31.1.24

Linda Pastan (Poema de amor outra vez)




LOVE POEM AGAIN

 

there are times when
anything feels
like a love poem 

standing on line at the post office
for instance
waiting to lick 

a stamp
I will buy with
the last loose

change in my pocket
(my own dna
anointing 

the envelope)
so I can send you
this message

Linda Pastan


 

há alturas em que
tudo parece ser
um poema de amor 

estar na fila do correio
por exemplo
à espera de lamber

um selo
que vou comprar com
os últimos miúdos 

no meu porta-moedas
(o meu próprio adn
a ungir 

o envelope)
para poder mandar-te
esta mensagem


(Trad. fjcc)

.

29.1.24

Roger Wolfe (O trabalho sujo)




EL TRABAJO SUCIO

 

He vuelto a la poesía.
a la que siempre
me ha gustado:
la poesía elegíaca, narrativa,
de reflexión profunda y medidas dosis de ensimismamiento.
Leo a Parcerisas, a Joan Margarit.
Releo a Juan Luis Panero,
a Cesare Pavese y a Cernuda.
Descubro los poemas amorosos
de Abelardo Linares. Me deslumbro.
Son una maravilla.
Buena parte de mi propia
poesía no es así, lo sé.
Pero uno no siempre escribe
lo que le gusta leer.
Uno no escribe necesariamente
lo que quiere, sino lo que debe escribir.
Uno mira alrededor y se da cuenta
de que hay montañas de ropa sin lavar.
El trabajo sucio.
Alguien -como dice
mi amigo Iribarren- lo tiene que hacer.

 

Roger Wolfe

[Sombras de la mente]

 

Voltei à poesia,
à que sempre gostei:
a poesia elegíaca, narrativa,
de reflexão profunda
e limitadas doses de introspecção.
Leio Parcerisas, Joan Margarit.
Releio Juan Luis Panero,
Cesare Pavese e Cernuda.
Descubro os poemas amorosos
de Abelardo Linares. Deslumbro-me.
São uma maravilha.
Boa parte da minha própria
poesia não é assim, bem sei.
Mas uma pessoa nem sempre escreve
o que gosta de ler.
Não escreve necessariamente
o que quer, mas o que tem de escrever.
Olha em volta e dá-se conta
de que há montes de roupa por lavar.
O trabalho sujo.
Alguém - como diz
o meu amigo Iribarren - 
alguém tem de o fazer.

(Trad. A.M.)

 .

28.1.24

Rocío Wittib (O pássaro rasga o horizonte)




el pájaro descose el horizonte
vuelve cielo al mar
y mar al viento 

no conoce las palabras
ni siquiera la libertad

solo sabe que volar es mover el mundo
y vuela
 

 Rocío Wittib

  

o pássaro rasga o horizonte
torna céu o mar
e mar o vento 

não conhece as palavras
nem a liberdade sequer 

sabe só que voar é mover o mundo
e voa
 

(Trad. A.M.)

 .

26.1.24

Mary Oliver (Alguém)




Alguém que em tempos amei
ofereceu-me uma caixa
cheia de escuridão.

E eu levei anos até perceber
que isto, também,
era um presente.


Mary Oliver

(Trad. A.M.)

.

24.1.24

Rocío Acebal Doval (Se um dia acordasse)




SI UN DÍA DESPERTARA SIN PALABRAS 

 

Si un día despertara sin palabras,
moriría de hambre o de tristeza.

No tengo nada más: la inútil vocación
de pensar y explicar lo que he pensado.


Rocío Acebal Doval

[Zenda]

 

 

Se um dia acordasse sem palavras,
morria de fome ou de tristeza.

Não tenho nada mais, só esta inútil vocação
de pensar e explicar o que penso.


(Trad. A.M.)

.

23.1.24

Roberto Juarroz (A cilada de estar só)




(101)

La trampa de estar solo
no se abre en la trampa mayor de estar con otro
ni tampoco en la trampa del cero,
sino en la montaña de reflejos que danzan
o en la última luz sobre una vida
enceguecida de ocasos.

El hombre es la oración de dios
o dios es la oración del hombre
Demos las gracias entonces a lo que no existe,
por nuestra inexistencia que existe
Y después,
abramos o cerremos del todo
la puerta de la trampa.


Roberto Juarroz


[Poesia del mondongo]

 

 

A cilada de estar só
não se abre na cilada maior de estar com outro
nem sequer na cilada do zero,
mas no monte de reflexos que dançam
ou na luz última sobre uma vida
enceguecida de ocasos.

O homem é a oração de deus
ou deus é a oração do homem
Demos então graças ao que não existe,
por nossa inexistência que existe
E depois,
abramos ou fechemos de todo
a porta da cilada


(Trad. A.M.)

