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1.1.19

António Reis (É na piedade)






(49)


É na piedade
dizem
que tudo nasce

eu prefiro
o amor

onde ela cabe

e morre


António Reis

.

20.1.16

António Reis (Não durmo ainda)





Não durmo ainda

Só na cama
o tempo
ainda é meu

como a palavra

Discretamente
me agito
no colchão

Não penso em Deus
na morte

Imprimo
Aqueço-me
Escuto

conservo a posição

A Elsa dorme

Só na cama
o tempo ainda é dela

como um fruto


António Reis

.

31.10.15

António Reis (É domingo hoje)





É domingo hoje
mas nós não saímos

é o único dia
que não repetimos

e que dura menos

Mas põe o teu rouge
que eu mudo a camisa

não como quem
de ilusão
precisa

Tomaremos chá
leremos um pouco

e iremos à varanda
absortos


António Reis

[António Reis]

.

8.7.12

António Reis (E as palavras)





E as palavras


o que são


de
quem
são


de livros
quotidianas
mudas


As palavras que
se erguemos os olhos
matizadas
ou livres


já no ar
pousam


e levantam



António Reis

.

16.6.09

António Reis (Eu não voo)









Eu não voo
ando


quero que me oiçam


mas também não sou
das rãs que coaxam



ANTÓNIO REIS
Novos Poemas Quotidianos
Porto (1959)




[António Reis]




24.4.09

António Reis (Um espaço interior)









Um espaço interior
criei
nestes poemas


onde estalam os móveis
e os sentidos


onde as ideias
a meia-luz
respiram


e a vida
as imagens
não se reflectem
nos vidros



ANTÓNIO REIS
Novos Poemas Quotidianos
(Porto,1959)




[António Reis]


.


19.7.08

António Reis (Mudamos esta noite)










MUDAMOS ESTA NOITE





Mudamos esta noite



E como tu
eu penso no fogão a lenha
e nos colchões



onde levar as plantas



e como disfarçar os móveis velhos



Mudamos esta noite
e não sabíamos que os mortos ainda aqui viviam



e que os filhos dormem sempre
nos quartos onde nascem



Vai descendo tu



Eu só quero ouvir os meus passos
nas salas vazias





ANTÓNIO REIS
Poemas Quotidianos
Portugália (col. «Poetas de Hoje»)
Lisboa, 1967

.
.
.
.
.

24.5.08

António Reis (Depois das 7)

.
.



Depois das 7
as montras são mais íntimas



A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa



E a luz torna mais belo
e mais útil
cada objecto



ANTÓNIO REIS
Poemas Quotidianos, Porto [1957]

.
.

21.4.08

António Reis (Sei)








Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do emprego
.
.
.
Tu
se o ar é fresco
.
.
.
eu
se deixo de respirar
subitamente

.

ANTÓNIO REIS
- Novos Poemas Quotidianos,
Porto [1959].





Fonte: António Reis
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Consultar: Wikipedia
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