17.12.13
António José Forte (Excepto tu, meu amor)
EXCEPTO TU MEU AMOR EXCEPTO TU
MEU AMOR
minha aranha mágica agarrada ao meu peito
cravando as patas aceradas no meu sexo
e a boca na minha boca
conto pelos teus cabelos os anos em que fui criança
marco-os com alfinetes de ouro numa almofada branca
um ano dois anos um século
agora um alfinete na garganta deste pássaro
tão próximo e tão vivo
outro alfinete o último o maior
no meu próprio plexo
MEU AMOR
conto pelos teus cabelos os dias e as noites
e a distância que vai da terra à minha infância
e nenhum avião ainda percorreu
conto as cidades e os povos os vivos e os mortos
e ainda ficam cabelos por contar
anos e anos ficarão por contar
DEFENDE-ME ATÉ QUE EU CONTE
O TEU ÚLTIMO CABELO
António José Forte
[Canal de poesia]
.
16.12.13
Antonio Orihuela (A poesia é um incêndio)
La poesía es un incendio,
por eso no da para vivir
da para arder,
no escribas,
arde con ella.
Antonio Orihuela
.
15.12.13
Manuel Silva Ramos (Nem tudo era tristeza)
Mas nem tudo era tristeza.
As excursões a Espanha promovidas pelo Mário Alves Pimpão adocicavam estes tempos de grilhões de todo o género e formavam uma volante alforria.
No capítulo seguinte, onde há um sonho comum de duas pessoas que se amam, eu falo disso, dessas camionetas de carreira com quarenta lugares que desafiavam a tristeza portuguesa com as luminárias do enjoo que chamavam pelo gregório e pelo estrondo da peidaria.
Espero que aqui os mais sérios capitulem.
- MANUEL DA SILVA RAMOS, Pai, levanta-te, vem fazer-me um fato de canela!, 2013 (O conto do vigário com brasão).
.
Ángel González (Estampa de Inverno)
ESTAMPA DE INVIERNO
Mientras yo en mi yacija como es debido yazgo
arropado en las mantas y las evocaciones
de días más luminosos y clementes,
por no sé qué resquicio de mi ventana entra
un cuchillo de frío,
un gris galgo de frío
que se afana en mis huesos con furia roedora.
No es de ahora, ese frío.
Viene desde muy lejos:
de otras calles vacías y lluviosas,
de remotas estancias en penumbra
pobladas sólo por suspiros,
de sótanos sombríos
en cuyos muros reverbera el miedo.
(En lugar distante,
trizó una bala
el luminoso espejo de aquel sueño,
y alguien gritaba aquí, a tu lado.
Amanecía.)
No.
No está desajustada la ventana;
la que está desquiciada es mi memoria.
Ángel González
[Escomberoides]
Estirado na enxerga como se impõe
abafado nas mantas e evocações
de dias mais clementes e luminosos,
por alguma talisga da janela
entra
um punhal de frio
um cão cinzento de frio
que se me agarra aos ossos
com fúria roedora.
Não é de agora, esse frio.
Vem de muito longe,
de outras ruas vazias e chuvosas,
de remotas paragens de sombra
povoadas só por suspiros,
de caves sombrias
onde o medo bate nas paredes.
(Em lugar distante,
uma bala estilhaçou
o claro espelho desse sonho,
e alguém gritava aqui, a teu lado.
E amanhecia).
Não.
A janela não está estragada,
o que está avariado é a minha memória.
(Trad. A.M.)
.
14.12.13
António Ramos Rosa (Onde a poesia se exibe)
Onde a poesia se exibe como um espectáculo espectacular
não é poesia
onde a audácia do poema não é única
não é poesia
onde a poesia não é inocência de natureza fluvial
não é poesia
onde a poesia não é escandalosamente pura
não é poesia
onde a poesia não é filha do deserto nem da sede
não é poesia
onde a poesia não é presença viva que nasce da solidão e da ausência
não é poesia
onde a poesia não se oferece no seu abandono
não é poesia
onde a poesia não é poesia
não é poesia
António Ramos Rosa
[Antologia do esquecimento]
.
13.12.13
Ana Pérez Cañamares (País)
PAÍS
Dormimos espalda contra espalda
respetando cada uno
la tierra de los sueños del otro.
Al despertar nos citamos
en el puesto fronterizo.
Allí aprendemos entre brumas
que dos exiliados hacen un país.
Ana Pérez Cañamares
Dormimos costas com costas
respeitando cada um
a terra dos sonhos do outro.
Encontramo-nos ao despertar
no posto da fronteira.
E entre brumas aí aprendemos
que dois exilados fazem um país.
(Trad. A.M.)
.
12.12.13
Ana Luísa Amaral (Estragas-me a paz)
Estragas-me a paz
e eu preciso das minhas solidões,
de bocados mentais sem ti.