.

21.1.24

Mario Quintana (Era um lugar)




ERA UM LUGAR 

 

Era um lugar em que Deus ainda acreditava na gente...
Verdade
que se ia à missa quase só para namorar
mas tão inocentemente
que não passava de um jeito, um tanto diferente, de rezar
enquanto, do púlpito, o padre clamava possesso
        contra pecados enormes.
Meu Deus. até o Diabo envergonhava-se.
Afinal de contas, não se estava em nenhuma
        Babilônia...
Era, tão só, uma cidade pequena,
com seus pequenos vícios e suas pequenas virtudes:
um verdadeiro descanso para a milícia dos Anjos
com suas espadas de fogo.
        - um amor!
Agora, aquela antiga cidadezinha está dormindo para sempre
em sua redoma azul, em um dos museus do Céu.

 

Mario Quintana

.

19.1.24

Roberto Fernández Retamar (Epitáfio de um invasor)




EPITAFIO DE UN INVASOR

 

Tu bisabuelo cabalgó por Texas,
Violó mexicanas trigueñas y robó caballos
Hasta que se casó con Mary Stonehill y fundó un hogar
De muebles de roble y God Bless Our Home.
Tu abuelo desembarcó en Santiago de Cuba,
Vio hundirse la Escuadra española, y llevó al hogar
El vaho del ron y una oscura nostalgia de mulatas.
Tu padre, hombre de paz,
Sólo pagó el sueldo de doce muchachos en Guatemala.
Fiel a los tuyos,
Te dispusiste a invadir a Cuba, en el otoño de 1962.

Hoy sirves de abono a las ceibas.


Roberto Fernández Retamar

 

 

Teu bisavô cavalgou pelo Texas.
violou mexicanas trigueiras e roubou cavalos,
até que se casou com Mary Stonehill e montou casa,
com móveis de carvalho e God Bless Our Home.
Teu avô desembarcou em Santiago de Cuba,
viu afundar a Esquadra espanhola, e levou para casa
o bafo do rum e uma grande saudade de mulatas.
Teu pai, homem de paz,
só pagou o soldo de doze mancebos na Guatemala.
Fiel aos teus,
tu alinhaste em invadir Cuba, no Outono de 1962.

Hoje serves de estrume às ceibas.


(Trad. A.M.)

.

18.1.24

Piedad Bonnett (O nó)




EL NUDO 

 

Cómo desatar este nudo, me digo,
y en él concentro la mirada como para que arda.
Lo que en mis ojos late no es fuego, sin embargo, 
sino impotencia: 
esa parálisis
que nace del temor a la derrota. 

Un nudo pareciera provenir del azar, ser inocente
de la tensión que encierra. Pero engaña.
(No hay nudo sin proceso,
sin movimiento previo, sin lazadas)


Podría deshacerlo
si supiera por donde comenzar o hubiera un método
para desenredar esta maraña.
Pero dentro del nudo hay un silencio,
un ensimismamiento, 
la trabazón perversa que nos mueve
de querer desistir
a la esperanza.
 

Piedad Bonnett 

[Revista Turia] 

 

Como desatar este nó, pergunto-me,
e fito nele o olhar como para que arda.
O que me palpita nos olhos, contudo,
não é fogo, mas impotência:
aquela paralisia
que nasce do temor à derrota. 

Um nó dir-se-ia provir do acaso, ser inocente 
da tensão que encerra. Mas engana.
(Não há nó sem processo,
sem movimento prévio, sem laçadas). 

Podia desfazê-lo
se soubesse por onde começar ou houvesse um meio
para desenredar esta maranha.
Mas por dentro do nó há um silêncio,
um ensimesmamento,
a ligação perversa que nos leva
da desistência 
à esperança.

(Trad. A.M.)


.

16.1.24

Mário de Andrade (Ode ao burguês)




ODE AO BURGUÊS 

 

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar... — Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burgês!...

Mário de Andrade

 .

14.1.24

Pablo Neruda (Teus pés)




TUS PIES

 

Cuando no puedo mirar tu cara
miro tus pies.

Tus pies de hueso arqueado,
tus pequeños pies duros.

Yo sé que te sostienen,
y que tu dulce peso
sobre ellos se levanta.

Tu cintura y tus pechos,
la duplicada púrpura de tus pezones,
la caja de tus ojos que recién han volado,
tu ancha boca de fruta,
tu cabellera roja,
pequeña torre mía.

Pero no amo tus pies
sino porque anduvieron
sobre la tierra y sobre
el viento y sobre el água,
hasta que me encontraron.


Pablo Neruda

 

 

Quando não posso olhar teu rosto,
eu olho os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se levanta.

