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17.6.10
Alberto Nessi (Rosa de bar)
ROSA DI BAR
Nel secchio nascosto dai pinastri
la rosa ascolta
le voci, l’urto del sacco nel container
le scarpe di chi cerca sull’asfalto
chissà che cosa.
Rosa curiosa.
La rosa guarda
col suo occhio di fragile sorella
dei poeti, chi passa per strada,
senza essere vista, vicina
e lontana dalla gente.
Rosa paziente.
Alberto Nessi
No balde oculto pelos pinheiros
a rosa escuta
as vozes, o choque do saco no contentor
os sapatos de quem busca no chão
sabe-se lá o quê.
Rosa curiosa.
A rosa olha com seu olho de frágil irmã
dos poetas, quem passa na estrada,
sem ser vista, perto
e longe da gente.
Rosa paciente.
(Trad. A.M.)
.
28.5.10
Alberto Nessi (Neve)
NEVE
1
Coprici, neve, con il tuo silenzio
rendici muti
metti le stelle sopra il calco osceno
dei copertoni, fa’ velo agli ingranaggi
pòsati adagio sui detriti, non smettere
di coprire le piaghe
spegni la bestemmia il cachinno
il vomito del mondo
bianca luce che splendi sulla siepe
e ci fai chiari contro il vetro
a guardare l’uccello,
il nostro puro fratello.
2
Avrà avuto un’infanzia questa donna
piena di vino
che cerca l’accendino sotto il tavolo?
E l’uomo di schiena che straparla
seduto al banco con la birra scura
gesticolando tra fantasmi
abitati dal vento?
Copri, neve, coi tuoi fiori pietosi
le ferite degli uomini delusi
copri la segatura dei loro sogni
in questo bar dove si finge di vivere.
Alberto Nessi
1
Cobre-nos, neve, com teu silêncio
faz-nos mudos
põe as estrelas no traço obsceno
dos pneus, vela as engrenagens
pousa devagar sobre os detritos, não deixes
de cobrir as chagas
abafa a blasfémia o riso
o vómito do mundo
branca luz brilhando sobre a sebe
que nos faz claros contra o vidro
olhando nosso puro irmão,
o pássaro.
2
Terá ela conhecido infância, esta mulher
cheia de vinho
que procura o isqueiro debaixo da mesa?
E o homem de costas que divaga
sentado no banco com uma cerveja preta
gesticulando entre fantasmas
habitados pelo vento?
Cobre, neve, com tuas flores piedosas
as feridas dos homens desiludidos
cobre a ceifa dos seus sonhos
neste bar onde se finge viver.
(Trad. A.M.)
.
21.4.10
Alberto Nessi (Litania da erva)
LITANIA DELL’ERBA
L’erba che cresce tra le pieghe
dell’asfalto
l’erba che cura le piaghe
l’erba comune che punge
sulle scarpate
nido d’ombra d’estate
l’erba della siepe
dove guizza il ramarro
l’erba di maggio
l’erba tra i binari
e le traversine
l’erba dei ferrovieri
l’erba che nasce dalle nebbie
basse di novembre
l’erba di sempre
l’erba amara
sotto la scarpa della vecchia
l’erba miseria
l’erba di giugno che suona
sulle labbra del bambino
l’erba che trema
l’erba forte piegata
dal vento
l’erba d’argento
l’erba che non ha nome
l’erba che ha tanti nomi
che non ricordo
l’erba di tutte le ore
l’erba che non muore.
Alberto Nessi
A erva que cresce nas pregas
do asfalto
a erva que cura as chagas
a erva vulgar que pica
nas encostas
nicho de sombra estival
a erva da sebe
onde desliza o lagarto
a erva de Maio
a erva entre as linhas
e as travessas
a erva das ferrovias
a erva que nasce das névoas
baixas de Novembro
a erva de sempre
a erva amarga
sob as galochas da velha
a erva miséria
a erva de Junho assobiando
nos lábios da criança
a erva a tremer
a erva robusta
dobrada pelo vento
a erva de prata
a erva sem nome
a erva de tantos nomes
que nem me lembram
a erva de todas as horas
a erva que não morre.
