CABEÇA VAZIA
Caminho lento pelo vazio
que preenche este recinto
onde não moram objetos
nem almas se vislumbram.
É de um cinzento cremado.
Nem sei se marcho a direito
ou se o percorro em círculos,
sem propósito e sem fervor.
A pouca luz envergonhada
que entra por vias travessas
não chega para ver o céu
nem dá saídas pró mundo.
Carrego alguns pensamentos
que se movem sem espessura;
no útero desta cabeça oca,
serão poemas para nascer?
Guilherme de Oliveira
[Triplov]

