30.1.21

Ana Paula Inácio (Debaixo do cipreste)

 


debaixo do cipreste
um velho
no pasto, as vacas
no céu as nuvens
rápidas 

o cipreste está muito verde
a terra muito castanha
o velho muito cinzento
o céu muito nublado
as vacas muito paradas
 

Ana Paula Inácio

 [Hospedaria Camões]

 .

28.1.21

José María Fonollosa (Rambla de Canaletes 2)

 


RAMBLA DE CANALETES 2

 

Soy insignificante. No soy alto
ni apuesto. No soy rico. Ni siquiera
despertaría envidia mi salud.

Por eso cuando estoy con gente extraña
hablo estupendamente de mí mismo,
de mis grandes proyectos, de mi gran
capacidad -"Veréis"- al realizarlos.

Edifico en las plazas y jardines
-mentalmente, se entiende- pedestales.
-"Lo veis -diría-. Aquel busto allí arriba
es el mío. Y mi nombre está aquí. Leedlo"-
Y digo "Amigo", "Tú"... Bueno, esas cosas.

Me temo, sin embargo, que no engaño
a nadie, pues se callan o responden
con un discurso igual a mi discurso.
Pero tengo que hacerlo, pues no soy
como veo a los otros desde mi óptica:
altos, apuestos, ricos, saludables...
¿O, acaso, no lo son y cual no fingen?

 

JOSÉ MARÍA FONOLLOSA
Ciudad del hombre: Barcelona
(1996)

 


Sou insignificante. Não sou alto
nem bem-posto. Não sou rico. Nem a saúde
sequer despertará inveja a ninguém.

Por isso quando estou com estranhos,
falo muitíssimo bem de mim mesmo,
dos meus grandes projectos, da minha enorme
capacidade – ‘Heis-de ver’ – ao realizá-los.

Edifico em praças e jardins
- mentalmente, entenda-se – altos pedestais.
- ‘Ora vêde – diria – Aquele busto ali
é meu. E meu nome está aquí, ora lêde’
 – E digo ‘Amigo’, ‘Tu’, essas coisas.

Creio, todavia, que não engano ninguém,
já que ou se calam ou me respondem
na mesma moeda.

Insisto, contudo, pois não sou
tal como vejo os outros: 
ricos, bem-postos, altos e saudáveis…
Ou, porventura, não são, e apenas fingem?

(Trad. A.M.)

 .

27.1.21

José María Cumbreño (A campainha)

 


EL TIMBRE


Sé que me dijiste que no pensabas volver. Que te marchabas
          definitivamente.
Que, según tú, era lo mejor para los dos.
Lo sé.
A pesar de todo, no quise que me devolvieras las llaves.
Porque aunque no me hayas llamado ni una vez.
Ni una sola.
Ni cojas el teléfono cuando yo lo hago.
Todas las tardes, al regresar del trabajo, antes de abrir la
          puerta pulso el timbre.
Y espero.

Por si acaso. 


José María Cumbreño

[Emma Gunst]

 

 

Sim, disseste que não voltavas.
Que te ias embora para sempre.
Que era o melhor para ambos, na tua opinião.
Bem sei.
Apesar de tudo, não quis que me devolvesses a chave.
Porque, embora não me ligasses uma única vez.
Uma só.
Nem atendas o telefone quando eu ligo.
Todas as tardes, ao voltar do trabalho,
antes de abrir a porta,
eu toco à campainha.
E espero.

Para o caso de.


(Trad. A.M.)

.

25.1.21

Isabel Mendes Ferreira (A/gosto)

 


______________ a(gosto) de des.gostar.
sempre bom não esquecer.


gosto de pessoas muito importantes.
aquelas que escrevem ácido sobre tudo e
sobre todos. gosto da falta de memória da
falta de pudor da nenhuma elegância gosto
de pessoas altas e magras esquálidas e
nocturnas obesas e vampirescas cultas
perdidamente belas na sua bola de cristal.
gosto de desgostar e de viver nesta terra de
respirações quixotescas que nos embalam o
gosto de nunca mais gostar. gosto de partir
sentada no lado mais visível das sombras e
de chegar não estando. gosto de ver e fingir
que não vejo o lado magnífico onde tudo se
compra menos a passagem para um mundo
melhor. gosto da inocência dos espelhos.


Isabel Mendes Ferreira


>>  Palavrar (10px14) / IMF (blogue) / UFS (estudo)

.

23.1.21

José Luis Zuñiga (Jogos florais)

 


JUEGO FLORAL

 

¿Quieres que te lo diga 
al modo más romántico? 

