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22.6.18
Antonio Machado (Ontem sonhei que via)
Ayer soñé que veía
a Dios y que a Dios hablaba;
y soñé que Dios me oía...
Después soñé que soñaba.
Antonio Machado
Ontem sonhei que via
Deus e que lhe falava;
e sonhei que Deus me ouvia...
Depois sonhei que sonhava.
(Trad. A.M.)
.
14.3.17
Antonio Machado (À noite quando dormia)
ANOCHE CUANDO DORMÍA
Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que una fontana fluía
dentro de mi corazón.
Di, ¿por qué acequia escondida,
agua, vienes hasta mí,
manantial de nueva vida
de donde nunca bebí?
Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que una colmena tenía
dentro de mi corazón;
y las doradas abejas
iban fabricando en él,
con las amarguras viejas
blanca cera y dulce miel.
Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que un ardiente sol lucía
dentro de mi corazón.
Era ardiente porque daba
calores de rojo hogar,
y era sol porque alumbraba
y porque hacía llorar.
Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que era Dios lo que tenía
dentro de mi corazón.
Antonio Machado
À noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão,
que uma fontinha corria
dentro do meu coração.
Diz-me, que regueira escondida,
água, te trouxe até mim,
nascente de nova vida
onde eu nunca bebi?
À noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão,
que uma colmeia surgia
dentro do meu coração;
e as douradas abelhas
iam fazendo nele
com as tristezas velhas
branca cera e doce mel.
À noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão,
que um sol ardente luzia
dentro do meu coração.
Era ardente porque dava
calor até para queimar,
e sol porque alumiava
e também fazia chorar.
À noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão,
que era Deus que eu sentia
dentro do meu coração.
(Trad. A.M.)
.
23.9.14
Antonio Machado (Retrato)
RETRATO
Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla,
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierras de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.
Ni un seductor Mañara, ni un Bradomín he sido
—ya conocéis mi torpe aliño indumentario—
mas recibí la flecha que me asignó Cupido,
y amé cuanto ellas puedan tener de hospitalario.
Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.
Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética,
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.
Desdeño las romanzas de los tenores huecos
y el coro de los grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente, entre las voces, una.
¿Soy clásico o romántico? No sé. Dejar quisiera
mi verso, como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.
Converso con el hombre que siempre va conmigo
—quien habla solo espera hablar a Dios un día;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñó el secreto de la filantropía.
Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito,
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago.
Y cuando llegue el día del último vïaje,
y esté al partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontraréis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.
ANTONIO MACHADO
Campos de Castilla
(1912)
Minha infância são lembranças de um pátio de Sevilha,
mais um horto claro onde cresce o limoeiro;
a mocidade, vinte anos por terras de Castela;
minha história, alguns casos que não quero lembrar.
Não fui nem um Bradomín, nem um Mañara sedutor
- é bem conhecido meu atavio desalinhado -
mas recebi a seta que Cupido me destinou
e amei quanto elas podem ter de hospitaleiro.
Tenho nas veias gotas de sangue jacobino,
mas brota-me o verso de sereno manancial;
e, mais que homem comum sabendo a sua doutrina,
sou, como se diz, no bom sentido, um homem bom.
Adoro a beleza e, na moderna estética,
cortei as velhas rosas do jardim de Ronsard;
mas não aprecio os enfeites da nova cosmética,
nem sou dessas aves do novo gay-trinar.
Desdenho as romanças dos ocos tenores,
assim como o coro dos grilos que cantam à lua.
Detenho-me a distinguir a voz do seu eco,
mas dentre as vozes escuto só uma.
Sou clássico ou romântico? Não sei. Queria
deixar meu verso, como o capitão deixa a espada,
famosa por mor da mão que a brandiu,
não pela arte da oficina que a forjou.
Falo com o homem que anda sempre comigo
- quem fala sozinho há-de falar a Deus um dia;
minha conversa é com este bom amigo
Que me ensinou o segredo da filantropia.
Nada vos devo, no fim, vós deveis-me o que eu escrevi.
Trabalho e com meu dinheiro pago
o fato que me veste e a casa que habito,
o pão que me alimenta e a cama onde me deito.
E quando o dia vier da última viagem,
estando pronta a partir a nave que não volta,
a bordo me achareis ligeiro de equipagem,
nu ou pouco menos, como os filhos do mar.
(Trad. A.M.)
.
30.7.13
Antonio Machado (À noite sonhei que ouvia)
Anoche soné que oía
a Dios, gritándome: ¡Alerta!
Luego era Dios quien dormía,
y yo gritaba: ¡Despierta!
Antonio Machado
À noite sonhei que ouvia
Deus a gritar-me: Alerta!
Depois era Deus que dormia
e eu gritava: Desperta!
(Trad. A.M.)
.