Começo a ser doença obsessiva
ao repetir-me por poemas isto:
as tuas invasões à minha paz.
(Podia até em jeito original
pôr aqui umas notas sobre ti:
cf., vide: textos tal e tal)
Mas é que a minha paz fica toda
estragada quando te penso amor.
(...)
Ana Luísa Amaral
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11.12.13
José María Zonta (O poeta é sempre do contra)
El poeta es siempre un opositor
un disidente
es alguien fuera de tiempo, disfrazado
fuera de juego
¿ves esos muchachos en la esquina?
el poeta es el de pantalón de cuadros
con aire de necesitar trabajo
y no haber comido
el poeta es una lupa
buscando insignificancias que sostienen la vida
si no tienen todavía un blanco
no esperen más, disparen al poeta
es un reclamo, un reproche entre la gente
el poeta es un sietemesino
dosis de infortunio en medio de la felicidad
es una exclusión
hacen falta poetas para que haya últimos de la clase
él está atento a otras señales
es lo íntimo de lo público, el poeta es un acusador
tiene una campana en su pecho
para encontrarlo cuando se pierde
el poeta recibe telegrama que comunica
su derrota inevitable
pero se levanta
mira de frente y combate.
José María Zonta
O poeta é sempre do contra
é um dissidente
alguém fora do tempo, fora de jogo
vês esses moços na esquina?
o poeta é o de calças aos quadrados
com ar de faminto e desempregado
o poeta é uma lupa
buscando insignificâncias que sustentam a vida
se precisais de um alvo
aqui está ele, apontai ao poeta
ele é um cartaz, uma censura entre as pessoas
o poeta é um fingidor
ilha de infortúnio no mar da felicidade
é uma exclusão
são precisos poetas para haver últimos da escala
ele está atento a outros sinais
é o íntimo do público, o poeta é um acusador
tem uma campainha no peito
para o encontrarem caso se perca
o poeta recebe telegrama comunicando
sua derrota inevitável
mas levanta-se
olha em frente e vai à luta.
(Trad. A.M.)
>> Arte poetica (anto/20p) / Poeta Zonta (blogue descont./muitos p.) / Riesp (7p) / Ed. Costa Rica (nota)
.
10.12.13
Luís Amaro (Lápide)
LÁPIDE
Procuro teu rosto
nos confins da memória.
Palavras que um dia
ouvi, ou sonhei,
súbito iluminam
minha solidão.
Com elas componho
o segredo oculto
do nosso destino.
Com elas invento
e reconstituo
teu perfil de névoa,
tua voz ausente
e sempre guardada
no meu coração.
Fluis, permaneces
à flor dos dias
que correm sem nome:
O tempo desgasta
o sonho submerso
na noite, minha alma
sem luz... e a viver.
Por ínvios caminhos
me perco, à procura
de ti, que passaste
um dia, cruzando
o céu sem estrelas
nem amanhecer.
Passaste e perduras
nesse breve instante
longínquo e tão perto.
Não sei onde paira
teu perfil de névoa,
tua voz ausente,
velada, indecisa...
Mas da luz que doira
as coisas em volta
ressurges, e inundas
a vida de esperança,
ó rosto impalpável,
ó voz pressentida
lá no mais secreto
da alma, do ser.
Luís Amaro
>> nEscritas (2p) / B.Nacional (perfil>expo) / Colóquio (auto>bio>biblio) / Da literatura (nota E.Pitta)
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9.12.13
Roger Wolfe (Não há tempo para perder o sono)
YA NO QUEDA TIEMPO
PARA PERDER EL SUEÑO
Ha sido dicho
en numerosas ocasiones
que el poeta escribe
para un futuro
que no va a conocer.
Y al paso que vamos,
no sólo el poeta.
Roger Wolfe
Foi dito
em muitas ocasiões
que o poeta escreve
para um futuro
que não conhecerá.
E no passo que vamos,
não só o poeta.
(Trad. A.M.)
.
8.12.13
Manuel Silva Ramos (A linha da vida)
Atado com uma linha branca aos pés da grande mesa de madeira onde trabalhava o meu pai, eu regozijo: estou preso, mas sou uma pessoa importante para os clientes que entram na oficina.
Porém, sou também um fraco, um doente, que não se deve mexer muito, porque muito sangue pode refrondescer de novo no seu umbigo.
Dias fascinantes esses, em que o mundo turvo pelas conversas desacolchetadas e exuberantes dos fregueses se entrechocam com os meus olhos medrosos de criança.
Umas botas cheias de estrume, umas calças com caruma nas bainhas, uma camisa cheia de nódoas de vinho, um colete que cheira a pinheiros e a resina trazem-me o aroma do mundo feito de propósito para mim.
