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2.9.23

W. B. Yeats (Um aviador irlandês)




AN IRISH AIRMAN FORSEES HIS DEATH

 

I know that I shall meet my fate
Somewhere among the clouds above;
Those that I fight I do not hate,
Those that I guard I do not love;
My country is Kiltartan Cross,
My countrymen Kiltartan’s poor,
No likely end could bring them loss
Or leave them happier than before.
Nor law, nor duty bade me fight,
Nor public men, nor cheering crowds,
A lonely impulse of delight
Drove to this tumult in the clouds;
I balanced all, brought all to mind,
The years to come seemed waste of breath,
A waste of breath the years behind
In balance with this life, this death.

William Butler Yeats



Sei que hei-de encontrar meu destino
algures lá no alto por entre as nuvens.
Os que combato não os odeio,
os que defendo não os amo.
A minha terra é Kiltartan Cross,
os pobres de Kiltartan meus patrícios,
nada no fim mudará decerto para eles,
não ficarão mais pobres nem serão mais felizes.
Nem lei nem dever me fizeram lutar,
nem tão pouco os políticos ou multidões.
Um impulso solitário de gozo
é que me trouxe a este tumulto nas nuvens,
eu ponderei tudo, pensei em tudo,
e o porvir pareceu-me um desperdício,
assim como um desperdício o passado,
comparado com esta vida, com esta morte.

(Trad. A.M.)

 .

7.7.22

W. B. Yeats (Rumo a Bizâncio)




RUMO A BIZÂNCIO

 

I
Este país não é para velhos. Jovens
abraçados, pássaros que nas árvores cantam
- essas gerações moribundas -
cascatas de salmões, mares de cavalas,
peixe, carne, ave, celebrando ao longo do Verão
tudo quanto se engendra, nasce e morre.
Prisioneiros de tão sensual música todos abandonam
os monumentos de intemporal saber. 

II
Um velho é coisa sem valor,
um andrajo apoiado num bordão, a não ser que
a alma aplauda e cante, e cante mais alto
cada farrapo da sua mortal veste.
Nem há escola de canto somente o estudo
dos monumentos de seu próprio esplendor;
por isso cruzei os mares e cheguei
à sagrada cidade de Bizâncio. 

III
Oh, sábios que estais no sagrado fogo de Deus
qual dourado mosaico sobre um muro,
vinde desse fogo sagrado, roda que gira,
e sede os mestres do meu canto, da minha alma.
Devorai este meu coração; doente de desejo
e atado a um animal agonizante
ele não sabe o que é; juntai-me
ao artifício da eternidade. 

IV
Da natureza liberto jamais de natural coisa
retomarei minha forma, meu corpo,
mas formas outras como as que o ourives grego
em ouro forja e esmalta em ouro
para que o sonolento Imperador não adormeça;
ou em dourado ramo pousado, cantarei
Para damas e senhores de Bizâncio
cantarei o que passou, o que passa, ou o que virá.

 

W.B. Yeats

(Trad. J.A. Baptista)

.

14.7.21

W. B. Yeats (Com a idade vem o tino)



THE COMING OF WISDOM WITH TIME

 

Though leaves are many, the root is one;
Through all the lying days of my youth
I swayed my leaves and flowers in the sun;
Now I may wither into the truth.

W. B. Yeats

 

 

Muitas são as folhas, mas a raiz é só uma;
Nos dias de ilusão da juventude,
abanei ao sol minhas folhas e flores;
Agora posso murchar com a verdade.
 

(Trad. A.M.)

 

> Outra versão: Acontecimentos (J.A. Baptista)

 .

9.1.20

W. B. Yeats (No meio dos salgueiros)




Down by the salley gardens
my love and I did meet;
She passed the salley gardens
with little snow-white feet.
She bid me take love easy,
as the leaves grow on the tree;
But I, being young and foolish,
with her would not agree.

In a field by the river
my love and I did stand,
And on my leaning shoulder
she laid her snow-white hand.
She bid me take life easy,
as the grass grows on the weirs;
But I was young and foolish,
and now am full of tears.


W.B. Yeats




Encontrámo-nos nos salgueiros,
meu amor e eu;
Ela passava por ali
com seus pezinhos brancos de neve.
E amor sem mais me ofereceu,
como as folhas crescendo na árvore;
Mas eu, que era jovem e tonto,
não estive para aí virado.

Andávamos num campo à beira-rio,
meu amor e eu,
Ela com sua mão branca de neve
posta no meu ombro caído.
E a vida sem mais me ofereceu,
como as ervas a medrar no açude;
Mas eu era jovem e tonto
e agora estou desfeito em lágrimas.


(Trad. A.M.)

__________________

[Marianne Faithfull]

7.1.19

W. B. Yeats (Os velhos mirando-se na água)




THE OLD MEN ADMIRING THEMSELVES IN THE WATER



I heard the old, old men say,
'Everything alters,
and one by one we drop away.'
They had hands like claws, and their knees
were twisted like the old thorn-trees
by the waters.
I heard the old, old men say,
'All that's beautiful drifts away
like the waters’.

W. B. Yeats




Ouvi dizer a uns velhos muito velhos,
‘Tudo se muda
e nós lá nos vamos desta um por um’.
As mãos deles eram como garras, e os joelhos
retorcidos como os velhos espinheiros
à beira de água.
Ouvi dizer a uns velhos muito velhos,
‘Tudo o que é belo desaparece da vista,
como as águas”.