Te lo diré: tu boca 
tiene sabor a cántaro
y tu almendro está en flor.


José Luis Zuñiga

[Tiempo a destiempo]

 

 

Queres que to diga
ao jeito mais romântico?

Eu digo: tua boca
sabe a cântaro
e a tua amendoeira
está em flor.


(Trad. A.M.)

.

22.1.21

José Luis García Martín (Haikus)

 


Solo conmigo,
y en el centro del mundo,
esta mañana.

·

Revoloteas
y no te posas nunca,
felicidad.

·

En la hojarasca
que anticipa el otoño,
todos mis sueños.

·

Solo se escucha
el rumor de los versos
en la honda noche.

·

Cuántas maneras
de decir lo que importa
tiene el silencio.

·

¿Quién me acompaña
en esta ardiente noche
si duermo solo?

·

Sílaba a sílaba
una cárcel construyo
en que encerrarme.

·

Música, cesa
que de pronto en la noche
un grillo canta

 

J.L.  García Martín

  

 

A sós comigo,
no centro do mundo,
esta manhã.

.

Revoluteias
e jamais pousas,
felicidade.

.

Na folharada
que outono antecipa,
todos meus sonhos.

.

Apenas se escuta
o rumor dos versos
na funda noite.

.

Quantas maneiras
de dizer o que importa
tem o silêncio.

.

Quem me acompanha
nesta noite ardente,
se durmo só?

.

Sílaba a sílaba
um cárcere construo
para me encerrar.

.

Música, cessa,
que na noite súbito
um grilo canta.


(Trad. A.M.)

.

20.1.21

Pedro Tamen (Resumo)

 


RESUMO

  

Entrego o dia de hoje ao de amanhã
como quem dá um fruto a outra boca:
assim, de dia em dia, faz-se o dia
– tranquilo, universal, inadiado.

Só que não é o rio que me lava,
mas água definida, em seu lugar.

Pedro Tamen

 .

18.1.21

José Hierro (Nuvens)

 


LAS NUBES

 

 Inútilmente interrogas.
 Tus ojos miran al cielo.
 Buscas, mirando a las nubes,
 huellas que se llevó el viento. 

Buscas las manos calientes,
los rostros de los que fueron,
el círculo donde yerran
tocando sus instrumentos. 

Nubes que eran ritmo, canto
sin final y sin comienzo,
campanas de espumas pálidas
volteando su secreto, 

palmas de mármol, criaturas
girando al compás del tiempo,
imitándole a la vida
su perpetuo movimiento.

Inútilmente interrogas
desde tus párpados ciegos.
¿Qué haces mirando a las nubes,
José Hierro?

 
José Hierro



Inutilmente interrogas.
Teus olhos olham para o céu.
Buscas, olhando as nuvens,
pegadas que o vento levou.

Buscas as quentes mãos,
os rostos dos que se foram,
o círculo em que vogam
tocando seus instrumentos.

Nuvens que eram cadência,
canção sem fim nem princípio,
sinos de branca espuma
fazendo rodar seu segredo,

palmas de mármore, entes
girando a compasso com o tempo
mimando da vida
seu perpétuo movimento.

Inutilmente interrogas
com tuas pestanas cegas.
Olhando para as nuvens,
que fazes tu, José Hierro?


(Trad. A.M.)

.

17.1.21

José Emilio Pacheco (Panteões)

 


PANTEONES

 

Veo entre la niebla el cementerio en silencio.
No pienso en otro mundo: me indigna este
que se deshace así de los muertos.
Da horror pensar en los restos abandonados,
más durables que afectos y gratitudes.

Hay que acabar con los panteones
y su intolerable perpetuación del olvido.
Todos debemos ser ceniza arrojada al aire,
volver cuanto antes al polvo
que en su misericordia nos absuelva y acoja.

José Emilio Pacheco

[Trianarts]



Vejo por entre a névoa o cemitério em silêncio.
Não penso em outro mundo, indigna-me este
que se desfaz assim dos mortos.
Que horror pensar nos restos abandonados,
durando mais que os afectos e a gratidão.

Acabemos com os panteões
e sua intolerável perpetuação do olvido.
Temos de ser todos cinza atirada ao ar,
voltar ao pó quanto antes,
que em sua misericórdia nos receba e absolva.


(Trad. A.M.)

.

15.1.21

António Reis (Se o outono)



Se o outono
fosse o cheiro de frutos
na memória

e os frutos
a calma dos sentidos

o nosso rosto com luz
ou néon
pelos cabelos
seria um retrato de mágoa
olhando o chão

António Reis

 .