23.3.13
23.11.11
Antonio Machado (Quatro coisas tem o homem)
Cuatro cosas tiene el hombre
que no sirven en la mar:
ancla, gobernalle y remos,
y miedo de naufragar.
Antonio Machado
Quatro coisas tem o homem
que não lhe servem no mar:
âncora, timão e remos
e medo de naufragar.
(Trad. A.M.)
.
20.5.11
Antonio Machado (Caminhante)
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Antonio Machado
Caminhante, são teus passos
o caminho, nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se caminho
e ao voltar a vista atrás
vê-se a senda que jamais
se há-de tornar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
apenas sulcos no mar.
(Trad. A.M.)
.
9.11.10
Antonio Machado (Nunca me interessou a glória)
Nunca perseguí la gloria
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse.
Antonio Machado
Nunca me interessou a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção;
amo é os mundos subtis,
imponderáveis e gentis
como bolas de sabão.
Gosto de vê-los pintar
de sol e de roxo, voar
no céu azul, abanar
de repente e estoirar.
(Trad. A.M.)
.
23.5.10
Antonio Machado (Arde em teus olhos um mistério)
ARDE EN TUS OJOS UN MISTERIO...
Arde en tus ojos un misterio, virgen
esquiva y compañera.
No sé si es odio o es amor la lumbre
inagotable de tu aljaba negra.
Conmigo irás mientras proyecte sombra
mi cuerpo y quede a mi sandalia arena.
¿Eres la sed o el agua en mi camino?
Dime, virgen esquiva y compañera.
Antonio Machado
Arde em teus olhos um mistério, virgem
esquiva e companheira.
Não sei se é ódio ou amor o lume
inesgotável da tua aljava negra.
Comigo irás enquanto fizer sombra
meu corpo e me restar areia à sandália.
És sede ou água em meu caminho?
Diz-me, virgem esquiva e companheira.
(Trad. A.M.)
.
6.2.10
Antonio Machado (Andei por muitos caminhos)
HE ANDADO MUCHOS CAMINOS
He andado muchos caminos
he abierto muchas veredas;
he navegado en cien mares
y atracado en cien riberas.
En todas partes he visto
caravanas de tristeza,
soberbios y melancólicos
borrachos de sombra negra.
Y pedantones al paño
que miran, callan y piensan
que saben, porque no beben
el vino de las tabernas.
Mala gente que camina
y va apestando la tierra...
Y en todas partes he visto
gentes que danzan o juegan,
cuando pueden, y laboran
sus cuatro palmos de tierra.
Nunca, si llegan a un sitio
preguntan a donde llegan.
Cuando caminan, cabalgan
a lomos de mula vieja.
Y no conocen la prisa
ni aún en los días de fiesta.
Donde hay vino, beben vino,
donde no hay vino, agua fresca.
Son buenas gentes que viven,
laboran, pasan y sueñan,
y un día como tantos,
descansan bajo la tierra.
Antonio Machado
Andei por muitos caminhos
e abri muitas veredas;
já naveguei em cem mares
e atraquei em cem ribeiras.
Em toda a parte vi
caravanas de tristeza,
soberbos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantões de painel
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho mau das tabernas.
Gente ruim que caminha
e vai empestando a terra...
E em toda a parte vi
gente que brinca e dança,
se pode, e que lavra
seus quatro palmos de terra.
Nunca, chegando a um lugar,
perguntam onde chegaram.
Quando caminham, cavalgam
no serro da mula velha.
Não sabem o que é a pressa
nem mesmo em dias de festa.
Onde há vinho bebem vinho,
onde não há, água fresca.
Boas pessoas que vivem,
laboram, passam e sonham
e um dia como tantos
descansam debaixo da terra.
(Trad. A.M.)
.
27.11.09
Antonio Machado (Adeus, campos de Sória)
28.10.09
Antonio Machado (Conselhos)

CONSELHOS
Sabe esperar, aguarda que venha a maré
- como na costa um barco - e não te inquiete o partir.
Quem aguarda sabe que é sua a vitória;
porque a vida é longa e a arte um brinquedo.
E se a vida é curta
e o mar não chega à tua galera,
aguarda sem partires e espera sempre,
que a arte é longa e, ademais, não importa.
Antonio Machado
(Trad. A.M.)
.
10.6.09
14.11.08
Antonio Machado (Todo pasa)
8.9.08
Antonio Machado (Todo amor é fantasia)

Todo o amor é fantasia
- ele inventa o ano, o dia,
a hora e a melodia;
inventa o amante e, mais,
a amada. Não prova nada,
contra o amor, que a amada
não existisse nunca.
Antonio Machado
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Original: Corte na Aldeia
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Fontes: Poesi.as (204p) / A media voz (51p) / A media voz-2 (28p) / Los Poetas (bio+38p) / Abel Martin (bio+biblio+antologia)
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