Mostrar mensagens com a etiqueta Fermín Herrero. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fermín Herrero. Mostrar todas as mensagens

8.5.17

Fermín Herrero (Estado do bem-estar)





ESTADO DEL BIENESTAR                 
            


Con cerca de setenta años y una hernia discal
que nunca se operó mi madre está cavando el huerto.
La recuerdo siempre así, sin parar, desviviéndose por nosotros,
sus manos de penuria inquietud día y noche,
la abnegación echada al hombro hasta dejarlo
todo aviado y acabar molida: frota que te frota
ordeñando, acarreando, frota que te frota
barriendo, fregando, vareando
en la era la lana de los colchones, haciendo aulagas
para prender la lumbre y caldear la casa...
Siempre así, sudando como una descosida,
sin dar abasto y pese a todo - igual que el resto de las esclavas
de posguerra - no tiene derecho
a pensión. Cuando puede ver el parte
se hace cruces de lo bien que hablan los políticos.

Fermín Herrero




Com perto de setenta anos e uma hérnia discal
jamais operada, minha mãe anda na horta a cavar.
Recordo-a sempre assim, sem parança, a desviver-se por nós,
as mãos dia e noite de inquieta penúria,
a abnegação posta ao ombro até deixar tudo pronto
e ficar moída, toca que toca a ordenhar,
acartar, toca que toca a varrer, a esfregar,
a bater no seu tempo a palha dos colchões,
a juntar umas giestas para acender o lume e aquecer a casa.
Assim sempre, a suar feita danada,
sem descanso e apesar de tudo – tal como as outras escravas
do pós-guerra – nem direito tem a pensão.
Quando pode assistir,
 até se benze, de tão bem que falam os políticos.



(Trad. A.M.)

__________________

F.H. acaba de receber o Prémio da Crítica 1916, outorgado pela Associação Espanhola de Críticos Literários: ABC

.

9.5.15

Fermín Herrero (O desvelado)





EL DESVELADO



De madrugada te despiertas, enciendes
la radio otra vez, velando tus cadáveres
vuelves a la cocina. No hay día que se vaya
sin derrota. A pie quieto aguantas el frío
de un ardor que también perdiste. Ha empezado
a nevar con ganas, mejor, para estas noches
de claro en claro. Quién te recordará, de qué
manera te echará en falta para tomar
aliento. Acaso, alguna madrugada, alguien
se apoye en la primera cicatriz de tu memoria.

Fermín Herrero



Acordas de madrugada, ligas
o rádio, velando os teus mortos
voltas para a cozinha. Não há dia que se vá
sem derrota. Aguentas a pé quedo o frio
de um ardor que também perdeste. Começou
a nevar com força, antes assim,
para estas noites em branco. Quem te
lembrará, de que modo te sentirá a falta
para tomar alento? Talvez, certa madrugada,
alguém se apoie na primeira cicatriz
da tua memória.

(Trad. A.M.)

.

23.4.15

Fermín Herrero (Linha divisória)





MOJONERA



Todo poema acota un espacio
y lo funda, baliza un territorio. Aquí
la altura es páramo
y remanso - los hombres callan - pero
el agua baja de los montes y su voz
desnudándose al aire me traspasa. Muchos
aquí se van y pocos
vuelven, los que se quedan vagan
como espectros rulfianos pero
su corazón sin catastrar ignora
la prisa y los registros. Aquí
los frutos son de otoño y cuando
llegan, porque las casas dan
al invierno y la flor se desploma
en ruina al pasmo de las noches
en pueblos sin escuela ni tabernas. Pero
todavía en algunos
es virtud la templanza y no se pierde
el hombre por el lucro o la apariencia. Estos
son los dominios del silencio. El tiempo
aquí se para. Y me traduce.

Fermín Herrero




Todo o poema desenha um espaço
e dá-lhe fundo, baliza um território. Aqui
a altura é páramo
e remanso – os homens calam – mas
a água desce dos montes e a sua voz
trespassa-me ao desnudar-se ao vento.
Muitos se vão aqui e poucos voltam,
os que ficam vagam como espectros
rulfianos, mas o seu coração por cadastrar
desconhece a pressa e os registos. Aqui
os frutos são de Outono, quando vêm,
porquanto as casas dão para o Inverno
e a flor desfaz-se em ruína no pasmo das noites
em aldeias sem escola nem tabernas.
Mas em alguns é ainda virtude
a temperança e o homem não se perde
pelo lucro ou pela aparência. Estes
são os domínios do silêncio. O tempo
aqui detém-se. E traduz-me.


(Trad. A.M.)




>>  Abel Martín (33p) / Turismo T.A. (5p) / Escritores (linques)

.