17.12.20

Jorge Boccanera (Fiapos)

 


HILACHAS   

 

Es el silencio el guante de una voz?
¿Se podría tocar?
Recordaríamos el silencio de un día cualquiera
cuando niños?
¿Acaso vuela al ras del suelo?
El poeta que se llama a silencio, ¿va
voluntariamente o el silencio lo llama?
El que calla, ¿otorga?

Son respuestas que yo no puedo preguntar.
No le temo al silencio,
aun cuando se estrelle con sus alas de polvo en
mi ventana.
No da miedo escucharlo.
Tengo miedo de verlo.


Jorge Boccanera

 

 

Será o silêncio a luva duma voz?
Poderia tocar-se?
Recordaríamos o silêncio dum dia qualquer
em crianças?
Acaso voa à flor do chão?
O poeta que se chama ao silêncio vai
de boamente ou o silêncio o chama?
Quem cala, consente?

Eis respostas que eu não posso perguntar.
Não temo o silêncio
mesmo quando se estampa na minha janela
com suas asas de pó.
Não me dá medo escutá-lo,
tenho medo é de vê-lo.

(Trad. A.M.)

 .