14.1.25

Francisco Caro (Poética do cuidado)




POÉTICA DEL CUIDADO

 

Que la palabra limpie heridas,
sea bastón seguro para unas piernas débiles,
lente para esos ojos
a quien la niebla oculta su horizonte,
altavoz de gargantas sin campana,
pañuelo de esas lágrimas
que no esperan volver a ver el mar,
y cuchara que nunca titubea
ante bocas cerradas negándose a la vida.
 
Y que el hombre que cargue a sus espaldas
su mochila repleta de bastones y lentes,
altavoces, pañuelos y cucharas,
haga de sus silencios
escuela de secretos
y trono de humildad.


Francisco Caro 

 

Que a palavra limpe as feridas,
seja bastão seguro para algumas pernas fracas,
lente para aqueles olhos
a que a névoa tira a vista,
altifalante de gargantas sem sino,
lenço dessas lágrimas
que não esperam chegar ao mar,
e colher que não hesita
diante de bocas fechadas
que se negam para a vida.

E que o homem que leve às costas
a mochila com as lentes e bastões,
altifalantes, lenços e colheres,
de seus silêncios faça
escola de segredos
e trono de humildade.


(Trad. A.M.)

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