13.1.21

José Corredor-Matheos (Eu sou um peixe)

 


Yo soy un pez, un pez
que va por el jardín,
tan libre como un árbol.
Soy un árbol, que tiene
raíces en el cielo,
como un pájaro.
Y soy también un pájaro,
y son míos los cielos
las aguas y la tierra.
¿Por qué, si soy un pez,
un pájaro y un árbol,
la angustia de ser hombre
hace que todo
me resulte, de pronto,
tan extraño? 

JOSÉ CORREDOR-MATHEOS
Un pez que va por el jardín
Editorial Tusquets (2007)




Eu sou um peixe, um peixe
que anda pelo jardim,
tão livre como árvore.
Sou uma árvore, com as raízes
no céu, como um pássaro.
E sou também pássaro
e meus são os céus,
as águas e a terra.
Como é que, sendo peixe,
pássaro e árvore,
a angústia de ser homem
faz que tudo me pareça,
de repente,
tão estranho? 

 (Trad. A.M.)
.

12.1.21

José Cereijo (Luz de Março)

 


LUZ DE MARZO               

                                         

En esta luz de marzo,
en esta luz estremecida y pura
que un dios benevolente trajo hoy a tu ventana
y que hace avergonzarse a tu silencio,
además de su inmensa, callada compañía,
hay una lección honda que debes aprender:
no pueden tus palabras retenerla;
no pueden mejorarla. 

Acata esa Belleza, tan superior a ti, y déjala perderse.
Y que el silencio sea tu forma de homenaje.

 
José Cereijo

  

Nesta luz de Março,
nesta luz trémula e pura
que um deus benévolo te trouxe hoje à janela
e que envergonha teu silêncio,
para lá da sua calada companhia,
há uma lição profunda que tens de aprender:
não podem tuas palavras retê-la,
não podem melhorá-la.

Acata essa Beleza, mais alta, e deixa-a perder-se.
E seja o silêncio tua forma de homenagem.


(Trad. A.M.)

.

8.1.21

José Antonio Labordeta (Foi isso)

 


ESTO FUE...

 

 Apenas un recuerdo, un vago sueño
de pasados domingos sin iluminarias
donde los camareros se aburrían
en establecimientos de segunda categoría. 

Todo lo demás es un recuerdo nostálgico
de prensados días escolares
en el juvenil guardapolvo de los lunes. 

Un sueño escaso de lluvias impares,
de noches inconclusas en mi pijama a rayas,
de furtivas huidas sin permiso
y, quizás, de algún funeral sin esperanza. 

Años cautivos que huyeron de nosotros
a través de unos textos donde puede leerse: 

Hoy no llueve... Domingo...
Quizás mañana muertos...
Mi padre me ha pegado...
Ya no hay amor... La una menos diez...
Huimos...
         Y huimos para siempre.

 

José Antonio Labordeta

  

 

Uma recordação apenas, um vago sonho
de passados domingos sem luminárias
onde os empregados se aborreciam
em estabelecimentos de segunda.

Tudo o mais é uma lembrança nostálgica
de longos dias escolares
na gabardina das segundas-feiras.

Um sonho escasso de chuvas ímpares,
de noites inconclusas no meu pijama de riscas,
de fugas furtivas sem licença
e, talvez, de algum funeral sem esperança.

Anos cativos que nos escaparam,
por agendas onde pode ler-se:

Hoje não chove… Domingo…
Amanhã quiçá mortos…
Meu pai bateu-me…
Não há amor já… Uma menos dez
Fugimos…
               E fugimos para sempre.

(Trad. A.M.)

.

7.1.21

José Antonio Fernández Sánchez (Um momento indelével)

 


UN MOMENTO INDELEBLE

                                                   

Me viene a la memoria, muy tenaz,
el recuerdo de aquella madrugada.

Tu marcha me hizo comprender la muerte
que tiempo atrás te fue siempre acechando
-cuánta perseverancia en su insistencia-
llamando en la distancia, exhibiéndose.

Aquella noche, ahora permanente,
dejaste de luchar y renunciaste
a vivir en tu cuerpo.
 Así te fuiste:

dejándome la mano ya sin sangre,
que mi mano cogió, y, acariciándola,
dejó de palpitar. Yo te miré
como nunca antes hice,
y noté -creo, estoy casi seguro-
una sonrisa clara mas muy breve
que adelantaba lo que vino entonces:

un extraño silencio.

José Antonio Fernández Sánchez

[JAFS]

 


Vem-me à lembrança, teimosamente,
a recordação daquela madrugada.

