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30.6.12

Carlos Nejar (O universo)





O UNIVERSO




O universo é um carreiro.
Estamos
no fim de nós mesmos.
Nada nos basta.
Nada é um instante.
E os extremos se iluminam,
gastando.


CARLOS NEJAR
A Idade da Eternidade
- Poesia reunida
IN-CM (2001)

.

25.12.11

Carlos Nejar (Mão que voa)






MÃO QUE VOA





Poesia
não se aperta
na mão
como um pássaro
doente.

Poesia é a mão
que voa
com o pássaro.




CARLOS NEJAR
A Idade da Eternidade
- Poesia reunida
IN-CM (2001)




> Voo sem pássaro dentro (Adolfo Casais Monteiro)



.

8.11.11

Carlos Nejar (Sem raízes)






SEM RAÍZES



Nos deslocamos
do solo. Tudo
em nós pede
pátria.


CARLOS NEJAR
A Idade da Eternidade
- Poesia reunida
IN-CM (2001)


.

12.10.11

Carlos Nejar (Lume)






LUME




Para eu amar contigo, quantos desamaram;
para que este verso nos tocasse,
quantas palavras sepultadas,
para que eu chegasse a ti, quantos
fugiram. Para que não
houvesse morte.



CARLOS NEJAR
A Idade da Eternidade
- Poesia reunida
IN-CM (2001)

.

30.12.09

Carlos Nejar (Redondel)







REDONDEL



O coração se acrescenta
ao coração se acrescenta
a outro e senta sob a árvore
- tudo tão nuvem entre
um coração e outro -
redondos os sins, os vãos,
a noite na concha
do coração, o pampa
e os corações sentados
e um coração voando.


Mudando, tudo é possível
recomeçar.


Carlos Nejar

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16.11.09

Carlos Nejar (De como a terra-3)









3.


O homem se desgasta,
sopro misturado
ao sopro rijo do arado.
Vai cavando.


Madrugada sai da terra,
como um corpo se entreabre
para o orvalho e para o trigo.


O homem vai cavando,
vai cavando a madrugada.



Carlos Nejar




6.11.09

Carlos Nejar (De como a terra-2)









2.

Que será do novo homem
sobre a terra que vergasta ?
Sangra a terra, pasce o gado
e o trabalho é o que nos passa.


Vem o sol e cava a terra;
a semente é como espada.
Há uma noite que nos gera
quando a noite é dissipada.


Vem a noite e cava a terra;
vem a noite, é madrugada.



Carlos Nejar


14.10.09

Carlos Nejar (De como a terra-1)









DE COMO A TERRA E O HOMEM SE UNEM




1.

Fica a terra, passa o arado,
mas o homem se desgasta;
sangra o campo, pasce o gado,
brota o vento de outro lado
e a semente também brota.
Fica a terra, passa o arado
e o trabalho é o que nos passa,
como nome, como herança;
fica a terra, a noite passa.


A semente nos consome,
mas a terra se desgasta.




Carlos Nejar


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2.9.09

Carlos Nejar (Lisura)









LISURA





Entras na morte,
como se entra em casa,
desvestindo a carne,
pondo teus chinelos
e pijama velho.


Entras na morte,
como alguém que parte
para uma viagem:
não se sabe o norte
mas começa agora.


Entras na morte,
sem escuros,
sem punhais ocultos
sob o teu orgulho.


Entras na morte,
limpo
de cuidados breves;
como alguém que dorme
na varanda enorme,
entras na morte.



Carlos Nejar









Fontes: Nejar (sítio pess. / 51p+diversos) / Revista Agulha (10p+linques) / Releituras (biblio) / Antonio Miranda (7p)


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