21.8.22

Eugenio Montale (O lago de Annecy)




IL LAGO DI ANNECY

 

Non so perché il mio ricordo ti lega
al lago di Annecy
che visitai qualche anno prima della tua morte.
Ma allora non ti ricordai, ero giovane
e mi credevo padrone della mia sorte.
Perché può scattar fuori una memoria
così insabbiata non lo so; tu stessa
m’hai certo seppellito e non l’hai saputo.
Ora risorgi viva e non ci sei. Potevo
chiedere allora del tuo pensionato,
vedere uscirne le fanciulle in fila,
trovare un tuo pensiero di quando eri
viva e non l’ho pensato. Ora ch’è inutile
mi basta la fotografia del lago.

Eugenio Montale

[Trianarts]

 


Não sei porque é que te associo na minha lembrança
ao lago de Annecy
que visitei uns anos antes da tua morte.
Mas nessa altura não te recordei, era jovem
e julgava-me senhor do meu destino.
Como é que pode saltar assim de repente
uma lembrança tão funda, não sei;
também tu me enterraste a mim, sem dar conta.
Ressurges agora viva e já não existes.
Podia então perguntar pelo teu colégio,
ver as moças a sair em fila indiana,
achar um pensamento teu de quando ainda
estavas viva, e nada. Agora que é inútil,
basta-me a fotografia do lago.


(Trad. A.M.)

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