A tua partida fez-me compreender a morte
que já antes te ia espreitando
- que persistência na sua teima -
a chamar de longe, a mostrar-se.

Naquela noite, agora permanente,
deixaste de dar luta e renunciaste
a viver no teu corpo.
E assim te foste:

deixando-me a mão inerme,
abandonada na minha mão,
já sem pulsar. Eu olhei-te,
como jamais antes fizera, e notei
- creio, tenho quase a certeza –
um sorriso claro mas muito breve,
antecipando aquilo que veio depois:

um estranho silêncio.


(Trad. A.M.)

 .

5.1.21

Gonçalo M. Tavares (Ignorância)

 


IGNORÂNCIA

 

Uma ignorância súbita, de uma intensidade incalculável.
É não entender da forma mais humana que existe.
Não é o medo, no animal,
Não é a explosão na matéria: é o espanto.

 
Gonçalo M. Tavares

 .

4.1.21

José Ángel Valente (A si dou-lhe uma flor)

 


A USTED

 

A usted le doy una flor,
si me permite,
un gato y un micrófono,
un destornillador totalmente en desuso,
una ventana alegre.
Agítelos.
Haga un poema
o cualquier otra cosa.
Léasela al vecino.
Arrójela feliz al sumidero.
Y buenos días,
no vuelva nunca más, salude
a cuantos aún recuerden
que nos vamos pudriendo de impotencia.
 

José Ángel Valente

[ Life vest under your seat]

 

 

A si dou-lhe uma flor,
se me permite,
um gato, mais um microfone,
um desandador fora de uso,
uma janela airosa.
Agite tudo.
Faça um poema
ou outra coisa qualquer.
Leia-a ao vizinho.
Atire-a feliz  para o lixo.
E bom dia,
não volte nunca mais, dê cumprimentos
a quantos se lembrarem ainda
que vamos apodrecendo de impotência.

 
(Trad. A.M.)

 


3.1.21

José Alcaraz (Vou baixar o som dos automóveis)

 


(12)

Voy a bajar el sonido de los coches / hasta que no se oigan. / Y el de las tiendas, / y el de los teléfonos. / El jadeo de los mercados, / el grito de las barriadas, / el sollozo de las oficinas. // Voy a poner mi mano / sobre las bocas de los árboles / para que no cuenten / viejas historias de ahorcados, / y después engrasar / los raíles de las órbitas / y de los caminos al trabajo. // Voy a pedir silencio / en todas las clases, / hacer de la gente una biblioteca / para estudiarlo. // Quiero que el ruido abandone / este poema, / escuchar sólo / tu corazón.

 José Alcaraz

 

Vou baixar o som dos automóveis / até não se ouvirem. / E o das lojas, / e dos telefones. / O arquejar dos mercados, / o grito dos bairros / o soluço dos escritórios. // Vou pôr a mão / nas bocas das árvores / para não contarem / velhas histórias de enforcados, / e depois untar / os railes das órbitas / e dos caminhos para o trabalho. // Vou pedir silêncio / em todas as aulas, / fazer das pessoas uma biblioteca / de estudo. // Quero que o ruído saia / deste poema, / ouvir apenas / teu coração.

 (Trad. A.M.)

 .

1.1.21

Nuno Dempster (Acaso)

 


ACASO

 

Quando, pela primeira vez, a vi sair
do eléctrico em Lisboa,
era tarde demais para eu saber
o que haveria nela:
que luz, além
do calor que endoidece
as noites de verão,
e que esperança,
salvo esse impulso de árvore.
Vivia para o sol como eu vivi,
para as noites que brilham na cidade
por entre a multidão,
onde só dois se podem encontrar.
Era tarde demais.
Foi-se o tempo em que tudo e nada dura,
e hoje penso no acaso sem remédio
de cada um de nós guardar
o passado em gavetas separadas.

Nuno Dempster

 .

31.12.20

ÍNDICE DE AUTORES (2005-20)

 


