29.7.26

Mariano Peyrou (A concentração)

 



A CONCENTRAÇÃO



Nada melhor do que dedicar a tarde
às mudanças de luz na
janela, pressupondo que algo
do que tanto fere e mais
deleita depressa retomará
o seu lugar, a partir do qual emitia
umas pálidas ondas que só
intermitentemente geravam
uma leve apatia, ou adquirirá
contornos mais suaves, de modo a
que a sua proximidade apenas embacie
os vidros. Aqui há luz.
Ali apagam-se os sentidos.


Mariano Peyrou

(Trad. Manuel de Freitas)

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