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18.12.24

Aurora Luque (Um periscópio com o horizonte)




UN PERISCOPIO CON EL HORIZONTE

 

Si frecuenté los libros, ciertos libros,
fue porque regalaban amistad, 
bálsamos para el mal de la rutina, 
no sé qué compañía en noches duras 
o en el apetecer acantilados, 
tertulias con mujeres y hombres de cien plazas,
consolación en horas 
de asombrosa miseria.  

Sí, frecuento los libros porque ellos me regalan 
formas apasionadas de amistad:
fabulosos veranos envasados, 
el amoroso arte de mirar 
con ojos de palabras, 
llaves para hospedarme en islas mudas 
desnuda cuerpo adentro 
y posibilidades de zarpar 
desde puertos antiguos y canallas 
con la tripulación de los poetas.  

Frecuentaré, abrazándolos, 
los libros que regalen su camaradería 
y un periscopio abierto con todo el horizonte.
 

Aurora Luque 

 

Se frequentei os livros, certos livros,
foi porque me ofereciam amizade,
bálsamos para o mal da rotina,
até companhia em noites duras
ou na atracção dos abismos,
tertúlias com mulheres e homens de cem praças,
consolação em horas
de assombrosa miséria. 

Sim, frequento os livros pois me oferecem
formas de amizade com paixão,
verões fabulosos,
a amorosa arte de olhar
com olhos de palavras,
chaves para me hospedar em ilhas mudas
desnuda corpo adentro
e possibilidades de zarpar 
de portos antigos e canalhas
com a tripulação dos poetas. 

Frequentarei, abraçando-os,
os livros que me dêem camaradagem
e um periscópio aberto com vtodo o horizonte.
 

(Trad. A.M.)

 .

27.2.23

Aurora Luque (As pontes inflamáveis)




LOS PUENTES INFLAMABLES

 

A punto de cruzar          
ese puente del medio del camino           
cuando vas eligiendo malgré toi
los llamados placeres sencillos de la vida
-sabiendo que, en el fondo, te eligen a ti ellos,  
te suman a su séquito caduco-  
simplificas el cálculo del mundo: hasta de la belleza       
que presumías tan incalculable.              
Y descubres que todo se reduce              
a viajar de lo mucho a lo muy menos,    
de lo poblado al viento del desierto,      
del exceso a lo escaso, 
a declinar palabras consabidas  
o a declinar sin más, intransitivamente, 
a cambiar los magníficos plurales            
por un acorralado singular         
enarbolando alguna resistencia...           

Los puentes inflamables
del medio del camino de la vida.

Aurora Luque

 

Na hora de atravessar
essa ponte do meio do caminho
quando vais escolhendo malgré toi
os chamados prazeres simples da vida
- sabendo que no fundo são eles que te escolhem a ti,
somando-te a seu séquito caduco -
então simplificas o cálculo do mundo,
até da beleza
que presumias tão incalculável.
E descobres que tudo se reduz
a viajar do muito para o muito menos,
do povoado para o vento do deserto,
do excesso para o escasso,
a declinar palavras consabidas
ou a declinar sem mais, intransitivamente,
a trocar os magníficos plurais
por um cerco singular
esboçando alguma resistência…

As pontes inflamáveis
do meio do caminho da vida.


(Trad. A.M.)

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10.2.20

Aurora Luque (Tópico)





TÓPICO



Ya no atrapes el día -no se deja,
no es tan fácil ser dueño del presente,
persistir en la dicha o detenerla
para el trámite mínimo
de asignarle palabras.
Y ni al acariciar
las sienes o los pómulos o el pecho
que con furia deseas, cuando la luz parece
palparse con las yemas de los dedos,
estás lejos al fin de los vampiros:
la Utopía, el Vacío, la Memoria.
Amas para escribirlo solamente,
la dicha pide a gritos que un recuerdo
del futuro la abrace y la duplique.
No corras tras el día. Si no lo acosas puede
que se tienda sumiso
de noche en tu regazo.

Aurora Luque




Não agarres o dia - ele não deixa,
ser dono do presente não é assim fácil,
nem manter a fortuna ou detê-la
para o trâmite mínimo
de lhe assinar palavras.
Nem ao afagar a fronte a face ou peito
que ardentemente desejas, quando a luz parece
palpar-se com as pontas dos dedos,
estás longe dos vampiros,
a Utopia, o Vazio, a Memória.
Amas só para escrever,
a fortuna pede aos gritos que uma lembrança
do futuro a abrace e a duplique.
Não corras atrás do dia. Se o não apertares,
talvez ele à noite
se estenda no teu regaço.

(Trad. A.M.)

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20.12.19

Aurora Luque (Hybris)





HYBRIS


En la cima, la nada.        
Pero todo se arriesga por la cima
del amor o del arte.

Aurora Luque



No cume, o nada.
Mas tudo se arrisca pelo cume
do amor ou da arte.

(Trad. A.M.)

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24.11.19

Aurora Luque (Eau de parfum)





EAU DE PARFUM



De la infancia, el olor    
del musgo en las acequias, del barro, de las moras         
y la extrema violencia de aprenderse.    
              
Del mar, la última nota 
de la última ola desplegada
antes de regresar y convencernos           
de que no habrá sirenas.                           

De la noche, las leves veladuras               
de un perfume italiano 
todavía de moda.                          

De tu cuerpo, el aroma               
de libro de aventuras
vuelto a leer; pero también de adelfas  
desoladas y ardiendo.                  

Huele a vida quemada.                

Aurora Luque



Da infância, o cheiro
do musgo nas levadas, da lama, das amoras
e a violência extrema de aprender.

Do mar, a última nota
da última onda desdobrada
antes da volta, teimando
que sereias não existem.

Da noite, a ligeira fragrância
de um perfume italiano
sempre na moda.

De teu corpo, o aroma
de livro de aventuras
em nova leitura; mas também de
loendros desolados, a arder.

Cheira a vida queimada.

(Trad. A.M.)



>>  A media voz (25p) / Cervantes (anto+perfil+biblio)

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