Tua cinta e teus seios,
a duplicada púrpura dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se eu amo os teus pés
é só porque andaram
por sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até que me encontraram.

 
(Trad. A.M.)

.

13.1.24

Pablo Albornoz (Sem dar conta)




sin darse cuenta
la paloma picotea
su propia muerte


Pablo Albornoz




sem dar conta
a pomba pica
a sua morte

(Trad. A.M.)


.

11.1.24

José Carlos Ary dos Santos (Kyrie)




KYRIE

 

Em nome dos que choram,
dos que sofrem,
dos que acendem na noite o facho da revolta
e que de noite morrem,
com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
de amor e paz que nunca foram ditas.
Em nome dos que rezam em silêncio
e falam em silêncio
e estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
a esmola que os humilha e destrói
e devoram as lágrimas e o medo
quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
numa cama de chuva com lençóis de vento
o sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
volta outra vez ao mundo!
 

J.C. ARY DOS SANTOS
A liturgia do sangue
(1963) 

[Canal de poesia]

 .

9.1.24

Osvaldo Picardo (O ignorante)




EL IGNORANTE 

 

Nunca sabremos realmente por qué
hemos vivido. No alcanzan las palabras. 

Sobre el mismo mar se levanta el sol.
Ante el mismo mar
un mediodía, alguien se para en la costa
y mira. Sólo eso y nada dice. ¿Qué espera ver? 

Mirar no es ver sólo esto que se muestra,
ni siquiera lo que existe. Las olas hablan
de regresos largamente olvidados,
a veces sin que nadie haya partido.

Una gaviota y un poste de luz parecen
ser el centro del universo. A su alrededor
la circunferencia de tu ignorancia
es como ese pescador y su caña,
una eternidad demasiado larga. 

Hubo muchas veces en que creíste
haber nacido para algo. Fue esa fe
la que te empujó a decisiones definitivas.
Pero el resto lo decidió 

un puro instinto de felicidad
acontecido para ser superado.


OSVALDO PICARDO
Pasiones de la línea
(2008)

 

Nunca realmente saberemos por que
é que vivemos. As palavras não dão…

Sobre o próprio mar se levanta o sol.
Frente ao mesmo mar
ao meio dia, alguém se detém na costa
e observa. Apenas isso, sem dizer nada. 
O que espera ver?

Olhar não é ver só aquilo que se mostra,
nem sequer aquilo que existe. As ondas
falam de regressos longamente esquecidos,
às vezes sem ninguém ter partido sequer.

Uma gaivota e um poste da luz parecem
ser o centro do universo. Em redor
a circunferência da tua ignorância
é como esse pescador com sua cana,
uma eternidade demasiado longa.

Muitas vezes houve que julgaste
ter nascido para algo. Tal fé
te levou a decisões definitivas.
Mas o resto decidiu-o

um puro instinto de felicidade
acontecido para ser ultrapassado.


(Trad. A.M.)

.

8.1.24

Óscar Hahn (Os fantasmas de Lisboa)




LOS FANTASMAS DE LISBOA



Dónde estará el pasado que tuvimos
el pasado que tuve entre tus brazos
En la calle resuenan nuestros pasos
pero no estamos: nos desvanecimos

Dónde estarán los besos que nos dimos
la tristeza tan dulce de los fados
tus promesas tus llantos mis enfados
nuestros cuerpos que un día compartimos

Asustados los nuevos ocupantes
de nuestro cuarto en el hotel escuchan
la risa de personas que se duchan

Como los personajes de Pessoa
somos almas sin cuerpo: dos amantes
que penan en las noches de Lisboa


Óscar Hahn

  

Onde estará o passado que foi nosso
o passado que foi meu nos teus braços
Ressoam na rua nossos passos
mas não estamos já, desvanecemos

Onde estarão os beijos que nos demos
a tão doce tristeza do fado
tuas promessas e prantos meu enfado
nossos corpos que um dia partilhámos

Assustados os novos clientes
do nosso quarto do hotel
escutam o riso de pessoas no banho

Almas sem corpo, nós, como personagens
de Pessoa, dois amantes penando
pelas noites de Lisboa.


(Trad. A.M.)

.

6.1.24

Linda Pastan (Notas)




MARKS 

 

My husband gives me an A
for last night's supper,
an incomplete for my ironing,
a B plus in bed.
My son says I am average,
an average mother, but if
I put my mind to it
I could improve.
My daughter believes
in Pass/Fail and tells me
I pass. Wait 'til they learn
I'm dropping out.
 

