VERÃO
Madrugada,
os lençóis
quentes
contra o corpo
Toco a meu lado
o pelo comprido,
hirsuto
da minha gata
que estende a pata
a roçar-me,
tão suave
minha irmã dorme
levanto-me para olhar
pela janela
a rua está
deserta
ninguém
pela vereda
apenas a luz
da lua
Esta vez…
não será aquela?
será que sonhei?
O sorriso
de minha mãe
diz-me que sim
A lua entra
pelas gelosias,
a gata
ronrona
Não há mais
ninguém
Como passam
os anos,
como galgos ligeiros
Marilyn Contardi
(Trad. A.M.)

