17.9.26

António Maria Lisboa (Poema)



POEMA

 

Moveu-se o automóvel – mas não devia mover-se
não devia! 

Ontem à meia-noite três relógios distintos bateram:
primeiro um, depois outro e outro:
o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco do terceiro 

Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam 

Pregões de varina sem peixe
- o peixe morreu ao sair da água
e assim já não é peixe 

Assim como eu que vivo uma VIDA EXTREMA.
  

António Maria Lisboa

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