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19.7.18

Carlos Edmundo de Ory (Inverno)






INVIERNO


Sólo se oye la lluvia
Cómo besa
Con sus bocas sedientas
Los ojos de la tierra

¡Sólo se oye la lluvia
Como una extraña queja!

Silencio tú te mojas

Carlos Edmundo de Ory




Ouve-se apenas a chuva
Como beija
Com suas bocas sedentas
Os olhos da terra

Ouve-se apenas a chuva
Como um estranho queixume!

Silêncio, tu vais-te molhar

(Trad. A.M.)


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1.4.17

Carlos Edmundo de Ory (Na minha poesia não há sítios)





Na minha poesia não há sítios
Raramente há nomes ou
anos nostalgias tempos
passados pisados pontes
aquedutos ou ruas
Na minha poesia não há anais
nem tão-pouco tramas ou temas
nem bandeiras nem oficinas
Na minha poesia não há público
nem sermões nem discursos
nem passam comboios e não há
lua na minha poesia nem países
Na minha poesia não há finais
para entreter ou sonhar
com palavras cadavéricas
Na minha poesia há fulgor


Carlos Edmundo de Ory

[O melhor amigo]

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6.10.14

Carlos Edmundo de Ory (Poema)





POEMA



Amo aquilo que arde
o que voa e se abre
o que enlouquece e cresce
o que salta e se move
aquilo que bebe os ventos
e é música e contacto
o que é vasto e é casto
o que é milagre e perigo
e se espreguiça e respira
e viaja por capricho.
Amo viajar descalço.


Carlos Edmundo de Ory

(Trad. Herberto Helder)

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29.3.13

Carlos Edmundo de Ory (Num café)





EN UN CAFÉ



He vuelto ahora sin saber por qué
a estar triste más triste que un tintero
Triste no soy o si lo soy no sé
la maldita razón porque no quiero

He vuelto ahora sin saber por qué
a estar triste en las calles de mi raza
He vuelto a estar más triste que un quinqué
más triste que una taza

Estoy sentado ahora en un café
y mi alma late late
de sed de no sé qué
tal vez de chocolate

No quiero esta tristeza medular
que nos da un golpe traidor en una tarde
Pide cerveza y basta de pensar
El cerebro está oscuro cuando arde


Carlos Edmundo de Ory



Voltei agora sem saber por quê
a estar triste mais triste que um tinteiro
Triste não sou ou se sou não sei
a maldita razão porque não quero

Voltei agora sem saber por quê
a estar triste nas ruas da minha raça
Mais triste que um lampião
mais triste até que uma taça

Sento-me agora no café
e o coração bate bate
de sede de não sei quê
porventura de chocolate

Não quero esta tristeza medular
que traiçoeira nos agride uma tarde
Pede uma cerveja e basta de pensar
O cérebro fica escuro quando arde


(Trad. A.M.)

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14.4.12

Carlos Edmundo de Ory (Escrever com espada)






ESCRIBIR CON UNA ESPADA




Acariciar sin tener manos.
Encontrar pedazos de luna en los bolsillos.
Comprar una playa con gritos.
Ir al infierno a ver un amigo.
Enviar una mano a su amada.



Carlos Edmundo de Ory





Acariciar sem ter mãos.
Encontrar nos bolsos pedaços de lua.
Comprar uma praia com gritos.
Ir ver um amigo ao inferno.
Enviar uma mão à amada.



(Trad. A.M.)

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23.12.11

Carlos Edmundo de Ory (Dá-me)






DAME



Dame algo más que silencio o dulzura
Algo que tengas y no sepas
No quiero regalos exquisitos
Dame una piedra

No te quedes quieto mirándome
como si quisieras decirme
que hay demasiadas cosas mudas
debajo de lo que se dice

Dame algo lento y delgado
como un cuchillo por la espalda
Y si no tienes nada que darme
¡dame todo lo que te falta!


Carlos Edmundo de Ory





Dá-me algo mais que silêncio ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero presentes requintados
Dá-me uma pedra.

Não me fites perplexo
como se me quisesses dizer
que há demasiadas coisas mudas
por debaixo do que se diz

Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se não tens nada para me dar
dá-me tudo o que te falta!


(Trad. J.E.Simões)

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11.12.11

Carlos Edmundo de Ory (Propositions)






PROPOSITIONS




Que los adolescentes nos traigan sus poemas y no los oculten más.
Mezclar lo cotidiano con la metáfora.
Todo verdadero lenguaje es incomprensible, dice Artaud.
Antaño, la magia era un oficio permanente del hombre.
Lucidez del alucinado.
Lo contrario de la poesía abierta es la propaganda.
Matad a los autores, resucitad a las gentes.
El último poema será siempre el primero. La poesía es inagotable.
Desconcertar al público es un acto moral de la poesía, de la música, de la pintura.
No existen palabras específicamente poéticas.
Un poema es.
No buscar las palabras, escribir a vuela pluma.
Vaciarse. Estar vacío.


Carlos Edmundo de Ory





Que os adolescentes nos tragam seus poemas e não os escondam.
Misturar o quotidiano com a metáfora.
A verdadeira linguagem é incompreensível, diz Artaud.
Dantes, a magia era um ofício permanente do homem.
Lucidez do alucinado.
O contrário da poesia aberta é a propaganda.
Matai os autores, ressuscitai as pessoas.
O último poema será sempre o primeiro. A poesia é inesgotável.
Um acto moral da poesia, desconcertar o público, e da música, e da pintura.
Não existem palavras especificamente poéticas.
Um poema é.
Não buscar as palavras, escrever ao correr da pena.
Esvaziar-se. Estar vazio.



(Trad. A.M.)




>>  C.E.Ory (sítio of. tudo+algo) / A media voz (28p) / Poesi.as (19p) / Um buraco na sombra (nota+linques+17p)


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