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24.8.19

João José Cochofel (O Verão estala)





(IV)


O Verão estala por todos os poros
da casca das árvores,
da língua dos cães,
das asas das cigarras,
do bico dos peitos das mulheres
tão acerado
que rasga o véu de calor
com um golpe preciso
de lanceta.


João José Cochofel

.

30.3.17

João José Cochofel (Café)





CAFÉ



Moeda triste
que não chega a pagar o sol da tardinha
e a poeira de feno que pontilhou de oiro
teu corpo entre trigais.



João José Cochofel

.

8.6.16

João José Cochofel (Vocábulo)





VOCÁBULO



Rosa
não mais que um vocábulo
mas com perfume,
cor,
alegria,
no som mental que vem aos lábios,
às letras que uma a uma
a enunciam.

Vermelha
a cor para ser a exacta
rosa
que pronuncio.


João José Cochofel

.

25.2.16

João José Cochofel (Uma rosa no tempo)






(XXIX)


Uma rosa no tempo
começa a tingir
de tanto a desejar.
Uma rosa vermelha
no tempo cinzento
que é cansaço de esperar.

Saudade do que há-de vir,
fogo-fátuo ainda
que por dentro estremece.
Uma rosa vermelha,
tão só ela apenas,
alumia e aquece.


João José Cochofel

.

20.10.15

João José Cochofel (Não desafies a alegria)





(XVII)


Não desafies
a alegria.

Quando ela chegue
um instante só
não lhe perguntes
porquê?

Estende as mãos ávidas
para o calor
da cinza fria.


João José Cochofel


>>  DGLB (bio-biblio-linques) / Wikipedia

.