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7.3.17
Ángel Crespo (Um copo de água para a mãe)
UN VASO DE AGUA PARA LA MADRE DE JUAN ALCAIDE
Te recuerdo callando entre mujeres
mientras tu Juan, ya huésped de la caja,
aguardaba los puentes de la tierra.
Yo no lo quise ver porque me daba miedo.
No porque de la muerte me estremezca
ni un muerto me dé espanto,
sino porque era Juan con su calva y su frente
y con sus labios gordos y sus manos helándose.
Entonces me dio miedo de estar en Valdepeñas,
de haber llegado en tren por la mañana
y haber bebido vino antes de verte.
Porque tú estabas, blanca, en una silla
sin pronunciar un verbo
y con gesto de nuca.
No sabías
si estabas en tu casa, si de lejos
veías su tejado, negro ahora.
Transitaba la gente por el patio,
y tú, entonces, pensabas
en camisas planchadas y en pañuelos;
en perfumes de flor y de maderas,
y nada de la muerte y de su prisa.
Cerca estaba tu hijo:
fuerzas hacían por alzarle algunos.
Ángel Crespo
Recordo-te calada entre as mulheres
enquanto o teu Juan, posto já no caixão,
aguardava as pázadas de terra.
Eu nem o quis ver porque me dava medo.
Não por estremecer com a morte
ou me espantar com um morto,
mas por ser Juan com sua calva e a testa
e os lábios gordos e as mãos geladas.
Então fiquei com medo de estar em Valdepeñas,
de chegar de manhã no comboio,
de beber antes de te ver.
Porque tu estavas numa cadeira, branca,
sem dizer palavra
e a abanar a cabeça.
Não sabias se estavas em tua casa, se vias
de longe o telhado, agora negro.
As pessoas andavam pelo pátio,
enquanto tu pensavas
em camisas passadas e lenços,
em perfumes florais e de madeiras,
nada da morte e da sua urgência.
Ao pé estava o teu filho
e alguns puxavam para o erguer.
(Trad. A.M.)
> Outra versão: Luz & sombra (J.E.Simões)
.
14.9.14
Ángel Crespo (Como a calhandra)
COMO LA ALONDRA
Como, en la tarde, al aire cae
desde la tierra el pájaro,
bate las alas para no
seguir cayendo, y sube
finalmente a los suelos
- así me hundo en el mar
de las palabras, bajo,
braceo para no
seguir cayendo, y subo
finalmente al silencio.
Ángel Crespo
Como o pássaro, de tarde,
cai da terra ao céu
e bate as asas para não
continuar a cair, e sobe
finalmente ao chão
- assim eu me afundo no mar
das palavras, desço,
esbracejo para
não cair mais, e subo
finalmente ao silêncio.
(Trad. A.M.)
> Outra versão: Luz & sombra (J.E.Simões)
.
11.3.13
Ángel Crespo (O tédio)
El tedio a veces es como el amor;
mana de las cavernas
del pecho, se dilata,
atraviesa la estancia y los cristales
y se difunde hasta perderse
de vista.
Y, barnizado
con su color distinto,
es más íntimo el mundo.
Ángel Crespo
O tédio às vezes é como o amor,
mana das cavernas
do peito, dilata-se,
atravessa a casa e os vidros
e espalha-se até se perder
de vista.
E, lustrado
com sua distinta cor,
o mundo parece mais íntimo.
(Trad. A.M.)
.
26.3.12
Ángel Crespo (As sombras vão caindo)
Las sombras van cayendo como un regalo de los dioses,
el más generoso, pues son
de sus incorruptibles cuerpos y de sus almas
inmortales imagen; y no
nos piden nada a cambio de este espejo
en el que todo encuentra su unidad
de nuevo, es otra vez, y cada vez,
como un latido hecho de movimiento y de quietud,
el puro pensamiento que se esconde
de sí mismo, acosado por la luz.
Ángel Crespo
As sombras vão caindo como um presente dos deuses,
o mais generoso, imagem que são
de seus corpos incorruptos
e suas almas imortais; e nada
nos pedem em troca deste espelho
onde tudo encontra de novo sua unidade,
é outra vez e cada vez,
como um latejo de quietude e movimento,
puro pensamento que se esconde
de si mesmo, acossado pela luz.
(Trad. A.M.)
.
8.5.11
Angel Crespo (Para uma arte poética)
PARA UMA ARTE POÉTICA
O excesso de sinceridade na poesia, como no convívio,
é um egoísmo e, em última análise, uma falta de educação.
A poesia não busca o mistério, mas a verdade:
por isso é misteriosa.
Poesia sem contradição
é tanto como contradição sem poesia.
É uma imoralidade confundir poesia
com a moral.
Quando se tem uma ideia é ainda cedo para escrever poesia.
É preciso esperar que ela fuja de nós, nos engane
ou, melhor, nos deslumbre.
Então é o momento de persegui-la,
de tentar o poema.
Ángel Crespo
(Trad. José Bento)
[O melhor amigo]
.
25.4.11
Angel Crespo (Ignorância de outono)
IGNORANCIA DE OTOÑO
Para ignorar, hay que vivir.
Las manos ya se niegan
al testimonio de los días
y las noches paradas.
Maduras
pero todavía no asoman,
amargos, los gajos abiertos
que oculta tu temor.
Aún no ignoras bastante.
Temes el vuelo de ese pájaro
obstinado.
¿Transcurren, pues, las estaciones
o eres tú, tan absorto, el tiempo?
Sabes ya que la lluvia
no importa, que nada vale el plazo
de la espera.
Lo sabes
e ignorar es el alimento
del hombre -el de esta brisa
que no se sabe aire.
Ángel Crespo
Para ignorar, há que viver.
As mãos negam-se já
ao testemunho dos dias
e das noites paradas.
Maduras
mas não mostram ainda,
amargos, os galhos abertos
que o teu temor oculta.
Não ignoras ainda bastante.
Temes o voo desse pássaro
obstinado.
Transcorrem, pois, as estações
ou és tu o tempo, tão absorto?
Sabes já que a chuva
não importa, que nada vale o prazo
da espera.
Sabe-lo
e ignorar é o alimento
do homem – o desta brisa
que não se sabe ar.
(Trad. A.M.)
>> A media voz (23p) / Wikipedia
.
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