Linda Pastan 

 

O meu marido atribui-me um A
pelo jantar de ontem à noite,
um incompleto pelo passar a ferro,
um B+ na cama.
O meu filho diz que estou na média,
uma mãe mediana, mas que
podia melhorar
se me esforçasse
A minha filha acredita
em Passar/Reprovar e diz-me
que passo. Esperem até eles saberem

que vou desistir.

(Trad. fjcc)


>>  All poetry (27p) / Poem hunter (26p) / Poetry.us (7p) / Wikipedia

 .

4.1.24

Miquel Martí i Pol (Coisas)




COISAS

 

Desse Verão quero só recordar
o olhar cúmplice
da vizinha que apanhava sol
despida e sorriu com agrado
ao dar conta de que eu a contemplava,
 e esse instante fugaz, irrepetível,
de total quietude, em que o mundo ficou
deserto de si mesmo e era um vidro
transparente e a seguir de novo compacto.
O Verão não será outra coisa,
quero dizer, esse Verão, e se alguém me vier
com as mil bagatelas inefáveis
que compõem os dias e  as noites,
eu direi apenas: - Não me lembro.


Miquel Martí i Pol

(Trad. A.M.)

.

3.1.24

Miguel Veyrat (Ah, foras tu possível)




AH, SI FUERAS tú posible todavía!
Si pudieras pronunciar 
de nuevo tu palabra 
en un momento sin tiempo
y hacer como aquél día primero,
que todo fuera posible: 
Como regresar cantando 
a casa. Yo inventaría 
entonces para ti 
un alfabeto nuevo,  
donde amar consistiera
en pronunciar lentamente esa palabra, 
con todas sus letras 
y  tu propio acento, a toda hora 
y en un lugar sin fecha 
que fuese meta y partida —y 
regreso a cada paso, al mismo tiempo.

Miguel Veyrat

 

Ah, foras tu possível ainda!
Puderas pronunciar 
de novo tua palavra
num momento sem tempo 
e fazer como naquele dia primeiro
que tudo fosse possível:
Como regressar cantando
a casa. Eu inventaria 
então para ti
um alfabeto novo,
onde amar consistisse
em pronunciar essa palavra
com todas as letras
e teu próprio acento, a toda a hora
e num lugar sem data
que fosse meta e partida - e 
regresso a cada passo, ao mesmo tempo.

(Trad. A.M.)

 .

1.1.24

Mário Cesariny (Autografia)




AUTOGRAFIA

 

sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra 

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
(antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa)
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião - não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!


Mário Cesariny

.

31.12.23

ÍNDICE DE AUTORES (2005-23)




 INDICE DE AUTORES      

  (2005-23)           

 

A., Ruben
ABAD, Begoña
ACEBAL DOVAL, Rocío
ACQUARONI, Rosana
AGUADED LANDERO, Santiago
AGUADO, Jesús
AGUIAR, Cristóvão
AGUIAR, Jorge
AGUIRRE, Francisca
AGUIRRE, María Belén
AGUIRRE, Raúl Gustavo
AGUSTINI, Delmira
ALBA, Sebastião
ALBERT, Irene
ALBERTI, Rafael
ALBORNOZ, Pablo
ALCARAZ, José
ALCUBILLA, Pedro César
ALEGRE, Manuel
ALEGRIA, Claribel
ALEIXANDRE, Vicente
ALEXANDRE, António Franco
ALIAGA, Cristian
ALIAGA IBAÑEZ, Rosa
ALIEBURI, Ibne Ayyas
ALISBUNI, Ibne Mucana
ALMEIDA, Fialho
ALMEIDA, José António
ALMUTÂMIDE, Mohâmede
ALMUZARA, Javier
ALONSO, Dámaso
ÁLVAREZ, Montserrat
ALVIM, Francisco
AMAR, Ibne
AMARAL, Ana Luísa
AMARO, Luís
AMPUERO, Jorge
ANDRADE, Carlos Drummond
ANDRADE, Eugénio
ANDRADE, Jotaele
ANDRADE, Mário
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner
ANDREU, Pedro
ANDRUETTO, María Teresa
ANSELME, Jean l‘
ANTUNES, António Lobo
ARAUJO, Mercedes
ARIDJIS, Homero
ASSIS, Machado
ASUNCIÓN ALONSO, Martha
ATWOOD, Margaret
AUB, Max 

