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1.6.26

Nuno F. Silva (4' 33)




4’ 33

 

Pode existir tanto inferno
em cinco minutos de silêncio.

Como na lentidão com que saio
da cama todas as manhãs.

Ninguém sabe.


Nuno F. Silva

.

1.12.24

Nuno F. Silva (Novembro)




NOVEMBRO

 

Fumegam as lâmpadas queimadas
pelo frio de mil Novembros.
Esmorece como uma centelha
a luz das paisagens em pastel.
Recolhe-se o corpo para dentro do corpo.
Como as copas das árvores,
que são segredos à noite.
Amanhã virá certamente outra aurora.
Pela janela,
com a mesma vagarosa urgência de sempre
tingindo as janelas com ouro branco.


Nuno F. Silva

 .

12.9.24

Nuno F. Silva (Felina)





FELINA

 

As patas felinas
encarregam-se de reorganizar 
a ordem dos objetos
e destruir o silêncio 
quando não sei o que fazer com ele.

As patas felinas
marcam território
sobre todas as memórias
que ficaram por revisitar.  

A madrugada avança.
Eu continuo a falar para dentro.


Nuno F. Silva

[Incomunidade]

.

28.8.24

Nuno F. Silva (Dano colateral)




DANO COLATERAL

 

Um dia,
talvez este corpo
avariado

já não saiba
dar sinais.

Talvez a fome
se confunda
com saudade

E o sangue queira
nicotina
na ausência da paixão

A sonolência
não será mais
que uma secreta vontade
de abandono.


Nuno F. Silva

[Meia noite todo dia]

 

>>  Banquete poético (5p) / Jornal Tornado (5p)

.