17.3.19

Erri de Luca (Depois)





DOPO



Non quelli dentro il bunker.
non quelli con le scorte alimentari, nessuno città,
si salveranno indios, balti, masai,
beduini protetti dal vento, mongoli su cavalli,
e poi uno di Napoli nascosto nel Vesuvio,
un ebreo avvolto in uno sciame di parole,
per tradizione illesi dentro fornaci ardenti.
Si salveranno più donne che uomini,
più pesci che mammiferi,
sparirà il rock and roll, resteranno le preghiere,
scomparirà il denaro, torneranno le conchiglie.
L'umanità sarà poca, meticcia, zingara
e andrà a piedi. Avrà per bottino la vita
la più grande ricchezza da trasmettere ai figli.

Erri de Luca




Não os acolhidos no bunker,
não os das provisões de comida, nenhuma cidade,
salvar-se-ão índios, chinos, masai,
beduínos protegidos do vento, mongóis a cavalo,
e mais um de Nápoles escondido no Vesúvio,
um judeu envolto num enxame de palavras,
ilesos por tradição em fornalhas ardentes.
Hão-de salvar-se menos homens que mulheres,
mais peixes que mamíferos,
desaparecerá o rock and roll, ficarão as orações,
fugirá o dinheiro e voltarão as conquilhas.
A humanidade será escassa, mestiça, cigana
e andará a pé. A vida será seu espólio,
a maior riqueza para os filhos herdarem.

(Trad. A.M.)

15.3.19

José María Cumbreño (Condução nocturna)





CONDUCCIÓN NOCTURNA



Dicen que de noche lo mejor es guiarse por las líneas de la carretera.
Que basta con seguirlas.
Sin embargo, no sé, aquella vez que me llamaste
de madrugada para pedirme que fuera a
tu casa.
Porque tenías algo importante que decirme.
Porque no podías dormir.
Sí, cuando me confesaste que te habías enamorado de otro.
(Seguramente serían figuraciones mías.)
Pero entonces tuve la impresión de que había más curvas que nunca.

José María Cumbreño




Dizem que de noite o melhor é a gente guiar-se
pelas linhas da estrada.
Que basta segui-las.
Todavia, não sei, aquela vez que me chamaste
de madrugada a pedir-me que fosse a
tua casa.
Porque tinhas algo para me dizer importante.
Porque não conseguias dormir.
Sim, quando me confessaste que amavas outro.
(Era decerto ilusão minha.)
Mas tive então a impressão de que havia mais curvas do que dantes.


(Trad. A.M.)


13.3.19

Pablo Albornoz (Tigres)





TIGRES



Esos tigres de fuego
que estallan
en la ira de tus ojos

Pablo Albornoz




Esses tigres de fogo
que explodem
na ira de teus olhos

(Trad. A.M.)


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11.3.19

Salvatore Quasimodo (E de repente é noite)




ED È SUBITO SERA



Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera

Salvatore Quasimodo




Cada qual está só no peito da terra
trespassado por um raio de sol:
e de repente é noite

(Trad. A.M.)


>>  Aforisticamente (15p) / Poesie d'autore (13p) / Wikipedia

.

9.3.19

Juan Manuel Bonet (Escrever)





ESCRIBIR



Escribir –como si nada fuera importante–
el sencillo irse de las horas
sentado en la terraza de un café
de una provincia española.
Escribir, como si estuviera escrito
que el ruido de esas tazas sobre el mármol
tuviera que pasar el arroyo claro
de unos versos.
Escribir, como si nada fuera.

Juan Manuel Bonet




Escrever – como se nada fosse importante –
o singelo ir-se das horas
sentado na esplanada de um café
de uma província espanhola.
Escrever, como se estivesse escrito
que o ruído destas chávenas sobre o mármore
tivesse de passar o arroio claro
de alguns versos.
Escrever, como se nada fosse.

(Trad. A.M.)



7.3.19

Jacobo Rauskin (Amor e mau tempo)





EL AMOR Y EL MAL TIEMPO



Bajo tantas y tantas hojas caídas
no se te ven los pies ahora.
Haré luego el elogio de las hojas
que arremolina el viento cada vez con más fuerza.
Acéptame estos versos, mientras tanto.
Celebran un sendero entre los árboles
y tu talle ceñido por mis manos
y el calor de un instante y tu voz
y esa manera de callarte como si fueras
a responderle con un suspiro a la tormenta.


Jacobo Rauskin

[La mirada del lobo]




Debaixo de tantas e tantas folhas caídas,
os teus pés nem se vêem.
Depois farei o elogio das folhas
que o vento arrebata cada vez com mais força.
Entretanto, recebe estes versos.
Celebram um carreiro entre as árvores,
tua figura cingida por minhas mãos,
o calor de um instante e tua voz
e essa maneira de te calares
como se à tempestade
fosses responder com um suspiro.

(Trad. A.M.)

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6.3.19

Montserrat Álvarez (Ars poetica)





ARS POETICA



La poesía debe ser como el amor,
asunto raro de bichos raros de largos dedos
sensitivos
La poesía debe ser como el amor,
refinada y violenta
y que haga daño y muerda
sin llegar a romperse
ni a romper
Pero a veces la poesía debe llegar más lejos
que el amor
y más lejos que todo
Y romper cosas

Montserrat Álvarez




A poesia deve ser como o amor,
assunto estranho de estranhos bichos
com longos dedos sensíveis
A poesia deve ser como o amor,
refinada e violenta
e que faça mal e morda
sem chegar a partir-se
nem a partir
Mas às vezes a poesia deve ir mais longe
que o amor
e mais
longe que tudo
E partir coisas

(Trad. A.M.)

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