BANDEIRA, Manuel
BAPTISTA, Amadeu
BAPTISTA, José Agostinho
BARAHONA, António
BARNET, Miguel
BARRAL, Juanjo
BARRERO, Hilario
BARRON, Néstor
BARROS, José Carlos
BARROS, Manoel
BARRUECO, José Ángel
BATANIA
BAUDELAIRE, Charles
BAUTISTA, Amalia
BEADES, Jesús
BEAUVOIR, Simone
BECHARA, Eduardo
BEJARANO, Julián
BELLI, Gioconda
BELO, Ruy
BELTRAN, Fernando
BENEDETTI, Mario
BENET, Susana
BENÍTEZ REYES, Felipe
BENITO DE LUCAS, Joaquín
BENTO, José
BERGAMÍN, José
BERTO, Al
BERTONI, Claudio
BESSA-LUÍS, Agustina
BIGURI, Íker
BLANDIANA, Ana
BOCAGE
BOCCANERA, Jorge
BOLAÑO, Roberto
BONET, Juan Manuel
BONIFAZ NUÑO, Rubén
BONILLA, Gsús
BONILLA, Juan
BONNETT, Piedad
BONO, Isabel
BORGES, Jorge Luis
BOSCH, Gloria
BOTAS, Victor
BOTELHO, Renata Correia
BOTTO, António
BRAGA, Jorge de Sousa
BRANCO, Camilo Castelo
BRANCO, Rosa Alice
BRANDÃO, Fiama Hasse Pais
BRANDÃO, Raul
BRASIL, Geraldino
BRECHT, Bertolt
BREZMES, Alfonso
BRINES, Francisco
BRITO, Casimiro
BRITTO, Paulo Henriques
BROSSA, Joan
BUENDÍA, Rogelio
BUKOWSKI, Charles
BUXÁN, Alfredo 

CABRAL, A.M.Pires
CABRAL, António
CABRAL, Rui Pires
CABRERA, Antonio
CADENAS, Rafael
CADILHE, Gonçalo
CALDERÓN, Teresa
CAMARNEIRO, Nuno
CAMÕES, Luís
CAMPOS PÁMPANO, Ángel
CÁNAVES, Javier
CANTONI, César
CARDOSO, Tanussi
CARNEIRO, Eduardo Guerra
CARNEIRO, Mário Sá
CARRIEGO, Evaristo
CARSON, Anne
CARVALHEIRA, Jorge
CARVALHO, Ana Margarida
CARVALHO, Armando Silva
CARVALHO, José Rentes
CARVALHO, Mário
CARVALHO, Raul
CARVER, Raymond
CASANOVA, Cecilia
CASARES, Pablo
CASARIEGO, Pedro
CASAS, Fabián
CASIELLES, Laura
CASTAÑO, Yolanda
CASTELLANOS, Rosario
CASTILHO, Paulo
CASTILLA, Leopoldo
CASTILLA, Manuel J.
CASTILLO, Horacio
CASTRO, Rosalía
CATTANEO, Susana
CAVALLI, Patrizia
CELAYA, Gabriel
CENTENO, Yvette
CEREIJO, José
CERNUDA, Luis
CESARINY, Mário
CÉSPEDES, Alejandro
CHACÓN, Dulce
CHAR, René
CHIRINOS, Eduardo
CHIVITE, Fernando Luis
CICERO, Antonio
CILLERUELO, José Ángel
CINATTI, Ruy
COCHOFEL, João José
CODAGNONE, Flor
COHEN, Leonard
COLASANTI, Marina
COLINAS, Antonio
COLLINS, Billy
CONTARDI, Marilyn
CORREDOR-MATHEOS, José
CORREIA, João Araújo
CORREIA, Natália
CORTÁZAR, Julio
COSTAFREDA, Alfonso
COTTA, Daniel
CRAWFORD, Robert
CRESPO, Ángel
CRESPO, Mariano
CRUZ, Sor Juana Inês
CUBERO, Efi
CUENCA, Luis Alberto
CUMBREÑO, José María
CUETO, Adolfo 

DALTER, Eduardo
DALTON, Roque
DARÍO, Rúben
DAS, Javier
DECÉSARE, María Laura
DELMAR, Meira
DELTORO, Antonio
DEMPSTER, Nuno
DEUS, João
DIAS, Gonçalves
DIAS, Inês
DÍAS, Marcelo Daniel
DIAS, Saul
DÍAZ-GRANADOS, Federico
DIEGO, Eliseo
DIONÍSIO, Mário
DOCE, Jordi
DOSHI, Tishani
DURRELL, Lawrence 

EDSON, Russel
EDWARDS, Rodolfo
EGEA, Javier
EIRAS, Pedro
ELOY BLANCO, Andrés
ELUARD, Paul
ENSENYAT, Paula
ERRASTI, Eduardo
ESPANCA, Florbela
ESPEJO, José Daniel
ESPINA, Jorge 

