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20.2.26

Guilherme de Oliveira (Cabeça vazia)




CABEÇA VAZIA

 

Caminho lento pelo vazio
que preenche este recinto
onde não moram objetos
nem almas se vislumbram. 

É de um cinzento cremado.
Nem sei se marcho a direito
ou se o percorro em círculos,
sem propósito e sem fervor. 

A pouca luz envergonhada
que entra por vias travessas
não chega para ver o céu
nem dá saídas pró mundo. 

Carrego alguns pensamentos
que se movem sem espessura;
no útero desta cabeça oca,
serão poemas para nascer?


Guilherme de Oliveira

[Triplov]

 .

23.7.25

Guilherme de Oliveira (Cometa)




COMETA                                                          

(Cometa Hale-Bopp, 1997)

 

Sémen astral
na busca eterna
do óvulo perfeito
para a colisão única
de que nascerá
uma qualquer galáxia? 

Ou um Deus remoto
que pecou algures
nos primórdios do tempo,
condenado à errância,
a este arrefecimento
exemplar e purificador,
a caminho da extinção fatal?


Freire Falcão

[Triplo V]

 .

3.7.25

Guilherme de Oliveira (Gaivotas)




GAIVOTAS

 

O mar finge
tomar a praia,
submergi-la
para sempre.
Mas não.
Sugere a catástrofe
previsível
e logo desiste. 

Apenas quer
o desenfado
das gaivotas,
que não têm
o que fazer,
quietas,
alinhadas,
viradas para lá;
(esta preguiça,
este sossego,
esta ordem natural
será tédio?)


Freire Falcão

[Triplo V]

 

>>  Triplo V

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