O OUTRO AUTOR
Ler os próprios versos é tarefa ingrata.
Falam de modo estranho, como se estivessem
pendentes sempre de si mesmos.
Dizem coisas estranhas.
Quem neles se expressa é um desconhecido
cansado e amargo, que finge surpreender-se
com as coisas mais triviais:
que o tempo passe, que os amigos o traiam,
que as mulheres o deixem.
Assombra-o que não seja aquilo aquilo que já não é.
Parece obcecado com a morte.
Pedro López Lara
(Trad. A.M.)
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