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21.6.18

Antonio Gamoneda (Violação)





VIOLACIÓN



Silba el amanecer, florece el hierro
bajo la incandescencia de los pájaros

Pero también sucede el mar y las preguntas caen sobre la piel de
la melancolía como un caballo que galopase en la memoria

y el hielo viene devorando sombra,

y esto es el día: sílabas azules
y las palomas perseguidas por el llanto.


Antonio Gamoneda




Silva o amanhecer, floresce o ferro
sob a incandescência dos pássaros

Mas também sucede o mar e as perguntas caem sobre a pele
da melancolia como um cavalo galopando na memória

e o gelo chega devorando sombra,

e é isto o dia: sílabas azuis
e as pombas perseguidas pelo pranto.


(Trad. A.M.)

.

13.3.17

Antonio Gamoneda (Eu calo-me e espero)





Yo me callo, yo espero
hasta que mi pasión
y mi poesía y mi esperanza
sean como la que anda por la calle;
hasta que pueda ver con los ojos cerrados
el dolor que ya veo con los ojos abiertos.


Antonio Gamoneda

[Tinta en las manos]





Eu calo-me e espero
até que minha paixão,
minha poesia e esperança
sejam como a que anda pelas ruas;
até poder ver de olhos fechados
a dor que vejo de olhos abertos.


(Trad. A.M.)

.

22.3.13

Antonio Gamoneda (Envelheceu dentro dos teus olhos)





Envelheceu dentro de teus olhos: eras a doçura
e o extermínio e amei teu corpo
em seus frutos nocturnos.


Tua inocência é como uma faca diante de meu rosto,


mas pesas no meu coração e, como um mel escuro,
sinto-te em meus lábios ao encaminhar-me
para a morte.



ANTONIO GAMONEDA
Livro do Frio
Assírio & Alvim

(Trad. José Bento)

.

4.4.12

Antonio Gamoneda (Há um ancião)






Há um ancião diante de uma senda vazia. Ninguém
regressa da cidade longínqua: apenas o vento
sobre as últimas pegadas.


Eu sou a senda e o ancião, sou a cidade e o vento.



ANTONIO GAMONEDA
Livro do Frio
Assírio & Alvim
(Trad. José Bento)

.

17.5.11

Antonio Gamoneda (Neve)








NIEVE




Retrocede, combate
hacia atrás, corazón mío.
Cíñete al amor, queda
activo en cuerpos, en
materiales amantes.
Olvida la nieve, vive
con los tuyos, desciende
a la ternura. Este
es tu país.
¡Oh la sed, oh la sed!
¿Por qué este mismo fuego
me empuja hacia la nieve?
Subir, subir al agua
eterna donde viven
la claridad y el frío.
Un sueño: Cumbre inmóvil.
Nada y luz. Nadie, nadie.
Oh Dios, si sólo un pájaro
me visitase en esta
región de libertad.
Atrás, puros espacios,
belleza inhabitable.
Vuelva la sed a su
origen en el fuego.



Antonio Gamoneda






Retrocede, luta
lá para trás, meu coração.
Cinge-te ao amor, mantém-te
activo nos corpos, em
materiais amantes.
Olvida a neve, vive
com os teus, desce
à ternura. Este
é o teu país.
Oh a sede, oh a sede!
Porque me empurra
este mesmo fogo para a neve?
Subir, subir à água
eterna onde vivem
a claridade e o frio.
Um sonho: Cume imóvel.
Nada e luz. Ninguém, ninguém.
Oh Deus, se um pássaro
me visitasse nesta
região de liberdade.
Atrás, espaços puros,
beleza inabitável.
Torne a sede à sua
origem no fogo.


(Trad. A.M.)

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7.11.10

Antonio Gamoneda (Estou nu diante da água imóvel)






Estou nu diante da água imóvel.
Deixei minha roupa no silêncio dos últimos ramos.


Isto era o destino:


chegar à margem e ter medo da quietude da água.




ANTONIO GAMONEDA
Livro do Frio
Assírio &  Alvim
(Trad. José Bento)

.

22.5.10

Antonio Gamoneda (Ainda)





AÚN




Recuerdo el frío del amanecer, los círculos de los insectos sobre las
tazas inmóviles, la posibilidad de un abismo lleno de luz bajo las
ventanas abiertas para la ventilación de la enfermedad, el olor triste
de la sosa cáustica.
Pájaros. Atraviesan lluvias y países en el error de los imanes y los
vientos, pájaros que volaban entre la ira y la luz.
Vuelven incomprensibles bajo leyes de vértigo y olvido.
No tengo miedo ni esperanza. Desde un hotel exterior al destino, veo
una playa negra y, lejanos, los grandes párpados de una ciudad cuyo
dolor no me concierne.
Vengo del metileno y el amor; tuve frío bajo los tubos de la muerte.
Ahora contemplo el mar. No tengo miedo ni esperanza.
Eres sabio y cobarde, estás herido en las mujeres húmedas, tu
pensamiento es sólo recuerdo de la ira.
Ves las rosas temibles.
Ah caminante, ah confusión de párpados.
Hay una hierba cuyo nombre no se sabe; así ha sido mi vida.
Vuelvo a casa atravesando el invierno: olvido y luz sobre las ropas
húmedas. Los espejos están vacíos y en los platos ciega la soledad.
Ah la pureza de los cuchillos abandonados.
Amé todas las pérdidas.
Aún retumba el ruiseñor en el jardín invisible.