A., Ruben
ABAD, Begoña
ABASS, Umar
ACEBAL DOVAL, Rocío
ACQUARONI, Rosana
AGUADO, Jesús
AGUIAR, Cristóvão
AGUIAR, Jorge
AGUIRRE, Francisca
AGUIRRE, María Belén
AGUIRRE, Raúl Gustavo
AGUSTINI, Delmira
ALBA, Sebastião
ALBERT, Irene
ALBERTI, Rafael
ALBORNOZ, Pablo
ALCARAZ, José
ALCUBILLA, Pedro César
ALEGRE, Manuel
ALEGRIA, Claribel
ALEIXANDRE, Vicente
ALEXANDRE, António Franco
ALIAGA, Cristian
ALIAGA IBAÑEZ, Rosa
ALIEBURI, Ibne Ayyas
ALISBUNI, Ibne Mucana
ALMEIDA, Fialho
ALMEIDA, José António
ALMUTÂMIDE, Mohâmede
ALMUZARA, Javier
ALONSO, Dámaso
ÁLVAREZ, Montserrat
ALVIM, Francisco
AMAR, Ibne
AMARAL, Ana Luísa
AMARO, Luís
AMPUERO, Jorge
ANDRADE, Carlos Drummond
ANDRADE, Eugénio
ANDRADE, Jotaele
ANDRADE, Mário
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner
ANDREU, Pedro
ANDRUETTO, María Teresa
ANSELME, Jean l‘
ANTUNES, António Lobo
ARAUJO, Mercedes
ARIDJIS, Homero
ASSIS, Machado
ASUNCIÓN ALONSO, Martha
ATWOOD, Margaret
AUB, Max 

BANDEIRA, Manuel
BAPTISTA, Amadeu
BAPTISTA, José Agostinho
BARAHONA, António
BARNET, Miguel
BARRAL, Juanjo
BARRERO, Hilario
BARRON, Néstor
BARROS, José Carlos
BARROS, Manoel
BARRUECO, José Ángel
BATANIA
BAUDELAIRE, Charles
BAUTISTA, Amalia
BEAUVOIR, Simone
BECHARA, Eduardo
BEJARANO, Julián
BELLI, Gioconda
BELO, Ruy
BELTRAN, Fernando
BENEDETTI, Mario
BENET, Susana
BENÍTEZ REYES, Felipe
BENITO DE LUCAS, Joaquín
BENTO, José
BERGAMÍN, José
BERTO, Al
BERTONI, Claudio
BESSA-LUÍS, Agustina
BIGURI, Íker
BLANDIANA, Ana
BOCAGE
BOCCANERA, Jorge
BOLAÑO, Roberto
BONET, Juan Manuel
BONIFAZ NUÑO, Rubén
BONILLA, Gsús
BONILLA, Juan
BONNETT, Piedad
BONO, Isabel
BORGES, Jorge Luis
BOSCH, Gloria
BOTAS, Victor
BOTELHO, Renata Correia
BOTTO, António
BRAGA, Jorge de Sousa
BRANCO, Camilo Castelo
BRANCO, Rosa Alice
BRANDÃO, Fiama Hasse Pais
BRANDÃO, Raul
BRASIL, Geraldino
BRECHT, Bertolt
BREZMES, Alfonso
BRINES, Francisco
BRITO, Casimiro
BROSSA, Joan
BUENDÍA, Rogelio
BUKOWSKI, Charles
BUXÁN, Alfredo 

CABRAL, A.M.Pires
CABRAL, António
CABRAL, Rui Pires
CABRERA, Antonio
CADENAS, Rafael
CADILHE, Gonçalo
CALDERÓN, Teresa
CAMARNEIRO, Nuno
CAMÕES, Luís
CANTONI, César
CARNEIRO, Mário Sá
CARRIEGO, Evaristo
CARSON, Anne
CARVALHEIRA, Jorge
CARVALHO, Ana Margarida
CARVALHO, Armando Silva
CARVALHO, José Rentes
CARVALHO, Mário
CARVALHO, Raul
CARVER, Raymond
CASARES, Pablo
CASARIEGO, Pedro
CASAS, Fabián
CASIELLES, Laura
CASTELLANOS, Rosario
CASTILHO, Paulo
CASTILLA, Leopoldo
CASTILLA, Manuel J.
CASTILLO, Horacio
CASTRO, Rosalía
CATTANEO, Susana
CAVALLI, Patrizia
CELAYA, Gabriel
CENTENO, Yvette
CEREIJO, José
CERNUDA, Luis
CESARINY, Mário
CÉSPEDES, Alejandro
CHACÓN, Dulce
CHAR, René
CHIRINOS, Eduardo
CHIVITE, Fernando Luis
CICERO, Antonio
CINATTI, Ruy
COCHOFEL, João José
CODAGNONE, Flor
COHEN, Leonard
COLASANTI, Marina
COLINAS, Antonio
CONTARDI, Marilyn
CORREDOR-MATHEOS, José
CORREIA, João Araújo
CORREIA, Natália
CORTÁZAR, Julio
COSTAFREDA, Alfonso
CRAWFORD, Robert
CRESPO, Ángel
CRESPO, Mariano
CRUZ, Sor Juana Inês
CUENCA, Luis Alberto
CUMBREÑO, José María
CUETO, Adolfo 