(Trad. A.M.)

.

21.1.17

W. B. Yeats (A espora)





THE SPUR



You think it horrible that lust and rage
Sould dance attention upon my old age;
They were not such a plague when I was young;
What else have I to spur me into song?


W. B. Yeats





Parece-te horrível que luxúria e ira
Cortejem a minha velhice;
Quando jovem não me flagelavam assim;
Que mais tenho eu que esporeie até cantar?

(Trad. J.A.Baptista)


16.2.16

W. B. Yeats (Primeira canção dela)





THE LADY’S FIRST SONG



I turn round
Like a dumb beast in a show.

Neither know what I am
Nor where I go,
My language beaten
Into one name;
I am in love
And that is my shame.

What hurts the soul
My soul adores,
No better than a beast
Upon all fours.


W. B. Yeats

[Otra iglesia]




Ando às voltas
tal como um animal no circo.

Não sei quem sou
nem onde vou,
e o meu léxico reduz-se
a um nome só;
estou apaixonado,
vergonha minha.

O que me fere a alma
minha alma adora,
estou ao nível de um animal,
de um quadrúpede.

(Trad. A.M.)

.

1.6.15

W. B. Yeats (A roda)





THE WHEEL



Through winter-time we call on spring,
and through the spring on summer call,
and when abounding hedges ring
declare that winter's best of all;
And after that there's nothing good
because the spring-time has not come -
Nor know that what disturbs our blood
is but its longing for the tomb.

W.B. Yeats




Todo o Inverno clamamos pela Primavera
e na Primavera suspiramos pelo Verão,
e quando as sebes rebentam viçosas,
assentamos que o melhor é ainda o Inverno;
E depois de tudo afinal nada presta
porque a Primavera não chega.
Nem sabemos o que nos sobressalta o sangue,
que é apenas a saudade do túmulo.

(Trad. A.M.)

.

31.5.14

W. B. Yeats (Não dês o coração)





NEVER GIVE ALL THE HEART



Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that's lovely is
But a brief, dreamy, kind delight.
O never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.


W. B. Yeats

[Poets]



Não dês o coração nunca por inteiro, porque o amor
se for certo não interessa às mulheres,
nem elas sonham que o mesmo se vai
de beijo em beijo;
pois tudo o que é do amor
é deleite, amável, fugaz e fantástico.
Não dês o coração nunca sem reserva,
já que elas jogaram o delas,
digam seus lábios o que disserem.
E quem saberia do jogo o bastante
estando surdo e mudo e cego de amor?
Quem isto escreve sabe bem o que custa,
posto que deu o coração por inteiro
e perdeu.

(Trad. A.M.)


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10.3.14

W. B. Yeats (Não ames tempo de mais)





O DO NOT LOVE TOO LONG



Sweetheart, do not love too long:
I loved long and long,
And grew to be out of fashion
Like an old song.
All through the years of our youth
Neither could have known
Their own thought from the other's,
We were so much at one.
But O, in a minute she changed-
O do not love too long,
Or you will grow out of fashion
Like an old song.

W. B. Yeats


[Poetry archive]



Amor meu, não ames tempo de mais,
que eu amei por muito tempo
e envelheci e passei de moda
tal como uma velha canção.
Nos tempos da mocidade
nenhum de nós distinguia
o seu pensamento do outro,
éramos ambos um só.
Depois, ela de repente fez-se outra
- oh, não ames tempo de mais,
senão envelheces e passas de moda
tal como uma velha canção.

(Trad. A.M.)

.

9.10.12

W. B. Yeats (Recordação)





MEMORY




One had a lovely face,
and two or three had charm,
but charm and face were in vain
because the mountain grass
cannot but keep the form
where the mountain hare has lain.


W.B.Yeats




Um tinha uma cara linda
e dois ou três muito encanto,
mas tudo em vão,
porque a erva do monte
mantém sempre a forma
da cama da lebre.


(Trad. A.M.)


.

24.5.11

W. B. Yeats (Uma canção da bebida)






A DRINKING SONG




Wine comes in at the mouth
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.


W. B. Yeats





Entra pela boca o vinho,
o amor é pelos olhos,
eis tudo o que sabemos realmente
antes de envelhecer e morrer.
Levo o copo à boca,
olho para ti, e suspiro.


(Trad. A.M.)

.

8.9.10

W. B. Yeats (Quando fores velha)






WHEN YOU ARE OLD




When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;


How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;


And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.



W. B. Yeats






Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;


Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;


Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.



(Trad. J.A.Baptista)

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21.2.08

W. B. Yeats (Se eu tivesse)








SE EU TIVESSE...





Se eu tivesse as sedas bordadas do céu,
com bainhas de luz de ouro e de prata,
as sedas azuis e sombrias e escuras,
da noite e da luz e da meia-luz,


deitava-as todas aos teus pés.


Mas eu sou pobre e só tenho os meus sonhos.
Deitei-os todos aos teus pés.
Pisa com cuidado,
é nos meus sonhos que estás a pisar.



W. B. Yeats
(trad. Miguel Esteves Cardoso)




Lugares: Alguma-poesia (bio+2p) / Poets.org (13p) / Arlindo Correia (3+1p) / Wikipedia / Online.Lit. (ficção+teatro+contos+pp. muitos) / Poetry-archive (pp. muitos) / Sítio oficial (tudo+algo)


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