Mostrar mensagens com a etiqueta Agustina Bessa-Luís. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agustina Bessa-Luís. Mostrar todas as mensagens

5.8.18

Agustina Bessa-Luís (Camilo dizia)






(Camilo dizia)


Camilo dizia: ‘Não quero acostumar o meu espírito a luxos de entusiasmo, que não posso sustentar-lhe’.
Nem eu.
Pelo que este assunto termina aqui. (III)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

11.7.18

Agustina Bessa-Luís (Instintos)






(Instintos)


Os animais são mais felizes; o instinto nunca lhes mente. Connosco, quando o instinto nos aproxima, aparecem os deveres, as conveniências, e coisas piores ainda. (III)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

2.7.18

Agustina Bessa-Luís (A verdade)




(A verdade)



A verdade vive isolada do registo em que pode ser contada ao mundo. (III)

AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)

.

17.6.18

Agustina Bessa-Luís (Casamento)




(Casamento)


O casamento não impede as mulheres de cometerem loucuras, mas impede que as loucuras das mulheres sejam tidas por absurdas. (II)


AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

8.6.18

Agustina Bessa-Luís (Mulheres infiéis)






(Mulheres infiéis)


O Porto tinha uma condescendência especial para as mulheres infiéis, se elas eram inteligentes bastante para não preferirem o amante aos deveres da sociedade.

Não se discutiam os gostos, logo que não se cometessem erros com eles.

E era um erro enternecer-se por um destino quando se tratava apenas de amar um homem, coisa breve e sem muito de herético. (I)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)

.

30.5.18

Agustina Bessa-Luís (Maus poetas)






(Maus poetas)



Mas os maus poetas são em geral bons críticos; porque o que lhes impede a inspiração é a própria impertinência da justiça. (I)




AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)


.

24.5.18

Agustina Bessa-Luís (Mulheres)






(Mulheres)


Elas amam a culpa.

Gostam de se sentir humilhadas, de dar à luz um bastardo, de ficar sempre com o pior bocado.

O sacrifício amadurece-as, dá-lhes uma aptidão para a maternidade mais precoce.

Por isso choram com humanas provas de amor, de justiça, de verdade.

Quando as coisas correm bem, mostram-se cépticas, quando um homem as deseja, acham que as ilude; quando triunfam nos negócios, pensam que fracassaram com o amante, ou que os amigos são interesseiros, ou que a família não as compreende.

Estão marcadas para o desespero mais cínico, porque prescinda da ciência e da razão.

Tudo é nelas sagacidade para a guerra a travar com a natureza entre o ventre fecundo e a dor, e tudo o mais que disso as distrai. (II)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

12.5.18

Agustina Bessa-Luís (Fortunas)




(Fortunas) 



A fortuna que não é ganha com as mil peripécias do trabalho que encobrem a sordidez da ambição, parece conter um destino malicioso, que é o de aspirar a novas experiências que a consagrem como um direito. (II)


AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

30.4.18

Agustina Bessa-Luís (Memória)






(Memória)



A má memória é essencial para escrever romances, tudo se repete.

Quando a boa memória existe em abundância tudo resulta em fracasso; porque o génio não convence se não estiver aturdido com certa dureza de espírito que não dá conta de quanto a fantasia é coisa venerável pela velhice que testemunha. (I)




AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)


.

21.4.18

Agustina Bessa-Luís (A Régua)





(Régua)


A Régua, em 1840, era um pouco St. Louis do Missouri, só que com menos europeus.

Havia ingleses, é certo; mas para cá da Mancha um inglês sofre uma rebaixa de cinquenta por cento.

Para chegar onde quero chegar direi que em 1845, nos altos de Baião e num lugar chamado Santa Cruz do Douro, vivia um desses morgados bizarros, que cumprem o seu destino seduzindo uma costureira, casando com uma prima e endividando-se quase sem sair de casa – a comer e a administrar mal as terras. (I)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
.

12.4.18

Agustina Bessa-Luís (Fanny Owen)





(O rio Douro)


O rio Douro não teve cantores.

Teve-os o Mondego e o Tejo também.

Mas, para além das cristas do Marão, em vez do alaúde e da guitarra havia o repique dos sinos ou o seu dobrar espaçado.

Havia o tiro certeiro dos caçadores de perdiz, lá pelas bandas da Muxagata e do Cachão da Valeira.

E o clarim das guerrilhas ouvia-se através da poeira de neve que cobria os barrancos de Sabroso.

O rio Douro ficou banido da lírica portuguesa com a sua catadura feroz pouco própria para animar os gorjeios dos bernardins, que são sempre lamurientos e que à beira de água lavam os pés e os pecados.

E no entanto, trata-se de um rio majestoso como não há outro. (Início)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)

.