POEMA
Moveu-se o automóvel – mas não devia mover-se
não devia!
Ontem à meia-noite três relógios distintos
bateram:
primeiro um, depois outro e outro:
o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco
do terceiro
Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam
Pregões de varina sem peixe
- o peixe morreu ao sair da água
e assim já não é peixe
Assim como eu que vivo uma VIDA EXTREMA.
António Maria Lisboa







