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12.10.17

Aníbal Núñez (Encontros)





ENCUENTROS



Tibio yeso tus ojos tienden sobre
mi corazón en ruinas: rapidísima
reconstrucción de un templo a ti advocado.

Aníbal Núñez





Gesso fino teus olhos estendem
sobre meu coração em ruínas: rapidíssima
reconstrução de um templo
a ti consagrado.


(Trad. A.M.)

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27.7.13

Aníbal Núñez (Sintomas de velhice)





SÍNTOMAS DE VEJEZ



Ya el poeta no hace como antes
boceto de sus lágrimas
ni refunde su canto hasta el poema.

Ahora directamente como el liquen
sobre la piedra inerme
dispone las palabras a sabiendas
de que el tiempo ha dispuesto el cañamazo
de lo que va a escribir para el olvido.

Aníbal Núñez



Já o poeta não faz como antes
esboço de suas lágrimas
nem refunde seu canto até ao poema.

Agora directamente como o líquen
na pedra inerme
dispõe as palavras, ciente
de que o tempo preparou o rascunho
daquilo que escreve para o esquecimento.

(Trad. A.M.)

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19.3.13

Aníbal Núñez (Rima)





RIMA



La vida es la ruleta
en que apostamos todos el amor es algo
maravilloso el tiempo
es oro nuestras vidas son los ríos
que van a dar a la mar
que es el morir España
es una grande y libre
el trabajo es salud los sueños
sueños son obras son amores
y -aparte de poesía- qué eres tú?

Aníbal Nuñez



A vida é a roleta
em que apostamos todos o amor é algo
maravilhoso o tempo
é ouro nossas vidas são rios
que vão dar ao mar
que é morrer Espanha
é una grande e livre
o trabalho é saúde os sonhos
sonhos são obras são amores
e – poesia à parte – tu que és?

(Trad. A.M.)

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13.5.11

Aníbal Núñez (Já sabes, amada)






YA LO SABES, AMADA



Ya lo sabes, amada
ahora podemos
realizar nuestros sueños imposibles
esa luna de miel en cielo exótico
viaje todo incluido
vistas al mar crepúsculos
íntimos revisados por expertos
a nuestro alcance todos
los silencios románticos
con el nuevo sistema de cómodos
pagos a plazos: a escoger
islas privilegiadas o lugares
de gran mundo -aquel sueño
ya es una realidad-
(o bien quedarse aquí junto a la brecha
al lado de la lucha que aún hay tiempo
de jugarse el pellejo para algo)
una de dos, amada mía, no olvides
que elegir es el único problema
que este sistema ofrece.



ANÍBAL NUÑEZ
Fábulas domésticas
(1972)





Já sabes, amada
agora podemos
realizar nossos sonhos impossíveis
aquela lua de mel com céu exótico
viagem tudo incluído
vistas de mar crepúsculos
íntimos revistos por peritos
ao nosso alcance todos
os silêncios românticos
com o novo sistema de suaves
pagamentos a prestações: à escolha
ilhas privilegiadas ou lugares
da grande roda – esse sonho
é já uma realidade –
(ou então ficar por aqui junto à brecha
do lado da luta que ainda estamos
a tempo de travar para algo)
das duas uma, amada minha, não esqueças
que escolher é o único problema
que tem este sistema.


(Trad. A.M.)


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3.5.11

Aníbal Núñez (Arte poética)






ARTE POÉTICA




Comenzar: las palabras deslícense. No hay nada
que decir. El sol dora utensilios y fauces.
No es culpable el escriba ni le exalta
gesta o devastación, ni la fortuna
derramó sobre él miel o ceguera.
Escribe al otro lado del exiguo gorjeo,
a mano. Busca en torno (frutas, lápices) tema
para seguir. Y sigue - sabe bien que no puede -
haciendo simulacro de afición y coherencia:
la escritura parece (paralela, enlazada)
algo. Un final perdido lo reclama
a medias. Fulge el broche de oro en su cerebro,
desplaza al sol extinto,
toma forma - el escriba cierra los ojos - de
(un moscardón contra el cristal) esquila.

Un rebaño invisible y su tañido escoge
entre símbolos varios el silencio; e invoca:
"Mi palabra no manche intervalos de ramas
y de plumas; no suene." Terminar el poema.



ANÍBAL NÚÑEZ
Cuarzo
Pre-Textos
Valencia
(1988)


[Cómo cantaba mayo]





Começar: as palavras que deslizem. Não há nada
para dizer. O sol doura utensílios e fauces.
Não tem culpa o escriba, nem o exalta
gesta ou devastação, nem a fortuna
derramou sobre ele mel ou cegueira.
Escreve do outro lado do exíguo gorjeio,
à mão. Busca em redor (frutas, lápis) tema
para continuar. E continua – bem sabe que não pode –
simulando empenho e coerência:
a escrita parece (paralela, enlaçada)
alguma coisa. Um final perdido reclama-o
a meias. Fulge-lhe o broche de ouro no cérebro,
desloca o extinto sol,
tomando a forma – o escriba fecha os olhos – de
(um moscardo contra o vidro) sineta.

Um rebanho invisível e seu tanger escolhe
entre símbolos vários o silêncio; e invoca:
“Minha palavra não manche intervalos de ramos
e plumas; não soe”. Terminar o poema.


(Trad. A.M.)



>>  Poesias (14p)  /  Wikipedia  /  Convivia Literaria (análise crítica < Jesús Muñoz) / A media voz (37p)


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