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8.9.22

Yolanda Castaño (Janelas)



VENTANAS

 

Son
una ventana abierta al mundo. 

El racimo de una región. Un cielo diletante.
La mandíbula del horizonte llenándose como un vaso. 

Las nuestras antes estaban
hechas de madera vieja;
responso tonto del bosque,
ajuar poroso y podrido, una
rutina de corteza seca día a día perdiendo centro. 

¿Te acuerdas de cómo se las podía horadar con la uña del dedo meñique?
Mira que te he hablado veces de la conciencia.

 Cáscara del castaño, quillas de nuestro asombro. 

Este es el cristalino de la casa ungido por la transparencia.
Pulguitas de luz repican en los marcos. 

A veces teníamos que poner un tope
improvisado para mantenerlas abiertas.
O no cerraban bien,
y el viento entraba silbante y violador por una grieta
hasta el puro hogar de nuestras casas. 

¿Cómo prescindir de ellas? ¿Cómo estar sin estar? 

Por eso ahora sonreímos felices, satisfechos,
emprendimos reformas e instalamos por fin las radiantes,
las inteligentes nuevas ventanas.
Como pájaros oscilobatientes encajan, reverencian. 

Se abren
para dentro.

 

Yolanda Castaño

  

 

São
uma janela aberta ao mundo.

O cacho de uma região. Um céu diletante.
A mandíbula do horizonte a encher-se como um copo.

As nossas dantes eram feitas de madeira velha;
responso tonto do bosque,
enxoval podre e esburacado, uma
rotina de casca seca a perder miolo dia a dia.

Lembras-te como se podiam furar com a unha do dedo mindinho?

Casca do castanheiro, quilhas do nosso assombro.

Este é o cristalino da casa ungido pela transparência.
Pulguitas de luz repicam nos caixilhos.

Às vezes tínhamos de pôr uma trava
improvisada para as manter abertas.
Ou não fechavam bem,
e o vento entrava a assobiar por uma fresta
até à lareira das nossas casas.

Como prescindir delas? Como estar sem estar?

Por isso agora sorrimos felizes, satisfeitos,
fazemos reformas e pomos enfim as radiantes,
as inteligentes novas janelas.
Como pássaros oscilo-batentes encaixam, reverenciam.

Abrem-se
para dentro.


(Trad. A.M.)

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8.4.21

Yolanda Castaño (Deixa alongar-se esta inquietação)



Deja que se alargue esta inquietud del ahora.
Que tarde, que tarde tanto
                                                        la patria de este
movimiento de la servidumbre del pan.

Yo me acaramelaba encerrada en una urna
pero no enlazaba nunca la miseria de una carencia.

Deja que mane
                       una prisa lentísima

y que el deseo sea
                      inmovilización de la urgência.


Yolanda Castaño

 

 

Deixa alongar-se esta inquietação do presente.
Que tarde, que tarde tanto
                                            a pátria deste
movimento da servidão do pão.

Eu oferecia-me fechada numa urna
mas não abraçava nunca a miséria da carência.

Deixa manar
               uma lentíssima pressa

e que o desejo seja
                               a imobilização da urgência.


(Trad. A.M.)

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8.3.21

Yolanda Castaño (Se falasse de ti)



Si hablase de ti no pronunciaría
                                            as sílabas supremas
pero besas bien y me gusta estar contigo.
Mi verde con tu azul.
Delirio de ramas.
Mi verde con tu azul.

Me abstengo de pronunciar esas sílabas sublimes
pero me gusta cómo abrazas y tu pelo hace juego con mi vestido.
Tus dedos patinan en mis medias.
Mi verde con tu azul.


Yolanda Castaño

 

 

Se falasse de ti não pronunciaria
                                            as sílabas supremas
mas beijas bem e eu gosto de estar contigo.
Meu verde com teu azul.
Delírio de ramos.
Meu verde com teu azul.

Não pronunciarei essas sílabas sublimes
mas gosto de como abraças
 e teu cabelo joga com meu vestido.
Teus dedos patinam nas minhas meias.
Meu verde com teu azul.


(Trad. A.M.)



 

>>  Yolanda Castano (sítio of) / A media voz (12p) / Poeticous (11p) / Wikipedia

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