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11.5.25

Ida Vitale (Residua)




RESIDUA



Corta la vida o larga, todo
lo que vivimos se reduce
a un gris residuo en la memoria.

De los antiguos viajes quedan
las enigmáticas monedas
que pretenden valores falsos.

De la memoria sólo sube
un vago polvo y un perfume.
¿Acaso sea la poesía?


Ida Vitale

[La ceniza]

 

Curta ou longa a vida, tudo
o que vivemos se reduz
a uma cinza na memória.

De antigas viagens ficam
moedas enigmáticas
fingindo valores falsos.

Da memória sobe apenas
uma vaga poeira, um perfume.
Será acaso a poesia?


(Trad. A.M.)


11.2.21

Ida Vitale (Fortuna)



FORTUNA

 

Por años, disfrutar del error
y de su enmienda,
haber podido hablar, caminar libre,
no existir mutilada,
no entrar o sí en iglesias,
leer, oír la música querida,
ser en la noche un ser como en el día.

No ser casada en un negócio,
medida en cabras,
sufrir gobierno de parientes
o legal lapidación.
No desfilar ya nunca
y no admitir palabras
que pongan en la sangre
limaduras de hierro.
Descubrir por ti misma
otro ser no previsto
en el puente de la mirada.

Ser humano y mujer, ni más ni menos.


Ida Vitale

[Interno poesia]

 

 

Anos a fio, desfrutar do erro
e da emenda,
poder falar, caminhar livremente,
não existir mutilada,
não entrar, ou então entrar, em igrejas,
ler, ouvir a música querida,
ser na noite um ser como no dia.

Não casar por negócio,
medida em cabras,
sujeita a governo de parentes
ou legal lapidação.
Não desfilar nunca,
nem consentir palavras
que deixem no sangue
limalhas de ferro.
Descobrir por ti mesma
outro ser não previsto
na ponte do olhar.

Ser humano e mulher, nem mais nem menos.


(Trad. A.M.)

.


2.12.20

Ida Vitale (Resíduo)

 


RESIDUA 

 

Corta la vida o larga, todo
lo que vivimos se reduce
a un gris residuo en la memoria.
De los antiguos viajes quedan
las enigmáticas monedas
que pretenden valores falsos.
De la memoria sólo sube
un vago polvo y un perfume.
¿Acaso sea la poesía?

 
Ida Vitale

 

 

Curta ou longa a vida, tudo 
se reduz a um grãozinho
cinzento na memória.
Das antigas viagens ficam
as enigmáticas moedas
que fingem de valores falsos.
Da memória sobe apenas
uma poeira vaga, um perfume.
Será acaso a poesia?

 
(Trad. A.M.)

 


27.11.18

Ida Vitale (Aclimatação)




ACLIMATACIÓN


Primero te retraes,
te agostas,
pierdes alma en lo seco,
en lo que no comprendes,
intentas llegar al agua de la vida,
alumbrar una membrana mínima,
una hoja pequeña.
No soñar flores.
El aire te sofoca.
Sientes la arena
reinar en la mañana,
morir lo verde,
subir árido oro.

Pero, aún sin ella saberlo,
desde algún borde
una voz compadece, te moja
breve, dichosamente,
como cuando rozas
una rama de pino baja
ya concluida la lluvia.


Ida Vitale




Primeiro retrais-te,
murchas,
perdes alma no seco,
que não entendes,
tentas chegar à água da vida,
alumiar uma folha pequena,
uma membrana mínima.
Não sonhar flores.
Sufoca-te o ar.
Sentes a areia
reinar na manhã,
o verde morrer,
subir árido ouro.

Mas, mesmo sem ela saber,
de uma beira qualquer,
uma voz se compadece, molha-te
breve, ditosamente,
como se roçasses
num ramo de pinheiro baixo,
depois de a chuva passar.


(Trad. A.M.)

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5.6.17

Ida Vitale (Cultura do palimpsesto)





CULTURA DEL PALIMPSESTO



Todo aquí es palimpsesto,
pasión del palimpsesto:

a la deriva,
              borrar lo poco hecho,
empezar de la nada,
afirmar la deriva,
mirarse entre la nada acrecentada,
velar lo venenoso,
matar lo saludable,
escribir delirantes historias para náufragos.

Cuidado:
            no se pierde sin castigo el pasado,
no se pisa en el aire.