FAFE, José Fernandes
FARIA, Daniel
FELIPE, León
FÉLIX, Emanuel
FERIA, Luis
FERNÁNDEZ LERA, Antonio
FERNÁNDEZ MORENO, Baldomero
FERNÁNDEZ MORENO, César
FERNÁNDEZ RETAMAR, Roberto
FERNÁNDEZ SÁNCHEZ, José Antonio
FERRAZ, Eucanaã
FERREIRA, David Mourão
FERREIRA, Isabel Mendes
FERREIRA, José Gomes
FERREIRO, Celso Emilio
FERRUZ, Raúl
FIGUEIREDO, Tomaz
FIGUEROA, Estela
FILIPE, Daniel
FINOCHIETTO, Mariana
FONOLLOSA, José María
FONSECA, Manuel
FONTE, Ramiro
FORTE, António José
FRAGUI, Gonzalo
FRAIRE, Isabel
FREITAS, Manuel
FUERTES, Gloria 

GALA, Antonio
GALARZA, Javier
GALEANO, Eduardo
GALIMI, Gisela
GALLEGO, Vicente
GALLEGO RIPOLL, Federico
GAMA, Sebastião
GAMONEDA, Antonio
GAOS, Vicente
GARCÍA CALVO, Agustín
GARCÍA CASADO, Pablo
GARCÍA LORCA, Federico
GARCÍA-MÁIQUEZ, Enrique
GARCÍA MARTÍN, José Luis
GARCÍA MONTERO, Luis
GARCÍA ZAMBRANO, María
GARRETT, Almeida
GAYA, Miguel
GELMAN, Juan
GIANNUZI, Joaquín
GIDE, André
GIL DE BIEDMA, Jaime
GIOIA, Dana
GIOVANNI, Luciano
GIRONDO, Oliverio
GLÜCK, Louise
GOMES, Paulo Varela
GÓMEZ ESPADA, Ángel Manuel
GÓMEZ JATTÍN, Raúl
GONÇALVES, Egito
GONZÁLEZ, Adolfo
GONZÁLEZ, Ángel
GONZÁLEZ, David
GONZÁLEZ, Jonio
GONZÁLEZ, Ulalume
GONZÁLEZ ANSORENA, Luis
GONZÁLEZ IGLESIAS, Juan Antonio
GONZÁLEZ MORENO, Pedro A.
GONZÁLEZ TUÑÓN, Raúl
GOROSTIZA, José
GOYTISOLO, José Agustín
GRANDE, Félix
GREGÓRIO, António
GRUSS, Irene
GUEDEA, Rogelio
GUILLÉN ACOSTA, Carmelo
GUINDA, Ángel
GULLAR, Ferreira
GUSTAVO AGUIRRE, Raúl
GUTIÉRREZ, Julia
GUTIÉRREZ VEGA, Hugo 

HABITUALMENTE, João
HAHN, Óscar
HATHERLY, Ana
HELDER, Herberto
HERCULANO, Alexandre
HERNÁNDEZ, Francisco
HERNÁNDEZ, Miguel
HERNÁNDEZ, Paz
HERRERO, Fermín
HIDALGO, José Luis
HIERRO, José
HILST, Hilda
HORTA, Maria Teresa
HUERTA, Efraín
HUIDOBRO, Vicente 

IGLESIAS, Jacob
IGLESIAS DÍEZ, Carlos
INÁCIO, Ana Paula
INFANTE, José
IRIBARREN, Karmelo C.
IRIGOYEN, Ramón 

JANÉS, Clara
JARAMILLO AGUDELO, Darío
JEANSON, Henri
JIMÉNEZ LOZANO, José
JONAS, Daniel
JORGE, João Miguel Fernandes
JORGE, Luiza Neto
JUARISTI, Jon
JUARROZ, Roberto
JÚDICE, Nuno
JUNQUEIRO, Guerra 

KAVAFIS, Konstandinos
KNOPFLI, Rui 

LABORDETA, José Antonio
LACERDA, Alberto
LAINE, Jarkko
LANSEROS, Raquel
LARA, Alda
LASHERAS, Javier
LEIRIA, Mário-Henrique
LEITÃO, Luís Veiga
LEMINSKI, Paulo
LEVI, Jan Heller
LIMA, Ângelo
LINAJE, Iñigo
LINARES, Abelardo
LISPECTOR, Clarice
LIZALDE, Eduardo
LIZANO, Jesús
LLANOS, Eduardo
LOBO, Francisco Rodrigues
LOPES, Adília
LOPES, Fernão
LÓPEZ CORTÉS, Pura
LÓPEZ PACHECO, Jesús
LÓPEZ-VEJA, Martín
LÓPEZ VILAR, Marta
LUCA, Erri
LUHRMANN, Baz
LUQUE, Aurora 