DALTER, Eduardo
DALTON, Roque
DARÍO, Rúben
DAS, Javier
DECÉSARE, María Laura
DELMAR, Meira
DEMPSTER, Nuno
DEUS, João
DIAS, Gonçalves
DIAS, Inês
DÍAS, Marcelo Daniel
DIAS, Saul
DÍAZ-GRANADOS, Federico
DIEGO, Eliseo
DIONÍSIO, Mário
DOCE, Jordi
DOSHI, Tishani
DURRELL, Lawrence 

EDSON, Russel
EDWARDS, Rodolfo
EGEA, Javier
EIRAS, Pedro
ELOY BLANCO, Andrés
ELUARD, Paul
ENSENYAT, Paula
ERRASTI, Eduardo
ESPANCA, Florbela
ESPEJO, José Daniel
ESPINA, Jorge

FAFE, José Fernandes
FARIA, Daniel
FELIPE, León
FÉLIX, Emanuel
FERIA, Luis
FERNÁNDEZ LERA, Antonio
FERNÁNDEZ MORENO, Baldomero
FERNÁNDEZ MORENO, César
FERNÁNDEZ SÁNCHEZ, José Antonio
FERRAZ, Eucanaã
FERREIRA, David Mourão
FERREIRA, José Gomes
FERREIRO, Celso Emilio
FERRUZ, Raúl
FIGUEIREDO, Tomaz
FIGUEROA, Estela
FILIPE, Daniel
FONOLLOSA, José María
FONSECA, Manuel
FONTE, Ramiro
FORTE, António José
FRAGUI, Gonzalo
FREITAS, Manuel
FUERTES, Gloria 

GALA, Antonio
GALARZA, Javier
GALEANO, Eduardo
GALIMI, Gisela
GALLEGO, Vicente
GAMA, Sebastião
GAMONEDA, Antonio
GAOS, Vicente
GARCÍA CALVO, Agustín
GARCÍA CASADO, Pablo
GARCÍA LORCA, Federico
GARCÍA-MÁIQUEZ, Enrique
GARCÍA MARTÍN, José Luis
GARCÍA MONTERO, Luis
GARCÍA ZAMBRANO, María
GARRETT, Almeida
GELMAN, Juan
GIANNUZI, Joaquín
GIDE, André
GIL DE BIEDMA, Jaime
GIOIA, Dana
GIOVANNI, Luciano
GIRONDO, Oliverio
GLÜCK, Louise
GOMES, Paulo Varela
GÓMEZ ESPADA, Ángel Manuel
GÓMEZ JATTÍN, Raúl
GONÇALVES, Egito
GONZÁLEZ, Ángel
GONZÁLEZ, David
GONZÁLEZ, Jonio
GONZÁLEZ, Ulalume
GONZÁLEZ ANSORENA, Luis
GONZÁLEZ IGLESIAS, Juan Antonio
GONZÁLEZ MORENO, Pedro A.
GONZÁLEZ TUÑÓN, Raúl
GOROSTIZA, José
GOYTISOLO, José Agustín
GRANDE, Félix
GREGÓRIO, António
GRUSS, Irene
GUEDEA, Rogelio
GUILLÉN ACOSTA, Carmelo
GUINDA, Ángel
GULLAR, Ferreira
GUSTAVO AGUIRRE, Raúl
GUTIÉRREZ VEGA, Hugo 

HABITUALMENTE, João
HAHN, Óscar
HATHERLY, Ana
HELDER, Herberto
HERCULANO, Alexandre
HERNÁNDEZ, Francisco
HERNÁNDEZ, Miguel
HERNÁNDEZ, Paz
HERRERO, Fermín
HIDALGO, José Luis
HIERRO, José
HILST, Hilda
HORTA, Maria Teresa
HUERTA, Efraín
HUIDOBRO, Vicente

IGLESIAS, Jacob
INÁCIO, Ana Paula
IRIBARREN, Karmelo C.
IRIGOYEN, Ramón

JARAMILLO AGUDELO, Darío
JEANSON, Henri
JONAS, Daniel
JORGE, João Miguel Fernandes
JORGE, Luiza Neto
JUARISTI, Jon
JUARROZ, Roberto
JÚDICE, Nuno
JUNQUEIRO, Guerra 

