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8.8.26

Antonio Carlos Secchin (Na antessala)




NA ANTESSALA


Espalhei dezoito heterônimos
em ruas do Rio e Lisboa.
Todos eles, se reunidos,
não valem um só de Pessoa.

Trancafiei-me num mosteiro,
esperando de Deus um dom.
O que Ele me deu foi pastiche
da poesia de Drummond.

Ressoa na minha gaveta
um comício de versos reles.
Em coro parecem dizer:
Não somos Cecília Meireles.

O desavisado leitor
não espere muito de mim.
O máximo, que mal consigo,
é chegar a Antonio Secchin.

Antonio Carlos Secchin

 .

19.7.26

Antonio Carlos Secchin (Estou ali)




ESTOU ALI


Estou ali, quem sabe eu seja apenas 
a foto de um garoto que morreu.
No espaço entre o sorriso e o sapato
há um corpo que bem pode ser o meu.

Ou talvez seja eu o seu espelho, 
e olhar reflete em mim algum passado:
o cheiro das goiabas na fruteira, 
o murmúrio das águas no telhado. 

No retrato outra imagem se condensa: 
percebo que apesar de quase gêmeos
nós dois somos somente a chama inútil

contra a sombra da noite que nos trai. 
Das mãos dele recolho o que me resta. 
Eu o chamo de filho — e é meu pai.

Antonio Carlos Secchin

 

>>  Antonio Miranda (43 p) / Gueto (9p) / Jornal de poesia (9p) / Recanto do poeta (7p)/Alguma poesia (4p) / Wikipedia

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