15.7.18

Carina Sdevich (O ramo da figueira)






LA RAMA DE UNA HIGUERA



Es invierno todavía.
El ruido de la estufa
funcionando
es el amor.
El ruido del agua
que se templa
es el amor.
El ruido del agua
sacudiendo
la ropa que se lava
es el amor.
Nos desvelamos
para escucharlo todo
la gata y yo.


Carina Sedevich

[Marcelo Leites]




É ainda Inverno.
O ruído da chaminé
a arder
é o amor.
O ruído da água
a amornar
é o amor.
O ruído da água
a sacudir
a roupa lavada
é o amor.
Descobrimo-nos as duas
para escutar tudo
a gata e eu.

(Trad. A.M.)

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13.7.18

Biel Vila (Às vezes)






A veces casi
sin pedirlo,
uno colecciona 
besos de hadas
y duda saber guardar
tanta pureza.


Biel Vila





Às vezes
até sem pedir,
uma pessoa junta
beijos de fadas.
E nem sabe como guardar
tanta pureza.

(Trad. A.M.)

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11.7.18

Agustina Bessa-Luís (Instintos)






(Instintos)


Os animais são mais felizes; o instinto nunca lhes mente. Connosco, quando o instinto nos aproxima, aparecem os deveres, as conveniências, e coisas piores ainda. (III)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
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9.7.18

Berta Piñán (Estações)





ESTACIONES



Salgo sola a caminar sobre la nieve.
Como quien se hubiera olvidado de vivir
por un instante -después del amor,
tú aún duermes.
Son los últimos fríos y
ya siento, bajo la piel tan blanca
de este invierno que acaba,
generaciones de raíces, bulbos
y semillas, multitudes hambrientas
de sol bajo la tierra.

Camino sola sobre la piel tan blanca
de este final de invierno
y en cada paso
adelanto, sin querer,
la primavera.


Berta Piñán

[Fragments de vida]




Saio sozinha, a caminhar pela neve,
como quem se esquecesse de viver
por instantes – depois do amor –
ainda tu dormes.
São os derradeiros frios
e eu já sinto, sob a pele tão branca
deste inverno a terminar,
raízes e mais raízes, bolbos
e sementes, multidões famintas
de sol por baixo da terra.

Caminho sozinha sobre a pele tão branca
deste final de inverno
e em cada passo
adianto, sem querer, a primavera.


(Trad. A.M.)

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7.7.18

Berna Wang (Pequenos acidentes domésticos)






PEQUEÑOS ACCIDENTES CASEROS 



Me  hice un tajo en un dedo cuando cocinaba.
Luego me despellejé otro dedo al abrir una botella.
Hoy me he raspado la pierna con el pico de la mesita.
Así que me he puesto seria:
he reunido en asamblea a todos los objetos de mi casa
y les he dicho que ya sé
que me muero de la pena,
que tengo el corazón en carne viva,
que ya sé
que no soy más que una herida que sangra tristeza,
que hasta respirar me duele porque él no me ama
como le amo yo;
en fin: que no hace ninguna falta, les he dicho,
que me lo recuerden también ellos
cada día.


Berna Wang






Cortei-me num dedo a cozinhar,
depois esfolei outro a abrir uma garrafa,
hoje arranhei a perna com um pico da mesinha.
Aí, pus-me séria
e convoquei todos os objectos de casa,
para lhes dizer que me custa muito,
que morro de pena,
que tenho o coração numa chaga,
que sou assim uma ferida a sangrar de tristeza,
que até respirar me dói por ele me não amar
como eu o amo.
Enfim, que não precisam, disse-lhes ainda,
de mo recordar também eles
cada dia.


(Trad. A.M.)

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5.7.18

Albano Martins (Chão de larvas)





CHÃO DE LARVAS



Devolvo
à nascente o fluxo, ao mar a indomável
surpresa da corrente
Posso
agora olhar
ileso os poros, repousar
a cabeça entre os líquenes - substância
minha austera, meu
chão de larvas e fadiga.


Albano Martins

[Insonia]

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4.7.18

Begoña Abad (A forma justa)






LA FORMA JUSTA



La forma justa de estar sobre la tierra

la de abrazarte sin poseerte,
la de besar tus labios, sin robárselos a otro,
la de palpar tu cuerpo sin pecar,
la de beber los vientos por tu nombre
y la de buscar tu deseo sin herirte.

La justa medida para quererte,

para sujetar tu mirada si se aleja,
para pedirte las manos sin atarte,
para seguirte los pasos sin espiarte,
para escucharte sin adentrarme en tus secretos
y la de hacerte mío y libre a un tiempo.


Begoña Abad





A forma justa de estar sobre a terra

a de abraçar-te sem te ter,
a de te beijar os lábios, sem os roubar a outro,
a de tocar teu corpo sem pecar,
a de beber os ventos por teu nome
e a de buscar-te o desejo sem te ferir.

A justa medida para amar-te,

para te prender o olhar se me foge,
para te pedir as mãos sem amarrar,
para te seguir os passos sem te espiar,
para te escutar sem invadir teus segredos
e de fazer-te meu e livre a um tempo.


(Trad. A.M.)


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