KAVAFIS, Konstandinos
KNOPFLI, Rui

LABORDETA, José Antonio
LACERDA, Alberto
LAINE, Jarkko
LANSEROS, Raquel
LARA, Alda
LASHERAS, Javier
LEIRIA, Mário-Henrique
LEITÃO, Luís Veiga
LEMINSKI, Paulo
LEVI, Jan Heller
LIMA, Ângelo
LINAJE, Iñigo
LISPECTOR, Clarice
LIZALDE, Eduardo
LIZANO, Jesús
LLANOS, Eduardo
LOBO, Francisco Rodrigues
LOPES, Adília
LOPES, Fernão
LÓPEZ CORTÉS, Pura
LÓPEZ PACHECO, Jesús
LUCA, Erri
LUHRMANN, Baz
LUQUE, Aurora

MACEDO, Helder
MACHADO, Antonio
MACHADO, Carlos Alberto
MACIEL, Maria Esther
MADARIAGA. Francisco
MÃE, Valter Hugo
MAILLARD, Chantal
MANCELOS, João
MANGAS, Francisco Duarte
MARCH, Susana
MARGARIT, Joan
MÁRQUEZ, Joaquín
MARTÍ I POL, Miquel
MARTÍNEZ FERRER, América
MARTÍNEZ SARRIÓN, Antonio
MARTINS, Albano
MARTINS, Miguel
MARZAL, Carlos
MATTEI, Olga Elena
MATTOS, António Almeida
MAVER, Tom
MEDINA, Dante
MEIRELES, Cecília
MENDES, Luís Filipe Castro
MENDES, Murilo
MENDONÇA, José Tolentino
MERINI, Alda
MERINO, Ana
MESA, Sara
MESTRE, Juan Carlos
MEXIA, Pedro
MEZQUITA, Nuria
MIGUÉIS, José Rodrigues
MÍGUEZ, Mario
MILÁN, Eduardo
MIRANDA, Francisco Sá
MITRE, Eduardo
MOLINERO, Jorge M.
MONETTE, Hélène
MONTALE, Eugenio
MONTEIRO, Adolfo Casais
MONTEJO, Eugenio
MONTOJO MICÓ, Ana
MORA, Ángeles
MORA, Vicente Luis
MORÁBITO, Fabio
MORAES, Vinicius
MORAL, Paco
MORIN, E.
MOURA, Dinis
MOURA, Gabriela
MOURA, Vasco Graça
MOYA, Manuel
MUJICA, Hugo
MUÑOZ, Cysko
MUÑOZ, Rosabetty
MUÑOZ LAGOS, Marino
MUÑOZ ROJAS, José Antonio
MUTIS, Álvaro

NAMORA, Fernando
NAMORADO, Joaquim
NASSAR, Raduan
NAVA, Luís Miguel
NEGREIROS, Almada
NEJAR, Carlos
NEMÉSIO, Vitorino
NERUDA, Pablo
NESSI, Alberto
NETO, João Cabral de Melo
NEUMAN, Andrés
NIETO DE LA TORRE, Raúl
NIETZSCHE, Friedrich
NIEVA, Silvia
NOBRE, António
NOGUERA, Laia
NOVELLI, Aldo Luis
NÚÑEZ, Aníbal

OCAMPO, Silvina
OLIVEIRA, Carlos
OLIVEIRA, Carlos Mota
OLIVEIRA, José Alberto
OLIVEIRA, Mário Rui
O’NEILL, Alexandre
ORIHUELA, Antonio
OROZCO, Olga
ORS, Miguel d’
ORTIZ, Fernando
ORY, Carlos Edmundo
OSÓRIO, António
OTERO, Blas

PACHECO, Fernando Assis
PACHECO, José Emilio
PADURA, Leonardo
PAES, José Paulo
PALAU, Josep
PANERO, Juan Luis
PANERO, Leopoldo
PANERO, Leopoldo María
PARISO, Valeria
PARRA, Josefa
PARRA, Nicanor
PARRADO, Luís Filipe
PARREÑO, José María
PAVESE, Cesare
PAVIA, Cristovam
PAZ, Octavio
PEDREIRA, Maria do Rosário
PEDRONI, José
PEIXOTO, José Luís
PEÑALOSA, Joaquín Antonio
PEREIRA, Antonio
PEREIRA, Helder Moura
PÉREZ CABAÑA, Rosario
PÉREZ CAÑAMARES, Ana
PÉREZ MONTALBÁN, Isabel
PÉREZ MORTE, Antonio
PÉREZ-SAUQUILLO, Vanesa
PÉREZ VALLEJO, Ernesto
PERI ROSSI, Cristina
PEROSIO, Graciela
PESSANHA, Camilo
PESSOA, Fernando
PESSOA, Fernando (A.Caeiro)
PESSOA, Fernando (A.Campos)
PESSOA, Fernando (R.Reis)
PETISME, Ángel
PICÓN, Francisco J.
PIMENTA, Alberto
PINA, Manuel António
PIÑÁN, Berta
PIQUERAS, Juan Vicente
PIQUERO, José Luis
PIRES, Graça
PIRES, José Cardoso
PITTA, Eduardo
PIZARNIK, Alejandra
PLATH, Sylvia
PONCE, Laura
PORCHIA, Antonio
POZZI, Antonia
PRADO, Adélia
PRADO, Benjamín
PRÉVERT, Jacques

