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17.1.19

Jon Juaristi (Noite das almas)





NOCHE DE ÁNIMAS

                 (A Karmelo Iribarren)


Desordenada mesa que es espejo
De un desorden más íntimo y acaso
Irremediable ya, mientras me alejo

Por una estrada oscura, paso a paso,
Hacia la última orilla,
Sin otro capital que mi fracaso.

Desordenada mesa, astrosa silla,
Libros que no abriré en altos estantes
Y una tenue bombilla

Presidiendo las horas vacilantes
En que toda esperanza se desploma

(la vida que soñé:
menuda broma).


Jon Juaristi

[Facebook]




Desordenada mesa, espelho
de uma desordem mais íntima, talvez
já irremediável, enquanto eu me afasto

por escuro caminho, passo a passo,
para a margem do fim,
sem outro capital senão o fracasso.

Desordenada mesa, cadeira arruinada,
livros que não abrirei em estantes altas
e uma lâmpada fraca

presidindo às horas indecisas
em que a esperança se desmorona

(a vida que eu sonhei:
uma piada sem importância).


(Trad. A.M.)


2.7.17

Jon Juaristi (Tonton macoute)





TONTON MACOUTE



Afirmas que he matado lo mejor que en mí había
y que por eso sueño con crímenes, y aciertas.

En mi interior acecha un asesino,
tonton macoute de negros anteojos,
avezado a tirar contra las emociones
demasiado abultadas.

No me pidas, amiga, que lo trate
con la ingratitud de un Baby Doc.

Me ha sido siempre fiel.
Más que las otras.


JON JUARISTI
Suma de Varia Intención
(1987)




Alegas que matei o melhor que havia em mim
e por isso sonho com crimes, e está certo.

No meu íntimo espreita um assassino,
tonton macoute de óculos escuros,
avezado a atirar contra as emoções
muito exacerbadas.

Não me peças, amiga, que o trate
com a ingratidão de um Baby Doc.

Foi-me sempre fiel.
Mais do que as outras.


(Trad. A.M.)


.

12.2.15

Jon Juaristi (Não é como temias)





NO ES COMO LO TEMÍAS



Te asombra la dulzura del declive,
la paz del cuerpo,
la ausencia de rencor en la memoria.

Como un piso tranquilo y espacioso
o una digna mansión de renta antigua
te acoge la vejez.

Libros, tardes de lluvia,
conversación pausada
entre amigos de siempre
que nada nuevo tienen que decirse,
y evitan, sin embargo, despedirse,
mientras de día en día
lo ganado perdí
que antes tenía.


Jon Juaristi

[Sureando]




Espanta-te o suave do declive,
a paz do corpo,
a falta de rancor na memória.

Como um andar espaçoso e tranquilo
ou digna vivenda de renda antiga,
a velhice te recebe.

Livros, tardes de chuva,
pausada conversa
entre amigos de sempre
que não têm para dizer nada de novo,
e contudo retardam a despedida,
enquanto de dia para dia
o ganho vais perdendo
que antes tinhas.

(Trad. A.M.)

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27.6.12

Jon Juaristi (Aliud et alibi)






ALIUD ET ALIBI




Como nada gloriosos combatientes
de una guerra perdida, regresáis,
imágenes de mi sesenta y ocho.


Praga pillaba lejos,
no muy cerca París.
La vida me arrastraba de la mano
hacia un verano gris.


Recuerdo un año cruel:
el despertar de un sueño de bonanza católica
y de jardín inglés.


Y, creo haberlo dicho, París ni lo pisé.
Nunca pude llevarme
por delante un adarme
de gendarme.



JON JUARISTI
Los paisajes domésticos
(1992)




Combatentes nada gloriosos
de uma guerra perdida, regressais,
imagens do meu sessenta e oito.


Praga ficava longe,
e não muito perto Paris.
A vida puxava-me pela mão
para um Verão cinzento.


Recordo um ano cruel,
o despertar dum sono de bonança católica
e de jardim inglês.


E, creio que já disse, em Paris nem pisei.
Nunca suportei
pela frente um dez réis
de gendarme.



(Trad. A.M.)

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22.4.12

Jon Juaristi (As man grows older)






AS MAN GROWS OLDER




Por mi edad turbulenta
-o sea, de los veinte a los cuarenta-,
mejor pasar como si sobre ascuas.

Bebí, amé (es un decir)
y gasté por encima
de lo que la prudencia aconsejaba.

Tú, que me envidias, debes
saber que cambiaría sin mirarla
tu juventud oscura por los años
de la edad turbulenta
en que trastabillé más de la cuenta.


Jon Juaristi






Pelos meus anos turbulentos
– seja, dos vinte aos quarenta –
é melhor passar como sobre brasas.


Bebi, amei (por assim dizer)
e gastei muito mais
do que aconselhava a prudência.


Tu que me invejas, fica a saber
que trocaria sem hesitar
a tua juventude obscura pelos anos
daquela idade turbulenta
em que tripudiei além da conta.


(Trad. A.M.)

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1.4.12

Jon Juaristi (Rosario)







ROSARIO




Yo la quería mucho, pero entonces
amar y destruir sonaban parecido,
como en los más confusos poemas de Aleixandre.
Nos casamos con otros. Tal vez así perdimos
lo mejor de la vida. Quién sabe. Hubo una noche
en que ambos acordamos que pudo ser distinto
el rumbo de esta historia de culpa y cobardía.
Se quitó el pasador de su cabello oscuro
y me lo dio al marchar, y nunca volví a verla.
Murió. No lo he sabido hasta esta tarde misma,
varios años después, en su pequeño pueblo
y frente a la serena desolación del mar.
Ahora intento evocarla, pero se desvanece:
No he encontrado siquiera su pasador de rafia.


Jon Juaristi





Eu queria-lhe muito, mas então
amar e destruir soavam parecido,
como nos mais confusos poemas de Aleixandre.
Casamos com outros e perdemos assim, talvez,
o melhor da vida, quem sabe. Uma noite houve
em que ambos acordámos em que podia ser diferente
o rumo desta história de culpa e cobardia.
Tirou a fita do cabelo escuro
e deu-ma ao partir, e nunca mais voltei a vê-la.
Morreu e eu não soube até ao dia de hoje,
vários anos depois, na sua aldeia,
frente à serena desolação do mar.
Agora tento evocá-la, mas esfuma-se,
não encontro sequer a tal fita de ráfia.


(Trad. A.M.)



>>  PoetasVascos (antologia) / A media voz (25p) / Biografías y vidas (bio) / Wikipedia


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