20.8.14

Alejandro Céspedes (Resta um fio)





queda un hilo

el que con una línea todo lo separa
el que con una línea lo une todo

el hecho particular y sin importancia de que no lo veas no significa que no exista o que no esté aquí acechándote desde algún lugar de la página en blanco preparado y ansioso de saltar sobre tu ceguera

alguien que cree saber dónde encontrarlo
sigue fingiendo que sabe cómo ahorcarse

Alejandro Céspedes



resta um fio

esse que com uma linha tudo separa
esse que com uma linha tudo une

o facto singular e sem importância de não o veres não significa que não exista ou não esteja aqui à espreita, de algum lugar desta página em branco, preparado e ansioso por saltar à tua cegueira

alguém que julga saber onde achá-lo
finge que sabe como enforcar-se


(Trad. A.M.)

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19.8.14

Leonard Cohen (Eu sei de um homem)





I heard of a man
who says words so beautifully
that if he only speaks their name
women give themselves to him.


If I am dumb beside your body
while silence blossoms like tumours on our lips
it is because I hear a man climb the stairs
and clear his throat outside our door.


Leonard Cohen


[LC-Homepage]




Eu sei de um homem
que diz palavras tão belas
que só com dizer o nome
leva as mulheres todas atrás.

Se a teu lado me calo
e o silêncio nos cerra os lábios
é só porque se ouve um homem a subir as escadas
e clarear a garganta do lado de fora da porta.


(Trad. A.M.)

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18.8.14

Alejandra Pizarnik (Silêncio)





silencio
yo me uno al silencio
yo me he unido al silencio
y me dejo hacer
me dejo beber
me dejo decir

apuñalada por lo ausente
por la espera bastarda
renaceré a los juegos terribles
y lo recordaré todo

Alejandra Pizarnik



silêncio
eu ato-me ao silêncio
eu atei-me ao silêncio
e deixo-me ir
deixo-me beber
deixo-me dizer

apunhalada pela ausência
pela espera infausta
hei-de renascer para
brincadeiras terríveis
e depois lembrar tudo

(Trad. A.M.)
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17.8.14

Ver (144)







[Eduardo Teixeira Pinto]

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Aldo Luis Novelli (Antes do fim)





ANTES DEL FINAL



Estoy solo.

Quiero escribir todas las páginas del mundo
leer la cifra secreta oculta en el agua primordial
cantar el canto nuevo de la nueva humanidad/
cantar sin tiempo un canto de lluvia y empaparme la cara
y la sangre de agua fresca/ del agua clara que baja de la cima.

Y me pregunto: ¿por eso estoy aquí?
en medio del desierto rodeado de gente que no conozco.
¿Conozco esta gente? ¿me rodea y me habla a mí? ¿a quiénes hablan?

Quiero decir estos poemas con la voz de un pájaro y el zarpazo de un tigre.
¿Qué son estos poemas? ¿qué es eso que llaman poesía?
Clasificar el mundo y sus objetos y ponerle número
a cada cosa es la religión de los tiempos.
Una legión de fanáticos caminan detrás de los objetos.

El arte es el opio de los pueblos dicen los nuevos pastores
¿existe el arte? ¿el pueblo?
¿dónde están los pastores de este inmenso rebaño de ovejas?

¿Por qué estoy aquí? ¿porqué aquí y no allá?
allá donde el sol broncea el cuerpo de felinas mujeres
o más allá/ donde el hombre inventa distintas muertes cada día/
todos los días.

Estoy solo/
busco amor. Quiero ser el amado.
¿Me alcanzará?
¿Me alcanza esta soledad para escribir el poema total?/
ese aleph/ ese inalcanzable.
¿O el amor y el deseo de una dulce obrera del mercado
es el fin de todas mis utopías?
naranjas papas y manzanas en sus manos sucias y sus jugos en mi cuerpo
y sus ojos admirando mi palabra/ mis sombras/ mis castillos de humo.

¿Para qué nacer amar desamar y morir?
¿para qué Dios de los vencidos?
dime Dios ¿para qué?

Quiero ser el amado/ el bienamado/ el más amado.
¿Y el paraíso terrenal/ la revolución/ la súper hembra/ el gran polvo?
y buscarte en lo alto/ más alto que los fatuos cielos

¿dónde estás padre?

¿Y los hombres/ la libertad/ los ideales supremos/ la loca utopía...?
¿Qué hago acá en este punto infinitesimal del cosmos
intentando trascender con palabras demasiado gastadas?

¿Y los hijos? ¿y esta sangre que me sucede como revolución ansiada?

Hombre que inventa religiones/ mecanismos/ discursos/ fantasmagorías
¿porqué y para qué el poema? ¿dónde la poesía?
¿ese arco tensado entre dos estrellas ilusorias?
¿dónde la flecha que atraviesa esta eternidad de instantes?
la poesía: esa oscuridad/ luz/ pensamiento/ genio encerrado en una botella/
todo y nada.

¿Detendrá mi palabra algún día la bala del suicida o el asesino?
¿es necesario el poema/ el poeta/ el inventado/ para detener esa bala?
¿justificará ese instante el poema? ¿la miseria del mundo/
el hambre/ la muerte sin sentido?

Estoy solo/ sin padres/ sin hijos/ sin amada en medio de la noche cósmica.

