28.1.23

José Antonio Martínez Muñoz (Resistência)




RESISTENCIA, SIN EMBARGO

 

 Esta vida es hostil, bien lo sabéis,
 no le basta privarnos de lo grande y
 se complace humillándonos lo humilde,
 y nos priva de patria y utopías
 y hurga obsceno en despensas y mesillas
 y deja su amarillo entre los libros,
 las fotos, la memoria y las cosas,
 los huesos y los días y los sueños,
 que nada de eso importe, mis amigos,
 vamos a seguir vivos, mano en mano,
que no saldremos vivos de esta vida,
 aunque nunca vencidos, sin embargo.


José Antonio Martinez Muñoz 

[No supiste

 

Esta vida é ruim, bem sabeis,
não só nos priva do grande, como
se compraz em humilhar-nos
e nos rouba pátria e utopias
e remexe indecente em mesas e dispensas
e deixa o seu amarelo entre os livros,
as fotos, a memória e as coisas,
os ossos e os dias e os sonhos,
que nada disso importe, meus amigos,
vamos continuar vivos, mão na mão,
que não sairemos vivos desta vida,
embora jamais vencidos, não obstante.


(Trad. A.M.)

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26.1.23

Eduardo Guerra Carneiro




Que seja de amor. Sim. A idade alterou alguns planos.
Ou talvez não. Dizias? As sílabas e o seu duplo sentido.                
Reinventá-las para uso próprio. Fustigá-las com jeito.
Alterar o símbolo. Que seja um novo poema. De amor.
Assim poderei noite após noite segredar-te alguns planos.


Eduardo Guerra Carneiro

 

 >>  Edições 50kg (8p) / A viagem dos argonautas (info) / Wikipedia

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24.1.23

Adolfo González (Que estranho gozo)




QUÉ EXTRAÑO GOZO! 

 

¿Cómo es posible,
amor,
que esté escuchando
aquí,
en el silencio,
que esté escuchando
yo,
sin el que escucha,
las seis oscuras cuerdas
de la luz?

 

Adolfo González

 

 

Como é possível,
amor,
que eu esteja ouvindo
aqui,
no silêncio
que esteja ouvindo
eu,
sem o que ouve,
as seis escuras cordas
da luz?


(Trad. A.M.)

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23.1.23

Abelardo Linares (Como falar de mim mesmo)




CÓMO HABLAR DE MÍ MISMO?

 

¿Cómo hablar de mí mismo, cómo presentar
mi verdad sin que algo me traicione?
¿Cómo atender la voz que en mi interior me habla
cuando la vida afuera ensordece mi oído?
¿Cómo huir de las grandes palabras
sin que me huya todo lo grande que hay en ellas?
¿Cómo renunciar a lo que brilla en la belleza
si quisiera escribir con todos mis sentidos
y el halago del verbo no es distinto al del cuerpo?
¿Cómo buscar en mí lo que permanece
si el olvido es la llave de mi jardín perdido?
¿Cómo evitar que el verso condescienda al asombro
sin que así desfallezca su misteriosa llama?
¿Cómo lograr que todo lo que en mí tiembla ahora,
tiemble en ti que me lees y al fin nazca el poema?

Abelardo Linares

 

 

Como falar de mim mesmo, como mostrar
a verdade sem algo me atraiçoar?
Como atender a voz que me fala cá dentro
quando a vida fora me ensurdece os ouvidos?
Como fugir das grandes palavras
sem que me fuja o que de grande há nelas?
Como renunciar ao que brilha na beleza,
querendo eu escrever com os sentidos,
se o mimo do verbo não é diferente do do corpo?
Como buscar em mim o que permanece,
sendo o olvido a chave de meu jardim perdido?
Como evitar que o verso ceda ao assombro
sem desfalecer sua chama misteriosa?
Como lograr que tudo que em mim treme agora
trema em ti que me lês, nascendo enfim o poema?


(Trad. A.M.)

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21.1.23

Alexandre O'Neill (Primeira advertência)




PRIMEIRA ADVERTÊNCIA SÉRIA 

 

Coaxa o tempo. Zurra quando calha.
Pipila, o coitadinho. À beira charco,
plofa. 

Não te iludas. 

Testaruda, a besta arrancará
do meandro de túneis
– para bramir, à luz sem uma prega,
o tempo. 

Está atento.
 

Alexandre  O’Neill

 .

19.1.23

Vicente Muñoz Álvarez (Poesia)




POESÍA

 

El único refugio
la única salida

el único lugar
donde acudir

cuando en tu interior
todo está ardiendo.


Vicente Muñoz Álvarez

 

 

O único refúgio
a única saída

O único lugar
a que acudir

Quando dentro de ti
está tudo a arder.


(Trad. A.M.)

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>>   Repoelas (5p) / Poetas siglo XXI (8p) / Librerantes (entrevista) / Wikipedia


18.1.23

Vicente Luis Mora (Diário de um amor)




DIARIO DE UN AMOR HECHO PEDAZOS

  

Uno de enero:
el amor es no tener 
que decir te quiero

*

Su risa hace
de este salón abierto
cámara de gas

*

Me asfixio inspiro
por el auricular 
si marco el número

*

Abre los ojos
no está diciendo nada
y se le entiende todo

*

Tres de febrero:
me dice que no la mire
aún la estoy viendo

*

Digo futuro
y describo viajes
prorrumpe en silencio

*

Siendo tan chica
cómo pudo inventarse
daño tan grande

*

Gracias al móvil consigo
llevar su silencio
conmigo

*

Más que el te quiero 
que no dije me matan
los que me dijo

*

Junio: mar espejo
olas arrugan la frente
quiero que llegue el invierno

*

Se cumplió mi sueño
perdí
mi sueño

*

Vida: migajas
con una digestión
desesperante


Vicente Luis Mora

 

 

Um de Janeiro:
o amor é não ter
que dizer amo-te

*

O seu riso
faz desta sala aberta
uma câmara de gás

*

Asfixio, inspirando
pelo auricular 
ao marcar o número

*

Abre os olhos,
sem dizer nada,
mas entende-se tudo

*

Três de Fevereiro,
diz-me que não olhe para ela
e ainda estou a vê-la

*

Digo futuro
e descrevo viagens
rompe em silêncio 

*

Sendo tão pequena
como é que pode fazer
um mal tão grande

*

Com o telemóvel consigo
suportar o seu silêncio 
para comigo

*

Mais do que o amo-te
que eu não disse, matam-me
 os que ela me disse a mim

*

Junho, mar de espelho
as ondas enrugam a testa
quero que venha o Inverno

*

Meu sonho cumpriu-se
perdi
meu sonho

*

Vida, migalhas
com uma digestão 
exasperante.


(Trad. A.M.)

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