MACEDO, Helder
MACHADO, Antonio
MACHADO, Carlos Alberto
MACIEL, Maria Esther
MADARIAGA. Francisco
MÃE, Valter Hugo
MAGRELLI, Valerio
MAILLARD, Chantal
MANCELOS, João
MANGAS, Francisco Duarte
MARCH, Susana
MARGARIT, Joan
MARQUES, Ana Martins
MÁRQUEZ, Joaquín
MARTÍ I POL, Miquel
MARTÍN GAITE, Carmen
MARTÍNEZ FERRER, América
MARTÍNEZ SARRIÓN, Antonio
MARTINS, Albano
MARTINS, Miguel
MARZAL, Carlos
MATEOS, José
MATTEI, Olga Elena
MATTOS, António Almeida
MAVER, Tom
MAYOR, David
MEDINA, Dante
MEIRELES, Cecília
MENDES, Luís Filipe Castro
MENDES, Murilo
MENDINUETA, Lauren
MENDONÇA, José Tolentino
MERINI, Alda
MERINO, Ana
MESA, Sara
MESTRE, Juan Carlos
MEXIA, Pedro
MEZQUITA, Nuria
MIGUÉIS, José Rodrigues
MÍGUEZ, Mario
MILÁN, Eduardo
MIRANDA, Francisco Sá
MITRE, Eduardo
MOLINERO, Jorge M.
MONETTE, Hélène
MONTALBETTI, Mario
MONTALE, Eugenio
MONTEIRO, Adolfo Casais
MONTEJO, Eugenio
MONTOJO MICÓ, Ana
MORA, Ángeles
MORA, Vicente Luis
MORÁBITO, Fabio
MORAES, Vinicius
MORAL, Paco
MORALES, Angélica
MORANTE, José Luis
MORIN, E.
MOTA, Domingos
MOURA, Dinis
MOURA, Gabriela
MOURA, Vasco Graça
MOYA, Manuel
MOYA, Manuel (Umar Abass)
MOYA, Manuel (Violeta Rangel)
MOYA, Manuel (Xi Shuao)
MUJICA, Hugo
MUÑOZ, Cysko
MUÑOZ, Rosabetty
MUÑOZ ALVAREZ, Vicente
MUÑOZ LAGOS, Marino
MUÑOZ ROJAS, José Antonio
MUTIS, Álvaro

NAMORA, Fernando
NAMORADO, Joaquim
NASSAR, Raduan
NAVA, Luís Miguel
NEGREIROS, Almada
NEJAR, Carlos
NEMÉSIO, Vitorino
NERUDA, Pablo
NESSI, Alberto
NETO, João Cabral de Melo
NEUMAN, Andrés
NIETO DE LA TORRE, Raúl
NIETZSCHE, Friedrich
NIEVA, Silvia
NOBRE, António
NOGUERA, Laia
NOVELLI, Aldo Luis
NÚÑEZ, Aníbal 

OCAMPO, Silvina
OLIVEIRA, Carlos
OLIVEIRA, Carlos Mota
OLIVEIRA, José Alberto
OLIVEIRA, Mário Rui
OLIVER, Mary
O’NEILL, Alexandre
ORIHUELA, Antonio
OROZCO, Olga
ORS, Miguel d’
ORTIZ, Fernando
ORTIZ, Juan L.
ORY, Carlos Edmundo
OSÓRIO, António
OTERO, Blas 

PACHECO, Fernando Assis
PACHECO, José Emilio
PADURA, Leonardo
PAES, José Paulo
PALAU, Josep
PANERO, Juan Luis
PANERO, Leopoldo
PANERO, Leopoldo María
PARISO, Valeria
PARRA, Josefa
PARRA, Nicanor
PARRADO, Luís Filipe
PARREÑO, José María
PAVESE, Cesare
PAVIA, Cristovam
PAZ, Octavio
PEDREIRA, Maria do Rosário
PEDRONI, José
PEIXOTO, José Luís
PEÑALOSA, Joaquín Antonio
PENNA, Sandro
PEREIRA, Antonio
PEREIRA, Helder Moura
PÉREZ CABAÑA, Rosario
PÉREZ CAÑAMARES, Ana
PÉREZ MONTALBÁN, Isabel
PÉREZ MORTE, Antonio
PÉREZ-SAUQUILLO, Vanesa
PÉREZ VALLEJO, Ernesto
PERI ROSSI, Cristina
PEROSIO, Graciela
PESSANHA, Camilo
PESSOA, Fernando
PESSOA, Fernando (A.Caeiro)
PESSOA, Fernando (A.Campos)
PESSOA, Fernando (R.Reis)
PETISME, Ángel
PEYROU, Mariano
PICARDO, Osvaldo
PICÓN, Francisco J.
PIMENTA, Alberto
PINA, Manuel António
PIÑÁN, Berta
PIÑERA, Virgilio
PIQUERAS, Juan Vicente
PIQUERO, José Luis
PIRES, Graça
PIRES, José Cardoso
PITTA, Eduardo
PIZARNIK, Alejandra
PLATH, Sylvia
PONCE, Laura
PORCHIA, Antonio
POZZI, Antonia
PRADO, Adélia
PRADO, Benjamín
PRÉVERT, Jacques 