Estoy temblando.
Voy a morir.

¡Pero antes voy a salvarme!
¡Antes escribiré el poema que frenará la bala
de la infinita tristeza del hombre!

Aldo Luis Novelli



Estou só.

Quero escrever as páginas todas do mundo
ler a cifra secreta oculta na água primordial
cantar o canto novo da nova humanidade/
cantar sem tempo um canto de chuva e empapar a cara
e o sangue de água fresca/ da água clara que desce do cume.

E pergunto-me: é por isso que estou aqui?
no meio do deserto rodeado de gente desconhecida.
Conheço esta gente? rodeiam-me e falam-me a mim? a quem falam?

Quero dizer estes poemas com a voz de um pássaro e o rasgão de um tigre.
O que são estes poemas? o que é isso a que chamam poesia?
Classificar o mundo e suas coisas e dar um número
a cada qual eis a religião do tempo.
Uma legião de fanáticos caminha atrás dos objectos.

A arte é o ópio do povo dizem os novos pastores
existe a arte? o povo?
onde é que estão os pastores deste imenso rebanho de ovelhas?

Porque é que estou aqui? porquê aqui e não ali?
ali onde o sol cresta o corpo de felinas mulheres
ou mais além/ onde o homem inventa diferentes mortes em cada dia/
todos os dias.

Estou só/
busco amor. Quero ser o amado.
Entender-me-á?
Entende-me esta solidão para escrever o poema total?/
esse aleph/ esse inentendível?
Ou o amor e desejo de uma terna operária
do mercado será o fim das minhas utopias?
batatas laranjas e maçãs em suas mãos sujas
e seu suco no meu corpo
e seus olhos admirando-me a palavra/ a sombra/ os castelos de fumo.

Para quê nascer amar desamar e morrer?
para quê o Deus dos vencidos?
diz-me Deus, para quê?

Quero ser o amado/ o bem-amado/ o mais amado.
E o paraíso terreal/ a revolução/ a super-fêmea/ o grande polvo?
e buscar-te no alto/ mais alto que os fátuos céus

onde é que estás pai?

E os homens/ a liberdade/ os ideais supremos/ a louca utopia?...
O que faço eu aqui neste ponto infinitesimal do cosmos
a tentar entender com palavras demasiado gastas?

E os filhos? e este sangue que me segue como revolução ansiada?

Homem inventor de religiões/ mecanismos/ discursos/ fantasmagorias
porquê e para quê o poema? onde a poesia?
esse arco esticado entre duas estrelas ilusórias?
onde a flecha que atravessa esta eternidade de um instante?
a poesia, essa escuridão/ luz/ pensamento/ génio preso numa garrafa/
tudo e nada.

Minha palavra deterá algum dia a bala do suicida ou do assassino?
é necessário o poema/ o poeta/ o inventado/ para deter essa bala?
justificará o poema esse instante?/ ou a miséria do mundo/
a fome/ a morte sem sentido?

Estou sozinho/ sem pais/ sem filhos/ sem amada no meio da noite cósmica.

Estou a tremer.
Vou morrer.

Mas antes vou-me salvar!
Antes escreverei o poema que travará a bala
da infinita tristeza do homem!


(Trad. A.M.)

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16.8.14

A.M.Pires Cabral (Vinha morta)





VINHA MORTA



Aqui foi uma vinha.
Comi das suas uvas e bebi
do vinho que essas uvas deram
e temperei saladas
com o vinagre em que esse vinho
se tornou.

Por isso – ainda que hoje as cepas tortuosas,
privadas de todo o verde,
que esbracejam como tendo naufragado
no pérfido mar ocre pálido
do voraz capim do Outono,
lembrem mais que nunca ossadas negras
que o tempo profanou e retorceu –

de algum modo
a vinha está morta e não está:
perdura viva em mim.

Isto, bem entendido, enquanto eu próprio
for algo em que algo possa perdurar.

Depois disso, perdurará naquilo
em que eu mesmo perdure.

E a partir daqui perde-se a conta.


A.M.Pires Cabral


[Pátria Pequena]

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15.8.14

Alberto Vega (Deus morreu)





Dios ha muerto, Marx ha muerto
(y yo últimamente no me encuentro
nada bien)


El caso es que me busco entre las cosas
vecinas, entre tanto
vino bastardo y tertulia de provincias,
jugándome los pasos a una carta
marcada en la baraja del destino
con orlas de colores y falsos paraísos,
desafiando al tiempo entre mitos y flautas.

Por lo demás, ningún problema. Gracias.

Alberto Vega



Deus morreu, Marx também
(e até eu ultimamente não me sinto
nada bem)

O caso é que me busco entre as coisas
próximas, entre tanto
vinho bastardo e tertúlias de província,
trocando as voltas a uma carta
marcada do baralho do destino
com orlas às cores e falsos paraísos,
o tempo desafiando entre mitos e flautas.

Quanto ao resto, tudo bem. Obrigado.

(Trad. A.M.)

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14.8.14

Ver (143)







[Eduardo Teixeira Pinto]

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Iñigo Linaje (O teu coração está batendo)





Tu corazón está latiendo en la oscuridad.
Y este silencio es la vida todavía.

Iñigo Linaje



O teu coração está batendo no escuro.
E este silêncio é ainda a vida.

(Trad. A.M.)

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