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11.9.25

Roberto Malatesta (Poema nacional)




POEMA NACIONAL



Domingo al mediodía
la carne llega al punto lentamente.
No mucho más que hacer,
mejor no pensar en mañana,
lo porvenir nos cansa
y hemos de abandonar
esa patética costumbre
de vivir en pretérito.
Mejor será esparcir con cuidado la brasa,
no sea que el presente se nos queme.
Felicidad, si es que eso existe,
conjuga sólo en este ahora,
chirría como carne asada,
y nosotros, sagrada argentina familia,

hemos de resolverlo hincando el diente.


Roberto D. Malatesta



Domingo ao meio-dia
a carne fica no ponto lentamente.
Não há muito mais que fazer,
melhor não pensar em amanhã,
cansa-nos o porvir
e temos de deixar
esse costume patético
de viver no passado.
Melhor será espalhar a brasa com cuidado,
não se nos queime o presente.
Felicidade, se é que existe,
rima só com este agora,
chia como a carne assada,
e nós cá, sagrada argentina família,

temos de arrumá-lo ferrando o dente.


(Trad. A.M.)

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26.6.25

Roberto Malatesta (Nada mais)




NADA MÁS



Nada más pido a la tarde,
buen ejercicio es ceder
toda codicia.
Cierro los ojos:
tibieza de la luz,
algo de frío en los pies,
ramas que se mecen.
¿Mañana qué habré de decir?
Tampoco importa.
Esta noche
bajo la lámpara
recogeré trozos de sol
con la punta de mis dedos
tocándome los párpados.

Roberto Malatesta 

 

À tarde nada mais peço,
bom exercício é ceder
toda a cobiça.
Cerro os olhos,
uma luz morna,
algo de frio nos pés,
ramos que balançam.
Amanhã direi o quê?
Não importa.
Esta noite
sob a lâmpada
apanharei pedaços de sol
na ponta dos dedos,
roçando as pálpebras.


(Trad. A.M.)

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16.6.25

Roberto Malatesta (A força do não fazer)




LA FUERZA DEL NO HACER

 

No hacer nada requiere fortaleza,
los débiles sucumben sin trabajo,
lo inventan si escasea, no pueden con el ocio.
Por el contrario el que no hace nada resiste
todas las tentaciones que atañen al trabajo.
Entonces es llevado al borde del barranco
tal como Cristo: arrójate, tómalo todo, adórame.
Y en su desierto del no hacer
persiste adusto y pobre,
cultiva la gran fuerza del que sabe
uál es su sitio y su destino entre los hombres.
No hacer nada requiere fortaleza,
su origen es el don y a su conocimiento
sólo acceden aquellos para el cual son llamados.
 

Roberto Malatesta

 

Não fazer nada requer fortaleza,
os fracos sucumbem sem trabalho,
inventam-no se escasseia, não suportam o ócio.
Pelo contrário, quem não faz nada resiste
a todas as tentações que respeitam ao trabalho.
Vai então, levado à beira do abismo,
tal como Cristo: atira-te, toma tudo, adora-me.
E no seu deserto de não fazer
mantém-se adusto e pobre,
cultiva a grande força de quem sabe
qual é o seu lugar e seu destino na terra.
Não fazer nada requer fortaleza,
a sua origem é uma bênção e só os escolhidos
lhe acedem ao conhecimento.

 
(Trad. A.M.) 

 

>>  Noticias (20p) / Marcelo Leites (17p) / La Pecera (5p)

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