- MANUEL DA SILVA RAMOS, Pai, levanta-te, vem fazer-me um fato de canela!, 2013 (A linha da vida).
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Raúl Gómez Jattín (Do que sou)
DE LO QUE SOY
En este cuerpo
en el cual la vida ya anochece
vivo yo
Vientre blando y cabeza calva
Pocos dientes
Y yo adentro
como un condenado
Estoy adentro y estoy enamorado
y estoy viejo
Descifro mi dolor con la poesía
y el resultado es especialmente doloroso
voces que anuncian: ahí vienen tus angustias
voces quebradas: pasaron ya tus días
La poesía es la única compañera
acostúmbrate a sus cuchillos
que es la única
Raúl Gómez Jattín
Neste corpo
onde a vida já anoitece
vivo eu
Ventre macio e cabeça calva
Dentes poucos
E eu dentro
como um condenado
Estou dentro e estou enamorado
e estou velho
Decifro minha dor com a poesia
e o resultado é especialmente doloroso
vozes anunciando: aí vêm tuas angústias
vozes quebradas: já passaram teus dias
A poesia é a única companheira
habitua-te aos seus punhais
que não tens outra
(Trad. A.M.)
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7.12.13
Amadeu Baptista (Ternura)
TERNURA
A magnífica
refeição que o tratador
dá ao cavalo:
aveia,
duas dúzias de cenouras
e uma maçã vermelha.
Devolve-lhe o cavalo
a afeição
com um roçagar
leve da garupa.
Todo ele afecto,
a derramar ternura.
AMADEU BAPTISTA
Os Cavalos a Correr
(2008)
[Amadeu Baptista]
.
6.12.13
Alejandro Céspedes (Em que lugar de mim)
En qué lugar de mí
se agazapaba el hombre
que me iba a mirar como a un extraño.
En dónde estaba él cuando la lluvia
caía mansamente sobre el lomo
brillante y resignado de las vacas,
y mis botas de goma perseguían
el trozo de la rama que era un barco
por el caudal de las cunetas.
En dónde cuando el cauce
que formaban las hojas
de los árboles
iba vertiendo ríos
que llenaban los huecos
de la risa.
Cuando orinaba en las cuevas
de los grillos, dónde.
Dónde cuando desnudo
volvía el rostro y las manos hacia el cielo
para sentir la lluvia
deshilachar mi túnica de barro.
En qué lugar de mí
se agazapaba un hombre
mientras en pie, la lluvia,
como una verja inútil,
transparente,
me protegía del mundo que había fuera.
Sólo al agua
le ha sido concedido el elevarse.
Abandonar la tierra.
Separarse del barro que endurece
y afirma las pisadas de los hombres.
Formar parte del cielo
y alejarse.
Huir sin dejar rastros,
sólo el agua,
alma sola, sin cuerpo,
revive sin cadáver.
Pero no tú,
no yo,
polvo con forma
amasado en el fango de los días.
Por eso estoy aquí,
en la otra parte,
fuera.
Miro los mismos ojos que tú ves,
extraños,
mientras en pie,
la lluvia,
como una verja alta,
transparente,
es aduana del tiempo,
es frontera que cierra
el paso hacia la infancia
y separa a aquel niño que me mira
de este largo cadáver que hoy se moja.
ALEJANDRO CÉSPEDES
Hay un ciego bailando en el andén
(1993)
[Hay un ciego bailando en el andén]
Em que lugar de mim
se agachava o homem
que me olharia como um estranho?
Onde estava ele quando a chuva
caía mansamente no lombo das vacas,
brilhante e resignado,
e as minhas botas perseguiam
o troço do ramo que era um barco
pelo caudal das valetas?
Onde, quando o leito
formado pelas folhas
das árvores
ia despejando rios
enchendo os buracos
do riso?
Quando urinava nas covas dos grilos, onde?
Onde, quando desnudo
virava a cara e as mãos para o céu
para sentir a chuva
desfiar minha túnica de lama?
Em que lugar de mim
se agachava um homem
enquanto a chuva,
qual cerca inútil,
transparente,
me protegia do mundo lá de fora?
Só à água foi dado erguer-se.
Deixar a terra.
Apartar-se da lama que endurece
e afirma as pegadas dos homens.
Fazer parte do céu
e afastar-se.
Fugir sem deixar rasto,
só a água,
alma apenas, sem corpo,
revive sem cadáver.
Mas não tu,
nem eu,
pó com forma
amassado no lodo dos dias.
Por isso estou aqui
do outro lado,
fora.
Olho os mesmos olhos que tu vês,
estranhos,
enquanto a chuva,
qual cerca alta,
transparente,
faz de aduana do tempo,
fronteira que fecha
a passagem para a infância,
separando esse menino que me olha
deste longo cadáver que hoje se molha.
