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18.6.18

Ángel Guinda (Escrever)






ESCRIBIR



Si me quitan la palabra escribiré con el silencio.
Si me quitan la luz escribiré en tinieblas.
Si pierdo la memoria me inventaré otro olvido.
Si detienen el sol, las nubes, los planetas,
me pondré a girar.
Si acallan la música cantaré sin voz.
Si queman el papel, si se secan las tintas,
si estallan las pantallas de los ordenadores,
si derriban las tapias, escribiré en mi aliento.
Si apagan el fuego que me ilumina
escribiré en el humo.
Y cuando el humo no exista
escribiré en las miradas que nazcan sin mis ojos.
Si me quitan la vida escribiré con la muerte.

Ángel Guinda




Se me tirarem a palavra escreverei com o silêncio.
Se me tirarem a luz escreverei nas trevas.
Se perder a memória inventarei outro olvido.
Se detiverem o sol, as nuvens, os planetas,
pôr-me-ei eu mesmo a girar.
Se calarem a música cantarei sem voz.
Se queimarem o papel, se secarem as tintas,
se explodirem as pantalhas dos computadores,
se derrubarem os muros, escreverei no meu hálito.
Se apagarem a chama que me ilumina
escreverei no fumo.
E quando o fumo não existir
escreverei nos olhares que nascerem sem meus olhos.
Se me tirarem a vida escreverei com a morte.

(Trad. A.M.)


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10.3.17

Ángel Guinda (Tu)









Lo imposible posible eres tú.
La furia que me calma eres tú.
La órbita en que giro eres tú.
La quietud que me exalta eres tú.
Lo que nombra el misterio eres tú.
La ausencia que acompaña eres tú.
El sol que me congela eres tú.
El aire que me envuelve eres tú.
La prez del terremoto eres tú.
La raíz que me eleva eres tú.
La luz de cada noche eres tú.
El imán que me atrapa eres tú.
El glaciar que me quema eres tú.
Lo que llena el vacío eres tú.
El silencio que me habla eres tú.
La brújula que embruja eres tú.
El hambre que me come eres tú.
La sed embriagadora eres tú.
La fuerza que me empuja eres tú.
El cielo en el infierno eres tú.
El rayo que me parte eres tú.
El dolor placentero eres tú.
Lo invisible visible eres tú.
La vida que me mata eres tú.
Lo que me resucita eres tú.
El eco del abismo eres tú.
Lo que queda de todo eres tú.


Ángel Guinda

[Antón Castro]




O impossível possível és tu.
A fúria que me acalma és tu.
A órbita em que giro és tu.
A quietude que me exalta és tu.
O que o mistério nomeia és tu.
A ausência que acompanha és tu.
O sol que me gela és tu.
O ar que me envolve és tu.
A paixão do terramoto és tu.
A raiz que me eleva és tu.
A luz de cada noite és tu.
O íman que me atrai és tu.
O glaciar que me queima és tu.
O que enche o vazio és tu.
O silêncio que me fala és tu.
A bússola que enfeitiça és tu.
A fome que me come és tu.
A sede que embriaga és tu.
A força que me empurra és tu.
O céu no inferno és tu.
O raio que me parte és tu.
A dor prazenteira és tu.
O invisível visível és tu.
A vida que me mata és tu.
O que me ressuscita és tu.
O eco do abismo és tu.
O que fica de tudo és tu.

(Trad. A.M.)

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26.7.15

Ángel Guinda (Passa a vida)

 




PASA LA VIDA



Suelo, al atardecer, salir de casa
a tomar unos vinos, económicos
como un paseo, en tabernas domésticas
donde se habla, con familiaridad,
de fútbol, de política,
del hijo mayor que no encuentra trabajo,
del pequeño que no quiere estudiar,
de unas cortas vacaciones en el pueblo,
de enfermedades, de las rarezas del abuelo,
de un cambio de neumáticos
o del último atentado terrorista.
Estéril, el tiempo sigue, indiferente, su camino,
mientras miro,
apostado en la barra, a través del cristal,
pasar la vida,
en medio de un laberinto
de coches mal aparcados
y luces de neón
– y yo paso también, sin darme cuenta.