QUART, Pere
QUASIMODO, Salvatore
QUEIROZ, Eça
QUINTAIS, Luís
QUINTANA, Mario

RAMÍREZ LOZANO, José A.
RAMONES, Rita
RAMOS, Manuel Silva
RAMOS, Pepe
RAMOS SIGNES, Rogelio
RANGEL, Violeta C.
RASCÓN, Patricio
RAUSKIN, Jacobo
RÉGIO, José
REIS, António
RESENDE, Manuel
REYES, Belén
REYES, Miriam
RIBEIRO, Aquilino
RIBEIRO, Bernardim
RICARDO, Cassiano
RICO, Manuel
RIECHMANN, Jorge
RITSOS, Yannis
RIVERO TARAVILLO, Antonio
ROCA, Juan Manuel
RODRÍGUEZ, Claudio
RODRÍGUEZ, Josep M.
RODRÍGUEZ, Lucas
ROJAS, Gonzalo
ROJAS HERAZO, Héctor
ROKHA, Pablo
ROMERO, Kutxi
ROSA, António Ramos
ROSA, João Guimarães
ROSALES, Luis
ROSENBERG, Mirta
ROSSETTI, Ana
ROTOMA, Ape
RUSHIN, Kate

SABA, Umberto
SÁBATO, Ernesto
SABINES, Jaime
SAER, Juan José
SAFO
SALEM, Carlos
SALINAS, Pedro
SALOMÉ, Ana
SALVAGO, Javier
SAMPAIO, Jaime Salazar
SÁNCHEZ, Raúl
SÁNCHEZ CARRÓN, Irene
SÁNCHEZ ROSILLO, Eloy
SANT’ANNA, Affonso Romano
SANTOS, José Carlos Ary
SANZ, María
SARA, Ibne
SARACENI, Gina
SEDEVICH, Carina
SELMA, Leda
SENA, Jorge
SERPA, Alberto
SEXTON, Anne
SEVILLA, Pedro
SICILIA, Javier
SILES, Jaime
SILVA, Elder
SILVA, José Mário
SILVA, José Miguel
SILVEIRA, Pedro
SILVESTRIN, Ricardo
SIMÓN, César
SIMONOV, Konstantin
SINMÁS, Juana
SISCAR, Marcos
SOTO, Elena
SOUSA, Gil T.
STABILE, Uberto
STRAND, Mark
SZPUNBERG, Alberto

TAGORE, Rabindranath
TALENS, Jenaro
TAMEN, Pedro
TAVARES, Gonçalo M.
TEILLIER, Jorge
THEOBALDY, Jürgen
TORGA, Miguel
TORRES, Alexandre Pinheiro
TRAMÓN, Marcos
TRAPIELLO, Andrés

UÁZIR, Abdalá Ibne
UGIDOS, Silvia
UNGARETTI, Giuseppe
URIBE, Kirmen
URONDO, Francisco

VALDÉS, Zoé
VALENTE, José Ángel
VALÉRY, Paul
VALLEJO, César
VALLVEY, Ángela
VALVERDE, Álvaro
VALVERDE, Fernando
VARELA, Blanca
VASCONCELLOS, Eugénia
VAZ, Eva
VEGA, Alberto
VERA MIRANDA, Hugo
VERDE, Cesário
VICENTE, Gil
VILA, Biel
VILA-MATAS, Enrique
VILARIÑO, Idea
VILAS, Manuel
VILLA, José
VILLALBA, Juan Manuel
VILLENA, Luis Antonio
VITALE, Ida
VIVAS SANZ, Roberto

WANG, Berna
WARREN, Louise
WATANABE, José
WILLIAMS, W. C.
WITTIB, Rocío
WITTNER, Laura
WOLFE, Roger

YEATS, W.B.
YOURCENAR, Marguerite

ZAÍD, Gabriel
ZAPATA, Sara
ZINK, Rui
ZONTA, José María
ZUÑIGA, José Luis,
ZURITA, Raúl
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