(Trad. A.M.)
.
5.12.13
Nuno Camarneiro (Talvez amemos só pelo que o amor nos traz)
Talvez amemos só pelo que o amor nos traz, ou pelo que podemos ser quando alguém nos ama.
Seremos assim tão tortos?
É possível que só saibamos dar a nós mesmos?
Orgulho, respeito, altruísmo, abnegação.
São coisas que atiramos porque sabemos que hão-de voltar, como um pau que um cão nos há-de devolver.
- NUNO CAMARNEIRO, Debaixo de algum céu, 2013 (Adriano).
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Homero Aridjis (Um poema de amor)
UN POEMA DE AMOR
Cuando hable con el silencio
cuando sólo tenga una cadena
de domingos grises para darte
cuando sólo tenga un lecho vacío
para compartir contigo un deseo
que no se satisface ya con los cuerpos de este mundo
cuando ya no me basten las palabras del castellano
para decirte lo que estoy mirando
cuando esté mudo de voz de ojos y de movimiento
cuando haya arrojado lejos de mí
el miedo a morir de cualquier muerte
cuando ya no tenga tiempo para ser yo
ni ganas de ser aquel que nunca he sido
cuando sólo tenga la eternidad para ofrecerte
una eternidad de voces y de olvido
una eternidad en la que ya no podré verte
ni tocarte ni encelarte ni matarte
cuando a mí mismo ya no me responda
y no tenga día ni cuerpo
entonces seré tuyo
entonces te amaré para siempre.
Homero Aridjis
Quando falar com o silêncio
quando tiver só um rosário
de cinzentos domingos pra te dar
quando tiver só um leito vazio
pra partilhar contigo um desejo
que não se ceva já nos corpos deste mundo
quando não me bastarem já as palavras da língua
para te dizer aquilo que estou olhando
quando mudo ficar de voz de olhar e de movimento
quando tiver arrojado pra longe
o medo de morrer de qualquer morte
quando não tiver já tempo de ser eu
nem vontade de ser aquele que nunca fui
quando tiver só o eterno pra te dar
um eterno de vozes e esquecimento
onde já não possa ver-te
nem tocar ou ter ciúme ou matar-te
quando já não responder sequer a mim mesmo
e não tiver dia nem corpo
então eu serei teu
e hei-de amar-te pra sempre
(Trad. A.M.)
>> A media voz (36p) / Arte poética (9p) / Wikipedia
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4.12.13
Alexandre O'Neill (Seis poemas confiados/II)
SEIS POEMAS CONFIADOS À MEMÓRIA DE NORA MITRANI
(II)
Se eu pudesse dizer-te: — Senta aqui
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: — Vê se adivinhas…
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
Alexandre O'Neill
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3.12.13
Cysko Muñoz (Nem uma derrota)
NI UNA DERROTA
Una semana antes nos decía
que él no tenía
miedo a la muerte,
pero que no quería morir con dolor.
Así era mi padre.
Derrame cerebral.
Ni el cáncer de huesos
ni su puta madre
le iban
a decir a él
lo que tenia que hacer.
Cysko Muñoz
[La putta poesía]
Uma semana antes ele dizia
que não tinha
medo à morte,
mas que não gostaria de sofrer.
Assim era meu pai.
Derrame cerebral.
Nem o cancro dos ossos,
nem a puta que o pariu
lhe iam
dizer a ele
o que ele tinha de fazer.
(Trad. A.M.)
.
2.12.13
Manuel Silva Ramos (As pessoas não tinham nada)
Digo-lhe ainda eu:
"O que eu acho extraordinário é que as pessoas não tinham nada, eram pobres, mas lançavam-se para a aventura da vida comum com uma esperança e uma profundidade incalculáveis; não tinham medo de nada, de partilhar afectos ou dois cacos, de contar as migalhas da incerteza permanente ou de abreviar os remorsos depois das lágrimas".
- MANUEL DA SILVA RAMOS, Pai, levanta-te, vem fazer-me um fato de canela!, 2013 (Realejos mágicos).
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Raúl Gustavo Aguirre (Boas relações)
BUENAS RELACIONES
Los prisioneros se detestan
pero a pesar de su rencor
se tratan con educación.
Los prisioneros se detestan
pero no obstante, por dignidade,
jamás conversan con el guardián.
Los prisioneros se detestan
pero de noche mantienen diálogos
fingiendo que hablan solos.
Raul Gustavo Aguirre
[Palavra ávida]
Os prisioneiros odeiam-se
mas apesar do seu rancor
tratam-se com educação.
Os prisioneiros odeiam-se
e não obstante, por dignidade,
jamais falam com o guarda.
Os prisioneiros odeiam-se
mas dialogam à noite
fingindo que falam sozinhos.
(Trad. A.M.)
.
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