QUART, Pere
QUASIMODO, Salvatore
QUEIROZ, Eça
QUINTAIS, Luís
QUINTANA, Mario 

RAMÍREZ LOZANO, José A.
RAMONES, Rita
RAMOS, Manuel Silva
RAMOS, Pepe
RAMOS SIGNES, Rogelio
RASCÓN, Patricio
RAUSKIN, Jacobo
RÉGIO, José
REIS, António
RESENDE, Manuel
REYES, Belén
REYES, Miriam
RIBEIRO, Aquilino
RIBEIRO, Bernardim
RICARDO, Cassiano
RICO, Manuel
RIECHMANN, Jorge
RITSOS, Yannis
RIVERO TARAVILLO, Antonio
ROCA, Juan Manuel
RODRIGUES, Armindo
RODRÍGUEZ, Claudio
RODRÍGUEZ, Josep M.
RODRÍGUEZ, Lucas
ROJAS, Gonzalo
ROJAS HERAZO, Héctor
ROKHA, Pablo
ROMERO, Kutxi
ROSA, António Ramos
ROSA, João Guimarães
ROSALES, Luis
ROSENBERG, Mirta
ROSSETTI, Ana
ROTOMA, Ape
RUSHIN, Kate 

SABA, Umberto
SÁBATO, Ernesto
SABINES, Jaime
SAER, Juan José
SAFO
SAHAGÚN, Carlos
SALEM, Carlos
SALINAS, Pedro
SALOMÉ, Ana
SALVAGO, Javier
SAMPAIO, Jaime Salazar
SÁNCHEZ, Raúl
SÁNCHEZ CARRÓN, Irene
SÁNCHEZ ROSILLO, Eloy
SANT’ANNA, Affonso Romano
SANTOS, José Carlos Ary
SANZ, María
SARA, Ibne
SARACENI, Gina
SEDEVICH, Carina
SEIXAS, Artur Cruzeiro
SELMA, Leda
SENA, Jorge
SERPA, Alberto
SEXTON, Anne
SEVILLA, Pedro
SICILIA, Javier
SILES, Jaime
SILVA, Elder
SILVA, José Mário
SILVA, José Miguel
SILVA-TERRA, Manuel
SILVEIRA, Pedro
SILVESTRIN, Ricardo
SIMÓN, César
SIMONOV, Konstantin
SINMÁS, Juana
SISCAR, Marcos
SOTO, Elena
SOUSA, Gil T.
STABILE, Uberto
STRAND, Mark
SZPUNBERG, Alberto 

TAGORE, Rabindranath
TALENS, Jenaro
TAMEN, Pedro
TAVARES, Gonçalo M.
TEILLIER, Jorge
THEOBALDY, Jürgen
TORGA, Miguel
TORRES, Alexandre Pinheiro
TRAMÓN, Marcos
TRAPIELLO, Andrés 

UÁZIR, Abdalá Ibne
UGIDOS, Silvia
UMBRAL, Francisco
UNGARETTI, Giuseppe
URIBE, Kirmen
URONDO, Francisco 

VALDÉS, Zoé
VALENTE, José Ángel
VALÉRY, Paul
VALLEJO, César
VALLVEY, Ángela
VALVERDE, Álvaro
VALVERDE, Fernando
VALVERDE, José María
VARELA, Blanca
VASCONCELLOS, Eugénia
VAZ, Eva
VEGA, Alberto
VERA MIRANDA, Hugo
VERDE, Cesário
VEYRAT, Miguel
VICENTE, Gil
VILA, Biel
VILA-MATAS, Enrique
VILARIÑO, Idea
VILAS, Manuel
VILLA, José
VILLALBA, Juan Manuel
VILLENA, Luis Antonio
VITALE, Ida
VIVAS SANZ, Roberto 

WANG, Berna
WARREN, Louise
WATANABE, José
WILLIAMS, W. C.
WITTIB, Rocío
WITTNER, Laura
WOLFE, Roger 

YEATS, W.B.
YOURCENAR, Marguerite 

ZAÍD, Gabriel
ZAMBRANO, María
ZAPATA, Sara
ZINK, Rui
ZONTA, José María
ZUÑIGA, José Luis,
ZURITA, Raúl

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