ANTÓNIO GAMONEDA
Libro del frío



[EPDLP]









Recordo o frio do amanhecer, os círculos dos insectos sobre as
taças imóveis, a possibilidade de um abismo pleno de luz sob as
janelas abertas para ventilação da doença, o cheiro triste
da soda cáustica.
Pássaros. Atravessam chuvas e países no erro dos ímanes e dos
ventos, pássaros a voar entre a ira e a luz..
Voltam incompreensíveis sob leis de vertigem e esquecimento.
Nem medo nem esperança tenho. De um hotel exterior ao destino, vejo
uma praia negra e, ao longe, as pálpebras enormes de uma cidade cuja
dor não me importa.
Venho do metileno e do amor; tive frio debaixo dos tubos da morte.
Agora contemplo o mar. Não tenho medo nem esperança.
És sábio e cobarde, estás ferido nas mulheres húmidas, teu
pensamento é apenas lembrança da ira.
Vês as rosas temíveis.
Ah caminhante, ah confusão de pálpebras.
Há uma erva cujo nome não se sabe; assim foi minha vida.
Volto a casa atravessando o Inverno: olvido e luz nas roupas
molhadas. Os espelhos vazios e nos pratos cega a solidão.
Ah a pureza dos cutelos abandonados.
Amei as perdas todas.
Retumba ainda no jardim invisível o rouxinol.


(Trad. A.M.)



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3.2.10

Antonio Gamoneda (Más lembranças)





MALOS RECUERDOS


La vergüenza es un sentimiento revolucionario
(Karl Marx)



Llevo colgados de mi corazón
los ojos de una perra y, más abajo,
una carta de madre campesina.

Cuando yo tenía doce años,
algunos días, al anochecer,
llevábamos al sótano a una perra,
sucia y pequeña.

Con un cable le dábamos y luego
con las astillas y los hierros. (Era
así. Era así. Ella gemía
se arrastraba pidiendo, se orinaba,
y nosotros la colgábamos para pegar mejor).

Aquella perra iba con nosotros a
las praderas y los cuestos. Era
veloz y nos amaba.

Cuando yo tenía quince años,
un día, no sé cómo, llegó a mí
un sobre con la carta de un soldado.

Le escribía su madre. No recuerdo:
“¿Cuándo vienes? Tu hermana no me habla.
No te puedo mandar ningún dinero…”

Y, en el sobre, doblados, cinco sellos
y papel de fumar para su hijo.
“Tu madre que te quiere”. No recuerdo
el nombre de la madre del soldado.

Aquella carta no llegó a su destino:
yo robé al soldado su papel de fumar
y rompí las palabras que decían
el nombre de su madre.

Mi vergüenza es tan grande como mi cuerpo,
pero aunque tuviese el tamaño de la tierra
no podría volver y despegar
el cable de aquel vientre ni enviar
la carta del soldado.



Antonio Gamoneda







Pendurados do coração tenho
uns olhos de cadela e, mais abaixo,
uma carta de mãe camponesa.

Quando eu tinha doze anos,
alguns dias, ao escurecer,
íamos para a cave com uma cadela,
pequena e muito suja.

Dávamos-lhe com uma corda e a seguir
com as lascas e os ferros. (Era
assim. Era assim. Ela gania,
pelo chão a pedir, mijava-se e
nós pendurávamo-la para ser ainda melhor).

Essa cadela ia connosco
para os campos e quebradas. Era
veloz e amava-nos.

Quando eu tinha quinze anos,
não sei como, um dia chegou-me
ela com uma carta de um soldado.

Escrita pela mãe. Já não me lembro:
“Quando é que vens? Tua irmã não me fala.
Dinheiro não te posso mandar...”

E, dentro do envelope, dobrados,
cinco selos e papel de fumar para o filho.
“Tua mãe que te ama”. Não recordo já
o nome da mãe do soldado.

Essa carta não chegou ao destino:
eu roubei o papel de fumar ao soldado
e rasguei as palavras que diziam
o nome da mãe.

A minha vergonha é tão grande como este meu corpo,
mas mesmo que tivesse o tamanho da terra,
eu não era capaz de voltar atrás e tirar a corda à cadela
nem de enviar a carta do soldado.


(Trad. A.M.)


> Dedicado a Pedro C., que enviou o original

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3.10.08

Antonio Gamoneda (Amor)










AMOR






A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo



Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos



E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração



Antonio Gamoneda


(Trad. A.M.)



(Original)



Fontes: A-media-voz (bio+poemas) / Abel Martin (bio+biblio+antologia)
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