto de quem poupa energias.
Porém não tão atento que perca de vista o andador que lhe vai na dianteira, obra de poucos metros, nem tão pouco que possa este limpo luar de Fevereiro lavar-lhe de sombras a barbada face.
Nada sabemos, e dobrada razão é essa para atentarmos no leve pormenor, na mesquinha minúcia.
- JORGE CARVALHEIRA, As aves levantam contra o vento, Quasi Ed., 2007, início.
>> Olhe que não (análisa da obra: J.Vasco) / Ladrar à lua (blogue do autor)
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