Ángel Guinda



Costumo sair ao fim da tarde,
para beber uns copos, económicos
como um passeio, em tabernas caseiras
onde se fala, familiarmente,
de futebol, de política,
do filho mais velho que não encontra trabalho,
do outro que não quer estudar,
de umas férias curtas no campo,
de doenças, das esquisitices do avô,
de uma mudança de pneus
ou do último atentado terrorista.
Estéril, o tempo segue o seu caminho,
indiferente, enquanto eu olho pelo vidro,
encostado ao balcão,
a ver a vida passar,
pelo meio de um labirinto
de carros mal estacionados
e luzes de neón
- e eu passo também, sem dar conta.

(Trad. A.M.)

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17.9.14

Ángel Guinda (O olhar)





LA MIRADA



Lo mismo que una llave abría el aire
a los misterios de la transparencia.

Me convocaba igual que una ventana
o una cita del cielo con el mar.

Podía haber vivido en su fulgor
o esperar a morir como un naufragio.

Porque aquella mirada no era de unos ojos
y aquellos ojos no eran de ningún mundo.

Ángel Guinda



Tal como uma chave, abria o vento
aos mistérios da transparência.

Chamava-me, tal como uma janela
ou um encontro do céu com o mar.

Podia viver no seu fulgor
ou esperar a morte como um naufrágio.

Porque esse olhar não era duns olhos
e esses olhos não eram de mundo nenhum.

(Trad. A.M.)

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28.7.13

Ángel Guinda (Morrer)





MORIR



Morir es no volver a estar
a la misma hora,
en los mismos lugares,
con las mismas personas.
No aparecer, cada mañana,
como esa gran luz nueva
disuelta entre las cosas;
dejar interrumpidos los trabajos,
los viajes en punto muerto.
Ajenos a los mares y a los astros.
Morir es estar quietos, sordos,
ciegos, mudos, desaparecidos,
desconectados de todos y de todo,
de nosotros también;
no regresar a casa nunca más.
No emitir ya señales, recibirlas tampoco.
Morir es no volver.

Ángel Guinda




Morrer é não voltar a estar
à mesma hora,
nos mesmos lugares,
com as mesmas pessoas.
Não aparecer, cada manhã,
como essa luz primitiva
dissolvida nas coisas;
deixar em suspenso os trabalhos,
as viagens em ponto morto.
Alheios aos mares e aos astros.
Morrer é estar quedo, surdo,
cego, mudo, desaparecido,
desligado de todos e de tudo,
mesmo de nós mesmos;
não regressar a casa nunca mais.
Não emitir sinais já, recebê-los tão pouco.
Morrer é não voltar.

(Trad. A.M.)

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1.4.13

Ángel Guinda (Viagem interior)





EL VIAJE INTERIOR



Fuera de ti no esperes encontrar
lo que dentro de ti nunca has buscado.
No es más hermoso el sol de otros lugares,
por lejanos que estén:
lo que importa es la luz que da vida a tus ojos.
No fatigues tus días
en recorrer países en busca de otros mundos.
No tardes en emprender el viaje a tu interior,
no vaya a ser que pronto sea tarde:
no estás de ti tan cerca como crees,
ni es tanto el tiempo de que aún dispones
para descubrirte y conquistarte.

Ángel Guinda



Fora de ti não esperes encontrar
aquilo que dentro nunca buscaste.
Não é mais belo o sol de outros lugares
por mais distantes que sejam:
o que importa é a luz que dá vida a teus olhos.
Não canses teus dias
percorrendo países em busca de outros mundos.
Não tardes a fazer a viagem ao teu interior,
que em breve pode ser tarde:
não estás de ti tão perto como julgas,
nem é assim tanto o tempo que ainda tens
para descobrir-te e conquistar-te.

(Trad. A.M.)

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16.3.13

Ángel Guinda (Para uma poética)





HACIA UNA POÉTICA



No siempre la claridad viene del cielo.

Escucha sólo tu música cuando cantes,
por oscura que sea y espinosa.

Que la luz te ensordezca,
que no te ciegue el ruido.

Y tu obra
sea más que tu vida,
porque te contramuera.

Ángel Guinda



Nem sempre vem do céu a claridade.

Escuta só a tua música quando cantares,
mesmo que obscura e espinhosa.

Que a luz te ensurdeça
e não te cegue o ruído.

E tua obra seja mais que tua vida
a tua contra-morte.

(Trad. A.M.)



>>  Angel Guinda (sítio>tudo+algo) / Wikipedia

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