Ida Vitale

[Life vest under your seat]




Tudo aqui é palimpsesto,
paixão do palimpsesto:

à deriva,
           apagar o pouco feito,
começar do nada,
afirmar a deriva,
mirar-se no meio do nada,
velar o veneno,
matar o saudável,
escrever delirantes histórias para náufragos.

Cuidado,
          o passado não se perde sem castigo,
não se pisa no ar.

(Trad. A.M.)

.

7.1.15

Ida Vitale (Residua)





RESIDUA



Corta la vida o larga, todo
lo que vivimos se reduce
a un gris residuo en la memoria.

De los antiguos viajes quedan
las enigmáticas monedas
que pretenden valores falsos.

De la memoria sólo sube
un vago polvo y un perfume.
¿Acaso sea la poesía?


Ida Vitale





Curta a vida ou comprida,
tudo o que vivemos se reduz
a um resíduo cinzento na memória.

Das viagens antigas ficam
moedas enigmáticas
fingindo valores falsos.

Da memória sobe apenas
um pó vago, um perfume.
Será talvez a poesia?


(Trad. A.M.)

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3.6.12

Ida Vitale (Outono)






OTOÑO



Otoño, perro
de cariñosa pata impertinente,
mueve las hojas de los libros.
Reclama que se atienda
las fascinantes suyas,
que en vano pasan del verde
al oro al rojo al púrpura.

Como en la distracción,
la palabra precisa
que pierdes para siempre.


Ida Vitale





Outono, cachorro
de pata carinhosa impertinente,
virando as folhas dos livros.
Reclama atenção
para as suas próprias,
em vão passando do verde
ao oiro ao vermelho ao roxo.

Como na distracção,
a palavra exacta
que perdes para sempre.


(Trad. A.M.)

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19.6.11

Ida Vitale (Exílios)





EXILIOS



Están aquí y allá: de paso,
en ningún lado.
Cada horizonte: donde un ascua atrae.
Podrían ir hacia cualquier fisura.
No hay brújula ni voces.

Cruzan desiertos que el bravo sol
o que la helada queman
y campos infinitos sin el límite
que los vuelve reales,
que los haría de solidez y pasto.

La mirada se acuesta como un perro,
sin siquiera el recurso de mover una cola.
La mirada se acuesta o retrocede,
se pulveriza por el aire
si nadie la devuelve.
No regresa a la sangre ni alcanza
a quien debiera.

Se disuelve, tan solo.


Ida Vitale





Estão de passagem, aqui e ali,
em parte nenhuma.
Cada horizonte, o que o fogo atrai.
Podiam passar uma fenda qualquer.
Não há bússola, nem mesmo vozes.

Atravessam desertos queimados
do sol ou da geada,
campos infinitos sem um limite
que os torne reais,
de pasto e consistência.

O olhar deita-se como um cachorro,
sem o recurso sequer de abanar o rabo.
O olhar deita-se ou retrocede,
desfaz-se pelo ar
se ninguém o devolve.
Não torna para o sangue
nem alcança quem devia.

Dissolve-se, apenas.


(Trad. A.M.)

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9.6.11

Ida Vitale (A palavra infinito)





LA PALABRA INFINITO




La palabra infinito es infinita,
la palabra misterio es misteriosa.
Ambas son infinitas, misteriosas.
Sílaba a sílaba intentas convocarlas
sin que una luz anuncie su dominio,
una sombra señale a qué distancia de ellas
está la opacidad en que te mueves.
Van a algún punto del resplandor y anidan,
cuando las dejas libres en el aire,
esperando que un ala inexplicable
te lleve hasta su vuelo.

¿Es más que su sabor el gusto de la vida ?



Ida Vitale





A palabra infinito é infinita,
a palabra mistério é misteriosa.
Ambas são infinitas, misteriosas.
Sílaba a sílaba tentas convocá-las
sem que uma luz anuncie seu domínio,
ou uma sombra assinale a que distância
está a opacidade em que te moves.
A algum lado vão de explendor e aninham,
quando as deixas livres no ar,
esperando que uma asa inexplicável
te leve até ao seu voo.

É mais que o seu sabor o gosto da vida?


(Trad. A.M.)


>> A media voz (21p) / Rev. Agulha (entrevista+sobre)
 
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