Rua das Pretas

Serve-se poesia aos passantes (Com guardanapo...)

31.8.09

Eduardo Pitta (Pouco tenho para alinhavar)

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Pouco tenho para alinhavar. Dizer-te que estou longe não apaga esta ausência que, inelutavelmente, nos distanciou. Cercam-nos muros de silê...

António Ramos Rosa (Poema dum funcionário cansado)

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POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO A noite trocou-me os sonhos e as mãos dispersou-me os amigos tenho o coração confundido e a rua é estreita est...
29.8.09

Francisco Hernández (Até o verso ficar)

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HASTA QUE EL VERSO QUEDE Quitar la carne, toda, hasta que el verso quede con la sonora oscuridad del hueso. Y al hueso desbastarlo, pulirlo,...

Um verso (59)

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Um verso de Eugénio (e mais não): Assim é o amor: mortal e navegável. Eugénio de Andrade .

Nuno Júdice (Tempo livre)

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TEMPO LIVRE Numa tarde de domingo, em Central Park, ou numa tarde de domingo, em Hyde Park, ou numa tarde de domingo, no jar...
27.8.09

Gonçalo M. Tavares (As rimas)

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AS RIMAS Declaradamente, as rimas devem ser esmagadas entre o polegar e o indicador como uma reles pulga. Sendo que, para ouvidos atentos, o...

Roberto Bolaño (Esta manhã)

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(Um problema de cada vez...) Esta manhã deambulei pelos arredores da Villa a pensar na minha vida. O futuro não se apresenta muito brilhante...

Francisco Sá de Miranda (Cantiga feita nos campos de Roma)

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CANTIGA FEITA NOS GRANDES CAMPOS DE ROMA Por estes campos sem fim, onde a vista assim se estende, que verei, triste d...
25.8.09

Nuria Mezquita (Eu queria ser como Marilyn)

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YO QUERÍA SER COMO MARILYN Yo quería ser como Marilyn, pero algo salió mal. Mi pelo, mis muslos, mi boca, mis tetas… Algo salió mal. Yo quer...

Ferreira Gullar (Morte de Clarice Lispector)

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MORTE DE CLARICE LISPECTOR Enquanto te enterravam no cemitério judeu do Caju (e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda) o táxi cor...

Adolfo Casais Monteiro (A palavra impossível)

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Silêncio-1 (Eugénio A.) Silêncio-2 (M.Quintana) Silêncio-3 (Andrés Eloy) Silêncio-4 (A.Mattos) Silêncio-5 (...
23.8.09

Julio Cortázar (Flor e cronópio)

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(Flor e cronópio) Um cronópio topa com uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro vai para arrancá-la, depois pensa que é uma crueldade...

Pedro Mexia (Papel químico)

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PAPEL QUÍMICO O “sofrimento” é uma emoção poética, estamos sempre sozinhos com o nosso fantasma e os versos o papel qu...
21.8.09

Gabriel Zaíd (Gabando o jeito dela)

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ALABANDO SU MANERA DE HACERLO Qué bien se hace contigo, vida mía! Muchas mujeres lo hacen bien pero ninguna como tú. La S...

Ver (26)

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[ Marciano ] Ria de Aveiro

Alexandre O'Neill (Auto-retrato)

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AUTO-RETRATO O'Neill (Alexandre), moreno português, cabelo asa de corvo; da angústia da cara, nariguete que sobrepuja de través a ferida...

A.M.Pires Cabral (Prognóstico)

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PROGNÓSTICO Sou do tempo em que não se corrigiam dentes defeituosos. Além disso, perdi praticamente todos os molares. Para...
19.8.09

Néstor Barron (Ética do soldado)

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ÉTICA DEL SOLDADO Fui engendrado por un siglo que huyó con el rabo entre las patas. Es por eso que si me lo cruzo en algún bar, simplemente ...

Charles Baudelaire (Sonhos)

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(Sonhos, sempre sonhos...) Existe um país soberbo, um país de Cocanha... Sonhos! Sempre sonhos! E quanto mais a alma é ambiciosa e delicada,...
18.8.09

Miguel Torga (Dies irae)

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DIES IRAE Apetece cantar, mas ninguém canta. Apetece chorar, mas ninguém chora. Um fantasma levanta A mão do medo sobre a nossa hora. Apetec...
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