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15.10.14
Carlos Salem (Criminoso)
CRIMINAL
Quisiera aplastar, sin piedad, tus penas
como gotas de una lluvia de otoño en la ventana.
Y algunas tardes, rajaría tu ausencia a navajazos,
para llenarle el vientre de promesas
que acorten tu regreso.
Incluso no descarto atentar
contra todos los huecos
de tu cuerpo, y sin aviso previo.
He preparado una bomba casera de cariño
para dinamitar tus dudas,
si es preciso.
Y acribillo de besos tus recuerdos,
para que siempre tengas
perdigones de mi que llevarte a la boca.
Lo admito: soy un criminal,
y estoy dispuesto, por tenerte,
a cometer casi cualquier delito.
Pero no temas, amor:
puedo matar por ti
puedo morir por ti,
pero nunca podría
asesinar tu misterio.
Carlos Salem
[El huevo izquierdo]
Queria esmagar, sem piedade, tuas penas
como gotas de chuva outonal no vidro da janela.
E certas tardes, rasgaria tua ausência à navalha,
para lhe encher o ventre de promessas
que encurtem o teu regresso.
Não descarto mesmo atentar
contra os buracos do teu corpo,
e sem aviso prévio.
Fiz uma bomba caseira de carinho
para dinamitar tuas dúvidas,
se for preciso.
E crivo de beijos tua lembrança
para não te faltarem
perdigotos meus para levares à boca.
Confesso, sou um criminoso,
disposto, para ter-te,
a cometer qualquer crime.
Mas não temas, amor,
posso matar por ti,
posso morrer por ti,
mas não poderia nunca
assassinar teu mistério.
(Trad. A.M.)
.
20.11.13
Carlos Salem (Cavalgamos)
CABALGAMOS
Sabes
que los perros de la memoria
muerden
pero ya
casi
no ladran.
El porvenir nunca viene
-que ya lo advirtió don ángel-
pero vienes tú
derritiendo aceras
licuando soledades.
Los perros huelen mi sangre
como yo huelo tu carne
con hocico de mastín
con el rabo desafiante.
Y no hay futuro/
ni presente/
ni pasado/
pero hay aquí/ ahora/
tú/
yo/
y un domingo que se abre.
El mañana es el placebo
que se inyectan los cobardes
y en este cuarto anochece
siempre a las seis de la tarde.
Los perros
hoy
aúllan para nadie.
El sol, cabreado,
busca a la luna
en vano.
Está desnuda en mi cama.
Carlos Salem
Os cães da memória
sabes
mordem
mas já
quase
não ladram.
O porvir não vem nunca
– advertiu-o don ángel –
mas vens tu
derreter calçadas
arrasar solidões.
Os cães cheiram-me o sangue
como eu faço com tua carne
com focinho de mastim
com o rabo em desafio.
E não há futuro/
nem presente/
nem passado/
mas há aqui/ agora/
tu/
eu/
e um domingo a abrir.
O amanhã é o placebo
que metem na veia os cobardes
e neste quarto anoitece
sempre às seis e meia da tarde.
Hoje
os cães
uivam a ninguém.
O sol, irritado,
busca a lua
em vão.
Está nua na minha cama.
(Trad. A.M.)
.
6.11.13
Carlos Salem (Nós não)
NOSOTROS, NO
Nos enseñaron a sentir en dirección obligatoria
y nos llenaron la vida de semáforos.
Nos dijeron lo que se debe y lo que no
y que siempre quedaríamos debiendo.
Nos firmaron cheques en blanco
con tinta blanca
y esperaron a que les diéramos las gracias.
Nos rogaron que gritáramos sin ruido
amáramos sin furia
muriéramos sin asco
viviéramos sin ganas.
Nos olvidaron.
Nos prometieron el cielo en la tierra
y un paraíso con vídeo-vigilancia.
Nos invirtieron la esperanza a plazo fijo
y cambiamos los deseos por bonos del estado.
Nos vendieron motos
democracias
y consolas
y canciones del verano en pleno otoño.
Nos tiraron del pelo.
Nos cortaron el pelo.
Nos tomaron el pelo.
Y nos salvamos
a veces
por los pelos.
Nos olvidaron.
Nos juzgaron por pensar sin lubricante
Nos condenaron a sentir en látex
Nos metieron en jaulas decoradas
con los rostros de nuestros ídolos muertos.
Y cuando se quedaron sin presupuesto
para pagar las facturas de la cárcel
nos soltaron.
Y nos olvidaron.
Pero nosotros
a ellos
no.
Me temo
que no tendrán tiempo
de arrepentirse.
Carlos Salem
Ensinaram-nos a sentir em direcção obrigatória
e encheram-nos a vida de semáforos.
Disseram-nos o que se deve e o que não
e o que sempre ficaríamos a dever.
Assinaram-nos cheques em branco com tinta branca
à espera que agradecêssemos.
Pediram-nos que gritássemos sem barulho
amássemos sem fúria
morrêssemos sem asco
vivêssemos sem vontade.
Esqueceram-nos.
Prometeram-nos o céu na terra
e um paraíso com video-vigilância.
Investiram-nos a esperança a prazo fixo
trocando-nos desejos por títulos do Estado.
Venderam-nos motos
democracias
e consolas
e canções de Verão em pleno Outono.
Puxaram-nos pelo cabelo.
Cortaram-nos o cabelo.
Tomaram-nos o cabelo.
E salvámo-nos
às vezes
por um cabelo.
Esqueceram-nos.
Julgaram-nos por pensar sem lubrificação
Condenara-nos a sentir em látex
Meteram-nos em jaulas decoradas
com as caras de nossos mortos ídolos.~
E quando ficaram sem orçamento
para pagar as facturas da prisão
soltaram-nos.
E esqueceram-nos.
Mas nós
a eles
não.
Receio
que não terão tempo
de arrepender-se.
(Trad. A.M.)
>> El huevo isquierdo del talento (blogue/muitos p) / Carlos Salem (outro) / Matar y guardar la ropa (outro antes) / Wikipedia
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