(Trad. A.M.)
.
31.1.10
Alberto Nessi (A Vita)
A VITA
Talvez seja só um ballet
perante alguém que nos olha
com afecto, a vida. Um passo de dança
antes de anoitecer, como o que vejo
sem ser visto pela janela do piso térreo
ao regressar de uma volta pelo campo:
olho e és tu a ensaiar a função
de vestido comprido diante da tua mãe.
Dança dança, não te enganes no pé
dança como a folha que não cede
ao vento, dança ao de leve.
Alberto Nessi
(Trad. A.M.)
[Poesia semanal]
.
7.8.09
Alberto Nessi (É uma sorte)

È UNA FORTUNA
È una fortuna passeggiare tra i castagni
mi dici un mattino di novembre
mentre i gambi riversi del granoturco
splendono sotto le finestre e le donne dei paesi
aprono la porta della bottega. È una fortuna
marinare la vita che non ci appartiene
per ascoltare lo scricchiolìo tutto nostro
delle foglie: le parole cadono felici
come le bacche rosse dal corniolo.
È una fortuna non sbagliare sentiero
verso il poggio da dove l’eremita
qualche secolo fa guardava la Lombardia
e dove noi ci abbracciamo tra le stoppie.
Alberto Nessi
É uma sorte passear entre os castanheiros
dizes-me uma manhã de Novembro
enquanto as canas de milho tombadas
resplandecem sob as janelas e as mulheres da terra
abrem a porta da loja. É uma sorte
dobar meadas na vida que nos não pertence
para escutar o rugido todo nosso
das folhas: as palavras caem felizes
como as bagas vermelhas da cerdeira brava.
É uma sorte não se enganar no carreiro
para a colina donde o eremita
há alguns séculos olhava a Lombardia
dizes-me uma manhã de Novembro
enquanto as canas de milho tombadas
resplandecem sob as janelas e as mulheres da terra
abrem a porta da loja. É uma sorte
dobar meadas na vida que nos não pertence
para escutar o rugido todo nosso
das folhas: as palavras caem felizes
como as bagas vermelhas da cerdeira brava.
É uma sorte não se enganar no carreiro
para a colina donde o eremita
há alguns séculos olhava a Lombardia
e onde no restolho nós dois nos abraçamos.
(Trad. A.M.)
25.12.08
Alberto Nessi (As coisas)

AS COISAS
Onde é que metes as coisas todas que lês?
- perguntas-me após o aguaceiro
enquanto o céu se acende com relâmpagos
tardios. Azul cobalto com cinza. Eu estou sentado
à hindu e espreito lá do divã. Onde é que as ponho?
Umas acabam nos escombros
vem o camião na última sexta de cada mês
e leva os tapetes falsos
os cadeirões rachados, os brinquedos coxos.
Umas prendem-se nos fios, outras
leva-as o vento e enterra-as na areia.
Ficam as coisas que não deixam em paz
as coisas que cortam, que magoam
as que escavam galerias
as coisas que gorjeiam e reluzem
as coisas vivas
as coisas.
Alberto Nessi
(Trad. A.M.)
- perguntas-me após o aguaceiro
enquanto o céu se acende com relâmpagos
tardios. Azul cobalto com cinza. Eu estou sentado
à hindu e espreito lá do divã. Onde é que as ponho?
Umas acabam nos escombros
vem o camião na última sexta de cada mês
e leva os tapetes falsos
os cadeirões rachados, os brinquedos coxos.
Umas prendem-se nos fios, outras
leva-as o vento e enterra-as na areia.
Ficam as coisas que não deixam em paz
as coisas que cortam, que magoam
as que escavam galerias
as coisas que gorjeiam e reluzem
as coisas vivas
as coisas.
Alberto Nessi
(Trad. A.M.)
.
Fontes: Festival de poesia de Medellin (3p(esp.)+nota) / Poesia semanal (5p(esp.)+vídeo) /
Lyrikline (10p(it.)+vídeo) / Culturactif (pag.especial)
.
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